Política de preços da estatal, que segue a paridade internacional na cotação do petróleo, foi motivo de encenação de Bolsonaro, que prometeu reduzir preço dos combustíveis e demitiu o atual presidente, Roberto Castello Branco

Política de preços da estatal, que segue a paridade internacional na cotação do petróleo, foi motivo de encenação de Bolsonaro, que prometeu reduzir preço dos combustíveis e demitiu o atual presidente, Roberto Castello Branco


O concurso público da Polícia Civil do Rio Grande do Norte (Concurso PC RN 2020/2021) teve provas suspensas, conforme decisão divulgada pela corporação na noite da última segunda-feira (22). Os exames estavam previstos para serem aplicados nos dias 7 e 14 de março.
A decisão, tomada por unanimidade, tem justificativa no aumento de casos da Covid-19 no estado.
“A Polícia Civil do Rio Grande do Norte informa que, após reunião extraordinária realizada nesta segunda-feira (22), a Comissão Especial do Concurso Público da Polícia Civil decidiu por unanimidade pelo adiamento das provas, aprazadas para os dias 07 e 14 de março, em face do agravamento dos indicadores da pandemia, conforme dados estatísticos e análise por parte do Comitê de Especialistas da Secretaria Estadual de Saúde Pública. A Comissão continuará vigilante e atenta à mudança dos fatos ensejadores da decisão atual, para que, tão logo a situação da pandemia seja estabilizada no estado, o processo seletivo tenha prosseguimento, o qual é do total interesse da Polícia Civil”, diz o comunicado.
O certame registrou um total de 61.042 inscritos.
| Delegado | Salário inicial de R$16.670,59 | Salário final de R$25.632,97 |
| Agente | Salário inicial de R$4.731,91 | Salário final de R$10.468,63 |
| Escrivão | Salário inicial de R$4.731,91 | Salário final de R$10.468,63 |

O fechamento de mais de 360 agências do Banco do Brasil no país e o programa de demissão de 5.000 funcionários, medidas anunciadas em janeiro pela direção do banco, irão, caso sejam levadas adiante, causar forte impacto nos municípios, especialmente aqueles mais pobres, com menor assistência bancária e necessidade de acesso a pequenos créditos.“Essas medidas vão enfraquecer ainda mais a atuação do Banco do Brasil, especialmente nas pequenas cidades, onde são mais necessárias as ações sociais, de fomento ao desenvolvimento e combate às desigualdades”, diz o presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão (SEEB-MA), Eloy Natan. O município de Governador Archer, localizado a 310 km da capital São Luís é um exemplo do caos que poderá ser provocado com o fechamento de agências em pequenas cidades do país. A população se uniu ao sindicato em defesa da manutenção da única agência da cidade, que sequer vai receber posto de atendimento. Para ter acesso aos serviços bancários, será necessário percorrer quase 40 quilômetros até o município mais próximo.

População de Governador Archer, no Maranhão, coleta assinaturas contra fechamento de única agência do município / SEEB-MA
Os próprios moradores abraçaram a causa, em reconhecimento aos impactos que irão sofrer e coletaram mais de 1.600 assinaturas, entregues ao sindicato. É o que explica a pequena comerciante Saldanha Maria Monteiro, moradora de Governador Archer e cliente do banco há mais de 22 anos. “Alguns comerciantes irão fechar, porque não haverá circulação de dinheiro na nossa cidade, irá causar prejuízos a pessoas idosas e deficientes que precisarão se deslocar até outras cidades para realizar um saque. Eu sou cliente há mais de 22 anos e é uma agência que sempre trabalhou corretamente. Não há necessidade para o fechamento de uma agência que ajuda as pessoas da sua cidade e que gera economia para a nossa cidade”, defende Monteiro. Para atuar junto à população, ao sindicato e demais entidades, foi criada também a “Frente Parlamentar Contra o Fechamento das Agências Bancárias no Maranhão”, de autoria do deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), com o apoio de outros 23 deputados estaduais. O deputado explica que com a falta de acesso às ferramentas digitais, além de prejudicar a população, o deslocamento a outros municípios vai impactar diretamente a economia da região. “Quando a pessoa vai fazer uma atividade de movimentação financeira em outra cidade, automaticamente ela já tende a consumir lá, dificultando o comércio na outra região. É algo que prejudica diretamente toda a população, para além dos servidores”, afirma o parlamentar.

Caso de Justiça
A intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Petrobrás, com a exigência de troca no comando da petroleira e reclamações sobre a alta no preço dos combustíveis, provocou forte turbulência no mercado financeiro e acabou respingando nas demais estatais. O risco de um intervencionismo maior e adoção de medidas populistas fizeram as ações das três principais estatais do País (Petrobrás, Banco do Brasil e Eletrobrás) perderem R$ 113,2 bilhões em dois dias – o que equivale a quase o valor de um BTG Pactual, segundo dados da consultoria Economática.

