29 de junho de 2026 19:43

Aquecimento Global: Venezuela se tornou o primeiro país a perder todas as suas geleiras

A Venezuela acaba de anunciar oficialmente o derretimento de sua última geleira. A imponente La Corona, um dos destinos turísticos mais procurados por brasileiros e outros visitantes do mundo inteiro entre as décadas de 1950 e 1980, que cobria 4,5 quilômetros quadrados no Parque de Serra Nevada, foi reclassificada pelos cientistas como um simples campo de gelo.O triste comunicado, feito recentemente, representa uma derrota (mais uma na América do Sul!) contra as mudanças climáticas. Mais que uma atração turística, La Corona, que ficava próxima ao Pico Humboldt, a quase 5 mil metros de altitude, era um símbolo da natureza, e sua queda representa um impacto real na vida do país e por consequência ao nosso planeta.

Na primeira década do século passado, o país ostentava seis geleiras, que cobriam uma área total de mil quilômetros quadrados, e, em 1956, o Clube Andino Venezuelano organizou um campeonato de esqui cross-country nas montanhas do Pico Espejo, no estado de Mérida. O que restou de tudo isso, em 2024, foi um “um pedaço de gelo com 0,4% do seu tamanho original”, afirmou o professor Julio Cesar Centeno, da Universidade dos Andes, à AFP.

Por que La Corona não é mais uma geleira?

Para ser conceituada como geleira, a massa de gelo deve ter pelo menos 10 hectares.Para ser conceituada como geleira, a massa de gelo deve ter pelo menos 10 hectares.Fonte:  Getty Images 

Segundo os padrões internacionais, uma geleira precisa medir pelo menos 10 hectares, o equivalente a 0,1 quilômetro quadrado. Esse padrão já havia sido perdido, desde 2011, pelas geleiras existentes nos picos El León, La Concha, El Toro e Bolívar. Uma pesquisa feita nos últimos cinco anos indicou uma perda de 98% na coberta glacial da Venezuela entre 1953 e 2019, sendo de 17% nos últimos quatro anos da série analisada. Em uma tentativa desesperada para “proteger” a geleira, autoridades do governo venezuelano tentaram cobrir o que restou de gelo com uma cobertura de polipropileno, como as utilizadas em países alpinos para proteger as pistas de esqui durante o verão. Anunciada pelo presidente Nicolás Maduro, a medida visa “salvar as geleiras de Mérida”.A operação, que envolveu 35 rolos de manto, cada um com 2,75 metros de largura por 80 metros de comprimento, levados para o pico em helicópteros militares, é considerada inútil, visto que restam apenas 2 hectares dos 450 que ligavam Humboldt ao pico Bonpland.

Qual o resultado do plano da Venezuela para salvar sua geleira?

Além de não salvar a geleira, as mantas podem poluir o parque.Além de não salvar a geleira, as mantas podem poluir o parque.Fonte:  Getty Images 

O mirabolante plano de salvação, não conseguiu evitar o desastre ambiental e provocou protestos entre os cientistas e conservacionistas. “Estão ‘protegendo’ uma geleira que não existe mais”, diz Centeno. “É uma coisa ilusória, uma alucinação, é completamente absurdo”, conclui. Considerada imprudente, a iniciativa tem potencial para contaminar todo o ecossistema do parque, à medida que o tecido “protetor” se decompõe em microplásticos com o tempo. “Esses microplásticos são praticamente invisíveis, vão para o solo e de lá vão para as plantações, para as lagoas, para o ar, então as pessoas vão acabar comendo e respirando isso”, alerta Centeno. Mantenha-se atualizado sobre os impactos das mudanças climáticas em nosso planeta, aqui no TecMundo e descubra como o derretimento do gelo polar está mudando duração do ano na Terra.

tecmundo

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