Maju ficou no comando do Fantástico para cobrir as férias de Poliana Abritta no Fantástico. Após o último domingo, ela informou que iria retornar ao Jornal Hoje e voltou como titular na última quarta.Em seu comando estava César Tralli, seu agora substituto oficial do jornal da tarde. Ao se despedir do Fantástico, Maju deu show de simpatia e agradeceu a equipe que amparou ela no programa. Apesar de não ser a titular da atração, ela garante sempre ser bem tratada no programa noturno.

Passada as eleições para as presidências da Câmara e do Senado e o feriado de Carnaval, a reforma administrativa, proposta que mexe nas regras do funcionalismo público, tende a tramitar com mais velocidade. Pegando rebote na agenda econômica, parlamentares já constroem um consenso sobre a necessidade de mudanças no funcionalismo público, Um dos líderes desse processo é o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG), presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa. Ele tem conversado com parlamentares, sindicalistas e com integrantes do governo para fazer avançar a proposta. A PEC nº 32, de 2020, chamada de reforma administrativa, mexe na forma de contratação, na remuneração e no desligamento de pessoal. Um dos pontos mais polêmicos é o fim da estabilidade. O Brasil tem cerca de 12 milhões de funcionários públicos nos níveis federal, estaduais e municipais. Somente a União, por exemplo, tem 600 mil empregados ativos. Caso sejam aprovadas, as mudanças deverão ter efeito escalonado. Em entrevista ao Metrópoles, Mitraud afirma que não encaixa a reforma como uma medida econômica, mas sim, uma reforma de estado.
“A estrutura não oferece um serviço de qualidade. É neste ponto que estados trabalhando. Vamos criar um consenso sobre as mudanças. Estou conversando com as lideranças [sindicais], com as lideranças do Congresso e espero que a reforma comece a tramitar”, destaca.
O parlamentar afirma que “agora é a hora” da PEC deslanchar na Câmara, com a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).“Será um debate tranquilo. Os sindicatos estão se armando para o debate. Cabe a nós [deputados], legitimar os ajustes necessários”, explica.
Uma parcela do sindicalismo afirma que falta interlocução com o Congresso, governo federal e lideranças parlamentares que estão tocando a tramitação da PEC. “Nunca deixei de receber ninguém. Nunca conversei tanto com sindicalista”, garante Mitraud, afirmando que tem dialogado com todas as pessoas envolvidas no processo. O deputado afirma que o grande debate ocorrerá durante as audiências públicas. “No início da tramitação, os representantes farão a defesa do que é determinante. Isso ocorre nas audiências públicas. Todos serão ouvidos”, salienta o líder da frente. Apesar do otimismo, Mitraud sabe que a reforma enfrenta diversas resistências no Congresso. “Isso ocorre desde o início. Desde 2019 existe um viés e precisamos fazer a sensibilização para a mudança”, conclui.
A corrida global por componentes eletrônicos, cuja escassez vem parando fábricas em todo o mundo, chegou à indústria brasileira provocando desde atrasos de produção a paralisações completas de linhas. Na indústria de automóveis, a Honda já havia parado na semana anterior ao carnaval a fábrica de Sumaré (SP) e voltará a interromper a produção nos dez primeiros dias de março. A montadora ficou sem circuitos eletrônicos para produzir o compacto Fit e os sedãs Civic e City. Como a eletrônica é necessária em quase todas as partes de um veículo, dos painéis de instrumentos e dispositivos de mídia aos sistemas de frenagem, itens como sensores, microprocessadores e semicondutores são hoje essenciais ao setor.
Nas fábricas de eletrônicos, como notebooks, TVs e celulares, os componentes eletrônicos importados da Ásia entraram em janeiro no rol de insumos com maior dificuldade de abastecimento. Na lista, ficam atrás apenas de papelão, materiais plásticos e cobre, segundo sondagem feita com associados pela Abinee, entidade que representa o setor. De acordo com Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), embora não exista registro até agora de interrupção de atividades, parte das empresas do polo de Manaus, onde está concentrada a produção nacional de eletroeletrônicos, motos e bicicletas, vem relatando falta de peças.Os fornecedores de chips, em sua maioria asiáticos, não estão dando conta da dupla demanda: a da indústria em geral e a das fábricas de eletrônicos, que viram a demanda por seus equipamentos em meio à pandemia de covid-19.Todos os maiores grupos automotivos do mundo – como General Motors, Stellantis (dona da Fiat, da Chrysler e da Peugeot), Ford, Volkswagen e Renault – já anunciaram ajustes de produção ou fechamento temporário de fábricas nos Estados Unidos, no México e na Europa por falta de peças. No Brasil, não será surpresa se a decisão da Honda fizer um movimento parecido. Além dos componentes eletrônicos, o setor tenta contornar a insuficiência de insumos como aço, peças plásticas e pneus – que ainda deve durar mais seis meses.

O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, foi um dos assuntos mais comentados do país, após uma entrevista sem maquiagem, esta semana, em que defendeu uma intervenção militar no país, “fuzilamento de detentos” e “limpar mendigos” das cidades. O que o apresentador não falou foi sobre sua dívida de R$ 79,3 milhõescom o fisco. O calote na União tem origem em três empresas:Agropastoril Café no Bule Ltda (R$ 77,9 milhões); Agropecuária ACB Ltda(R$ 706,6 mil); e Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda (R$ 663 mil). As duas primeiras empresas com sede no Paraná e a última, no Rio Grande do Sul. Na Massa & Massa Comunicação e Marcas Ltda, o apresentador é sócio com Solange Martinez Massa, sua esposa. Nas outras duas, além da esposa, Ratinho divide o quadro societário e a dívida com os filhos Gabriel Martinez Massa, Rafael Martinez Massa e Carlos Roberto Massa Junior, o Ratinho Jr, governador do Paraná. Os dados estão disponíveis no banco de dados de dívidas ativas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), vinculada ao Ministério da Economia. A consulta pode ser feita por qualquer cidadão através do aplicativo “Dívida Aberta”, lançado pela pasta.
“Intervenção militar”
“Além de ser imbecil o mesmo é bajulador e diabólico. Ele se lembra do AI 5 que tantas pessoas sofreram inúmeras tonturas.” O rato cuidado no gato. Os débitos quando vai liquidar já que vc tem condições de pagar?

Diogo Mac Cord, secretário especial de desestatização do Ministério da Economia: contagem regressiva para privatização dos Correios (Leandro Fonseca/Exame)
Nas próximas semanas, o projeto de lei que abre caminho para a privatização dos Correios deverá ser enviado ao Congresso. Ao mesmo tempo, a capitalização da Eletrobras, uma das estrelas do programa de desestatizações do governo, deverá sair do papel, seja por meio da edição de uma medida provisória ou da votação do projeto de lei sobre a privatização da empresa, diz Diogo Mac Cord, secretário especial de desestatização do Ministério da Economia, em entrevista exclusiva à EXAME. Com a capitalização, a capacidade de investimento da Eletrobras deve passar de 3,5 bilhões reais para 12,5 bilhões de reais por ano, acompanhada pela valorização das ações da companhia. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista. O cronograma de privatizações previsto para este ano inclui estatais como a Eletrobras. Essa privatização sai mesmo? Qual é a sua avaliação sobre uma eventual resistência de deputados que têm base eleitoral no Norte e Nordeste, regiões em que a estatal é uma grande empregadora? Até dezembro deste ano, a Eletrobras será privatizada. É necessário lembrar que a aprovação do projeto de lei referente à privatização depende de maioria simples no Congresso. Além disso, o modelo de desestatização prevê o direcionamento de cerca de 10 bilhões de reais oriundos da concessão de outorgas para programas de políticas públicas no Norte e Nordeste, como a revitalização do Vale do Rio São Francisco, o que deve colaborar para o desenvolvimento local. É uma pauta bastante positiva.
Em meio à decadência moral da Lava-Jato –a “maior operação anticorrupção do mundo” que virou o maior escândalo judicial da história–, e enquanto Jair Bolsonaro destrói o país e causa a morte de milhares de pessoas por conta da má gestão da pandemia e do seu negacionismo, o que faz o Ministério Público Federal?Continua a perseguir o ex-ministro José Dirceu, fora do poder há quase 16 anos.
José Dirceu deixou o governo Lula no longínquo ano de 2005, no dia 16 de junho, durante o escândalo do “mensalão”, e foi cassado do mandato de deputado federal em dezembro daquele ano. Detalhe: o petista, de 75 anos, foi condenado a 40 anos de prisão, já passou 3 anos e meio preso em regime fechado, 4 meses e meio no semiaberto, dormindo na prisão, 10 meses no aberto e 1 ano usando tornozeleira eletrônica.
Enquanto o lavajatismo continua a perseguir Dirceu, uma pesquisa revelada em janeiro sustenta que Bolsonaro não só foi inepto em relação ao vírus como pode ter agido de forma sistemática para propagá-lo. E o MPF? Nada
Nesta quarta-feira, o MPF anunciou que Dirceu, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e mais 13 pessoas foram denunciadas por crimes que variam de formação de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, crimes praticados em licitações e contratos na área de “serviços compartilhados”, de responsabilidade da Diretoria de Serviços da Petrobras. O texto com o anúncio é uma espécie de “não deixar a peteca cair” da Lava-Jato: em vez de assumir que a operação simplesmente acabou, o MP diz que ela foi “incorporada ao Gaeco (Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado). O ex-ministro publicou um texto, Os estertores da chamada Lava-Jato, protestando contra a nova denúncia. “Saltam à vista a pressa e o momento –e de novo o caráter político e de propaganda– do pedido extemporâneo dos procuradores”, escreveu Dirceu. “Já é hora de dar um basta naqueles que, acima da Lei e da Constituição, usaram e abusaram da luta contra a corrupção com fins e objetivos políticos e pessoais –por vaidade, busca do poder, exibicionismo e ascensão social, como hoje está escancarado nas trocas de mensagens entre os procuradores e o ex-juiz Sérgio Moro.”

A instituição financeira foi condenada pela juíza do 5º Juizado Especial Cível de Brasília, Rita de Cássia de Cerqueira Lima Rocha, por danos morais por conta da cobrança abusiva. O caso ainda cabe recurso por parte do banco. Além dos telefonemas, o banco ainda teria enviado mensagens pelo aplicativo WhatsApp pessoal e de conhecidos. Foram registrados 60 telefonemas em apenas um dia.De acordo com a juíza em sua sentença, “a realização de diversas ligações ao celular do Autor, ainda que referente a débito existente e reconhecido, configura abuso, nos termos do artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor, ultrapassando o exercício regular de direito e os meros dissabores do cotidiano, pois atenta contra a paz do consumidor”. Além da indenização por danos morais, o Banco Pan foi condenado ao pagamento de multa de R$ 9.600 pelo descumprimento da decisão liminar, e determinou o prazo de dois dias para que a instituição financeira interrompa qualquer contato telefônico e de mensagens com a cliente.

Leilão: apesar de ser uma boa oportunidade, interessado deve ler o edital com atenção (Mailson Pignata/EyeEm/Getty Images for National Geographic Magazine)
O Santander é o que tem a maior quantidade de lotes ofertados, com 146 unidades em 16 estados diferentes. Entre os destaques está uma casa de 157 metros quadrados e garagem, localizada na cidade de Porto Alegre (RS), com lance inicial de 255 mil reaus, valor 38% abaixo da avaliação. No Rio de Janeiro, há um apartamento de 63 metros quadrados em Engenho de Dentro, com o valor primário de 160 mil reais, preço 36% menor que a avaliação. Já em Salvador, tem um apartamento de três quartos (72 metros quadrados) com lance inicial de 202 mil reais, 43% abaixo do valor de avaliação. O leilão do Inter tem 10 lotes no estado de São Paulo, com destaques para uma casa de 360 metros quadrados e garagem em Santana de Parnaíba, pelo valor inicial de R$ 1,8 milhão e valor 50%. Abaixo da Avaliação no encerramento de 2ª praça, e um prédio comercial na capital paulista, com 995 metros quadrados com lance inicial de R$ 3,4 milhões (41% abaixo do valor de avaliação).
exame.
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| No livro Nove lições da Escola de Frankfurt, Michel Zaidan analisa marcas deixadas pelos estudos sociais e filosóficos no mundo contemporâneo (Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press) |
Para refletir sobre as marcas deixadas pelos estudos sociais e filosóficos no mundo contemporâneo, o professor e escritor pernambucano Michel Zaidan Filho lança Nove lições da Escola de Frankfurt, abordando as três gerações que guiam o Instituto para Pesquisa Social. A publicação, editada pela Editora Colaborativa, é fruto de uma série de palestras sobre a Escola de Frankfurt oferecidas na pós-graduação de direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e conta com contribuições do autor e o link das aulas gravadas em vídeo. O lançamento será nesta sexta-feira, às 17h, através das redes sociais do Núcleo de Estudos Eleitorais Partidários e da Democracia (NEEPD). O evento conta com a participação do professor e filósofo Marcos André de Barros, da UFRPE. Os exemplares custam R$ 30. Criado no contexto pós-Revolução Russa, em 1924, a partir das ideias de Karl Marx, o Instituto para Pesquisas Sociais, popularmente chamado de Escola de Frankfurt, buscava compreender o movimento russo e as suas consequências em níveis globais, observando a forma como se dava o crescimento do capitalismo, exaltando a arte e a cultura nas relações sociais, a rejeição das ideias tradicionais e buscando a emancipação do indivíduo. As nove lições destacadas no livro de Zaidan permeiam as três fases da Escola de Frankfurt, desde os principais fundadores, como Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse e Walter Benjamin, até o atual diretor, Axel Honneth, passando pela figura exponencial de Jurgen Habermas e pelos atuais movimentos identitários (grupos sociais, feministas, LGBT+), que atuam na luta pelo reconhecimento.
A ideia de escrever o livro surgiu da vontade de esclarecer a relação de Marx e o materialismo histórico com as teses elaboradas pela Escola de Frankfurt. “Eu contribuí com críticas e comentários sobre o tema. E também para refletir sobre o momento que estamos atravessando agora no mundo: barbárie e destruição da sociedade, que são reflexões que têm muito a ver com a Escola de Frankfurt, crítica da cultura, da razão…”, explica Zaidan. O livro seria lançado no fim do ano passado, mas foi adiado. “Já há uma expectativa pelo livro, há um público preparado para o lançamento. Muitas pessoas estão interessadas na questão de Frankfurt.” O escritor evidencia ainda um paralelo entre a pandemia e o capitalismo. “O próprio capitalismo é visto como uma pandemia, é possível visualizar a doença por uma perspectiva social, é uma questão de saúde coletiva, tudo tem a ver com forma de gerir a sociedade e provocar a desestruturação de grupos sociais. Para além da doença e tão sério quanto, é que estamos caminhando para uma sociedade auto-segregacionária”, constata Zaidan. A reflexão remete às análises de Freud, segundo o autor. “Freud falava sobre o mal estar da civilização ainda no século 20, sobre a renúncia que fazemos para viver em sociedade em detrimento do bem-estar e o desequilíbrio que gera. Vivemos um um mal-estar civilizatório.”

Por 4 votos a 1, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a liminar que permite à defesa do ex-presidente Lula (PT) o acesso irrestrito aos diálogos na última terça-feira (9). Os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Nunes Marques e Cármen Lúcia negaram um recurso apresentado por sete procuradores da República contra o compartilhamento das mensagens da chamada “Vaza Jato”. A avaliação é de que eles não teriam legitimidade para apresentar o recurso e contestar o compartilhamento das mensagens, o que caberia à Procuradoria-Geral da República (PGR). Edson Fachin foi o único ministro a discordar da decisão, em um dia marcado por duras críticas aos métodos da Lava Jato.
“Um braço da Stasi brasileira”
O voto de Gilmar Mendes foi o mais contundente. O ministro aproveitou a ocasião para criticar, mais uma vez, os métodos da operação, sob coordenação do ex-juiz Sergio Moro.
A Receita Federal (RF), usada pela “República de Curitiba” para perseguir alvos, se tornou “um braço da Stasi brasileira”, disse Gilmar, em referência à polícia secreta da República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, no período da Cortina de Ferro. Segundo o ministro, o material tem potencial de comprometer até a integridade da PGR. “Se esses diálogos não existiram, os hackers de Araraquara são uns notáveis ficcionistas”, ironizou. “Ou nós estamos diante de uma obra ficcional fantástica que merece o Prêmio Nobel de Literatura, ou estamos diante do maior escândalo judicial da história da humanidade”, completou.
“Este modelo de estado totalitário que se desenhou teve a complacência da mídia”, completou o ministro. “Quero que fique muito claro o que estamos discutindo e o que ocorreu no Brasil. Porque agora já não é mais apenas o julgamento de um caso [o de Lula]. Vamos ser julgados nisso aqui é pela História. Se formos cúmplices deste tipo de situação, nós montamos um modelo totalitário”, disse. Gilmar afirmou ainda que o “legado jurídico da ‘República de Curitiba’ envergonha os sistemas totalitários”, os quais, de acordo com ele, “não tiveram tanta criatividade”.
Novas mensagens
Ao terem o sigilo quebrado na semana passada por Lewandowski, as mensagens acabaram por confirmar a parcialidade e a relação ilegal entre o ex-juiz e os procuradores, fato que já havia sido demonstrado em uma série de reportagens do portal The Intercept Brasil. A defesa de Lula pretende utilizar o conteúdo para anular as condenações em segunda instância nos casos conhecidos como “tríplex” e “sítio de Atibaia”. Assim como a ministra Cármen Lúcia, Gilmar dirigiu palavras duras à subprocuradora Claudia Lima Marques, que defendeu os procuradores da Lava Jato. “É o futuro da procuradoria que está em jogo, a serem verdade essas mensagens”, disse o ministro, que acusou os métodos da força-tarefa de se assemelharem à tortura.
Repercussão internacional
No mesmo dia, o jornal The New York Times, um dos mais lidos do planeta, afirmou que o caos político, social e sanitário que o Brasil vive na atualidade teve participação direta da Lava Jato. Vendida como a maior operação anticorrupção do mundo, ela se tornou o maior escândalo judicial da história do Brasil, segundo artigo assinado por Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da Universidade Sciences Po (Instituto de Estudos Políticos), na França.
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, conduziu nesta segunda-feira (1º/2) a sessão solene de Abertura do Ano Judiciário de 2021, que foi realizada em formato híbrido, ou seja, virtual e presencialmente, na sede da Corte.
O presidente do STF lamentou comentários de autoridades e integrantes do Judiciário que, de acordo com o magistrado, minimizam os impactos do vírus no país. A declaração foi dada ao lado do presidente Jair Bolsonaro, em rara aparição usando máscara. “Fiquei estarrecido com manifestações de integrantes do Judiciário, minimizando as dores das vítimas. Abusam da liberdade de expressão para propagar o ódio, desprezam as vitimas e, através do negacionismo, o problema grave em que vivemos”, pontuou. Embora sem citar o nome da magistrada, a crítica de Fux tinha ao menos um endereço concreto: a juíza Ludmila Lins Grilo, da Vara Criminal e da Infância e da Juventude de Unaí (MG).Durante o feriado de Ano-Novo, a juíza fez uma série de publicações em seu perfil no Twitter, que reúne mais de 136 mil seguidores, com críticas e piadas envolvendo as medidas de segurança adotadas pelo poder público para conter a propagação do coronavírus nas festas de fim de ano. Por causa da pandemia de coronavírus, apenas as autoridades da Mesa de Honra e ministros do STF foram autorizados a participar do evento no plenário.

A 180ª Assembleia Geral Extraordinária da Eletrobras, marcada para esta quinta-feira (28), pode significar um passo decisivo para a privatização da empresa. Na ocasião, acionistas votarão uma proposta de mudança de estatuto que, segundo entidades de trabalhadores do setor elétrico, abre um atalho para a desestatização sem o aval do Congresso Nacional. A Eletrobras é uma empresa de economia mista, com controle acionário do governo federal. A tentativa de privatização começou ainda durante o governo Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018. Com Jair Bolsonaro (sem partido), tornou-se uma das peças-chave do programa de desestatizações capitaneado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Se aprovadas pelos acionistas, as mudanças no estatuto social desobrigam a estatal a manter o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), maior centro de pesquisas de energia elétrica da América Latina, e programas de universalização do acesso à energia, como o Luz Para Todos, e de eficiência energética, como o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel).
Não há nenhuma menção à universalização e ao Cepel no novo estatuto, que “trata a empresa como se já fosse privada”, segundo carta-manifesto assinada em 18 de janeiro pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Energia do Rio de janeiro e Região (Sintergia), pela Associação dos Empregados do Cepel (ASEC) e pelo Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ), com apoio da Associação dos Empregados da Eletrobras (AEEL).O desmonte da Eletrobras precede a entrega à iniciativa privada e vem ocorrendo a passos largos em 2020. No primeiro semestre, estão previstas 300 demissões no sistema elétrico brasileiro. A maioria delas ocorre na Eletronorte, que já desligou 213 trabalhadores entre 1º e 19 de janeiro. No último dia 22, o Coletivo Nacional dos Eletricitários (CNE) também se posicionou sobre o novo estatuto, por meio de carta aos parlamentares brasileiros, para tentar barrar a mudança. O texto ressalta, especificamente, a importância do Cepel e da pesquisa científica no setor para evitar apagões e aprimorar o sistema. A carta ressalta que a mudança do estatuto violaria até o projeto de lei da privatização da Eletrobras de 2019, que prevê a manutenção do Cepel por quatro anos após a desestatização. O Cepel é uma associação civil sem fins lucrativos financiada pela Eletrobras para investir em pesquisa e desenvolvimento em energia elétrica. O texto do novo estatuto estabelece que, se o governo determinar investimentos nessas áreas, a empresa deverá ser ressarcida pela União.
A convocação da assembleia para mudança do estatuto foi feita em 18 de dezembro pelo então presidente do Conselho de Administração da Eletrobras, José Guimarães Monforte, que entregou o cargo três dias depois por “motivos pessoais”. Movimento idêntico foi realizado pelo então presidente da estatal, Wilson Ferreira Junior, na última segunda-feira (25). As renúncias vêm sendo interpretadas como reflexo da dificuldade de encaminhar a privatização com a agilidade esperada pela equipe econômica. O novo presidente do Conselho, Ruy Flaks Schneider, assim como seu antecessor, foi nomeado pelo governo e é favorável à venda da estatal. Ferreira Junior continuará à frente da empresa até o dia 5 de março. O sucessor ainda não foi definido. Nos bastidores, especula-se que um dos motivos da renúncia dele foi a confirmação do apoio de Bolsonaro a Rodrigo Pacheco (DEM-MG) como candidato a presidente do Senado. Pacheco não considera a privatização da Eletrobras uma prioridade.
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Milhões de brasileiros tiveram dados expostos na internet. Foi o maior vazamento da história no Brasil. O Jornal Nacional ouviu especialistas sobre os riscos que isso representa para os cidadãos.
São dois vazamentos. Um envolvendo 223 milhões de CPFs, com dados de pessoas que até já morreram. Foram expostas as identidades, data de nascimento, também informações de 104 milhões de veículos e de 40 milhões de empresas – com CNPJ, razão social, nome fantasia e data de fundação.
Um outro vazamento, bem mais amplo, revelou informações detalhadas de 140 milhões de pessoas, como telefone, formação acadêmica, salário, endereços, se a pessoa mudou de cidade e até fotos.
Thassius Veloso, colunista da GloboNews em tecnologia, alerta que os dados foram expostos em sites de troca de informação e que podem ter sido vendidos e usados para fins criminosos. “Os primeiros a participarem desse esquema colocam na internet; alguns outros hackers começam a comprar e aplicar os seus golpes; e, nessa hora, vira meio que um efeito dominó, porque uma vez que caiu na rede, é muito difícil de conseguir recuperar esses arquivos”, explica Thassius Veloso, colunista da GloboNews em tecnologia.
Esses são os maiores vazamentos de dados de todos os tempos no Brasil, segundo especialistas. As informações ficaram expostas durante meses ou anos e não é possível saber quantas vezes foram compartilhadas e vendidas.

Na esteira da polêmica do leite condensado, item de supermercado tão consumido pelos brasileiros e que se tornou estrela da recente controvérsia envolvendo gastos do governo federal, surge um produto de prateleira exposto na gôndola da comunicação: o jornalismo de dados. Artesanal, custoso e por vezes sofisticado, entrou, recentemente, no cardápio das redações brasileiras.
O levantamento de dados pode ser um dos mecanismos mais eficientes para ajudar as pessoas a compreenderem contextos, interpretarem circunstâncias, compararem realidades. Quando bem utilizada, essa ferramenta é poderosa, porque parte de fatos incontestes: os números. E costumamos aprender nas primeiras séries escolares que não há o que tergiversar quando a conta é matemática. O clássico dois mais dois somam quatro.A matéria foi produzida pelo núcleo de dados do Metrópoles: uma editoria que poucos veículos de comunicação mantêm sistematicamente em suas estruturas, porque é cara, trabalhosa e difícil de reunir gente especializada.
A base da reportagem que pautou as redes sociais nas últimas 72 horas são os números. Não quaisquer números. Mas os oficiais, disponíveis no Portal de Compras, que fica abrigado na página do Ministério da Economia.
O volume de informações de uma burocracia do tamanho do governo federal é gigantesco. Há uma infinidade de consultas e de recortes possíveis. E, por isso mesmo, o próprio sistema oficial oferece uma série de filtros e caminhos que qualquer cidadão pode percorrer até encontrar os números.
Com experiência em jornalismo de dados, a perspicaz e competente repórter Rafaela Lima garimpou as informações que viraram base para a matéria sobre o carrinho de compras do governo federal. A jornalista tem como rotina esse tipo de pesquisa. Dedica-se sistematicamente a buscar dados em plataformas oficiais. Já produziu, ao lado de seus colegas de editoria, centenas de matérias a partir dessas planilhas. Muito bem, o que se viu nos últimos dias é democrático. Cada um lê o que quer, interpreta como quer e faz uso como achar mais conveniente. O que não significa que seja honesto. A matéria do Metrópoles contém dados inquestionáveis. Todos devidamente comprovados com prints do próprio sistema do governo. A reportagem explica didaticamente que os valores achados referem-se a todos os gastos pagos pelo governo federal com alimentação nos anos de 2019 e de 2020.
Disputa ideológica
A informação da saída de Faustão da Globo logo foi confirmada por outros colunistas especializados em televisão, como Patrícia Kogut, também de O Globo. Segundo Kogut, além de Faustão, o diretor artístico do “Domingão”, Jayme Praça, se desligará da emissora já no próximo dia 1º de fevereiro. Para o lugar de Jayme, a Globo deve apostar em Cris Gomes, atual diretor geral do programa. A Globo ainda não decidiu se irá colocar outro apresentador no programa, no lugar de Faustão, ou reformular a grade. Atualmente, o programa vai ao ar das 18h às 20h, sucedendo as transmissões do futebol e antecedendo o “Fantástico”. Com 70 anos, Faustão chegou à TV Globo em março de 1989. O apresentador fez muito sucesso com o “Perdidos na Noite”, na TV Gazeta, Record e Band. Quadros como “Olimpíada do Faustão”, “Arquivo Confidencial”, “Se Vira nos 30” foram grandes atrações do dominicial, que atualmente exibe formatos como “Dança dos Famosos” e “Ding Dong”.
exame

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou ao Brasil de Fato que uma nova greve dos condutores — similar à de 2018 — é possível nas próximas semanas. A articulação é para que a paralisação ocorra em 1º de fevereiro, como vem sendo noticiado pela imprensa desde o início do ano.
“Estou levantando para ver a adesão. Clima tem, a categoria está no limite e teremos mais um aumento de combustível agora”, explicou Chorão.
Segundo a liderança, a categoria está insatisfeita com o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). “Estamos sangrando. Agora, está pior que em 2018, a categoria está na UTI”, alerta Chorão. Para ele, o presidente traiu a categoria. “Eu sou uma pessoa que vestiu a camisa dele [Bolsonaro], apoiei ele e fiz campanha para ele. Hoje, eu não faria”, afirma Chorão. “Se ele tiver um pouco de respeito por uma categoria que trabalhou de graça para ele, do Oiapoque ao Chuí, colocando adesivo em toda traseira de caminhão, vai nos receber”, conclui. A greve dos caminhoneiros de 2018 parou o país. Durante dez dias, a categoria travou as principais rodovias brasileiras e interrompeu o fluxo de mercadorias no território nacional. A paralisação enfraqueceu o governo do presidente Michel Temer (DEM) e deu fôlego à campanha do então candidato Jair Bolsonaro, que teve o apoio dos condutores. A medida derradeira para a insatisfação é o Projeto de Lei 4199/2020, chamado de BR do Mar, que favorecerá o transporte de carga por navios, e que foi elaborado pelo Ministério da Infraestrutura. A matéria foi aprovada na Câmara dos Deputados e está na agenda do Senado para ser votada em 2021. “Esse projeto favorecerá os grandes empresários e acabará com a categoria, não tem como o transportador autônomo sobreviver”, alerta Chorão, que se recusa a dialogar com o Ministério da Infraestrutura. “Eu não converso mais com o ministro Tarcísio [Gomes Freitas], já conversei muito com ele. Eu só converso com o presidente Bolsonaro agora. Foram desleais com a categoria. Eu sempre venho falando o seguinte: ‘Presidente Jair Bolsonaro, ouça a categoria, nós somos o Brasil’”, encerrou.
Isenção para importação de pneus
O governo esperava que a isenção para importação de pneus, publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira (21), fosse bem recebida pela categoria. “Que transportador autônomo compra pneu lá fora? Isso é para favorecer os amigos dele, como o dono da Havan. Isso não cola”, respondeu Chorão.
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A dívida das empresas com as carteiras de debêntures dos Fundos de Investimentos das regiões Norte e Nordeste é de R$ 27,3 bilhões. Desse total, R$ 27,2 bilhões são dívidas do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e R$ 5,7 milhões do Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam). A inadimplência alcança 99%. As informações estão na Nota Econômica, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que contém o diagnóstico da situação e destaca a importância da renegociação das dívidas para corrigir distorções criadas por sucessivas mudanças nos contratos de investimentos e permitir o equilíbrio das contas das empresas que tomaram os recursos. Há, atualmente, quase 900 empresas que receberam benefícios dos fundos de investimentos regionais e têm dívidas vencidas na carteira de debêntures. Por isso, a CNI adverte que, mantidas as condições dos contratos assinados nas escrituras de emissão dos títulos, as empresas não terão condições de pagar as dívidas. Isso trará prejuízos para todos os envolvidos: os fundos de investimentos, os bancos operadores, as empresas e o governo federal. Na avaliação da CNI, a renegociação pode ser feita dentro das condições previstas no Projeto de Lei 5992/2016, do deputado Jorge Côrte Real (PTB/PE). O texto, em tramitação na Câmara, prevê, entre outras condições, a redução de 40% do valor devido para as empresas que pagarem a dívida à vista e desconto de 25% da dívida para pagamento parcelado em até 10 anos.
Além disso, estabelece a conversão do saldo devedor em ações preferenciais nominativas e o resgate das debêntures não conversíveis mediante uma nova emissão de debêntures conversíveis em ações preferenciais. “O projeto de lei corrige as distorções provocadas pela mudança das regras no meio do jogo”, avalia o empresário Nilo Simões. “A renegociação das dívidas permitirá o pagamento dos débitos e a consequente recomposição dos fundos, abrindo o caminho para novos empréstimos e a ampliação dos investimentos. “Todos esses fatores permitiriam um avanço das atividades produtivas nas regiões favorecidas, mitigando, assim, os desequilíbrios regionais”, diz a Nota Econômica. De acordo com a CNI, o Norte e o Nordeste necessitam de políticas especiais de atração de investimentos para se desenvolverem em função dos gargalos de infraestrutura e logística, entre outras limitações. Ademais, as rendas per capita de ambas as regiões seguem abaixo da média nacional.
DESEQUILÍBRIO FINANCEIRO

A filha biológica da deputada federal Flordelis (PSB-RJ), Simone dos Santos Rodrigues, revelou nesta sexta-feira (22) ter dado dinheiro para que sua irmã Marzy Teixeira, matasse o pastor Anderson do Carmo em junho de 2019. Ela admitiu ter colaborado no assassinato de seu padrasto durante o interrogatório dos acusados depois do recesso do Judiciário. O valor pago a Marzy seria de R$ 5 mil. Simone disse que sofria muitas investidas sexuais de Anderson quando ela foi diagnosticada com câncer, em 2012. “Ele sempre demonstrou (interesse), mas começou a dar a entender em 2012, quando ele começou a pagar meu tratamento. Ele falava para eu olhar para ele com carinho. Disse que se eu não andasse na cartilha dele, ele não pagaria meu tratamento”, contou a filha da parlamentar em depoimento. Simone revelou ainda que chegou a flagrar Anderson se masturbando no pé de sua cama. Ela relatou também que o pastor subia ao seu quarto “de manhã e de noite” e disse que sentia medo de ser violentada. “Não havia um plano (do assassinato). Só estava desesperada. Todos os dias, ele subia no meu quarto de manhã e à noite. Mas eu nem acreditava que ela (Marzy) teria coragem de fazer isso de fato. Entreguei a ela o dinheiro e depois não soube de mais nada”, revelou ela. Interrogada se Flordelis sabia da intenção de matar Anderson, Simone afirmou que a deputada não sabia de nada, nem mesmo das investidas do pastor. Ela negou que estivesse em casa na noite do crime e negou participação nas tentativas de homicídio.
Celulares jogados no mar

As críticas ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia ganharam novos contornos nesta terça-feira (19), em Brasília. Os líderes da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e da bancada do PSB na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (RJ), iniciaram uma coleta de assinaturas para apresentar pedido de instauração da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do coronavírus. O objetivo é apurar a postura da gestão no enfrentamento da covid-19, que já matou mais de 210 mil brasileiros e infectou um contingente de 8,5 milhões de pessoas. A argumentação dos parlamentares pela abertura das investigações recai especialmente sobre a crise de falta de oxigênio hospitalar em unidades de saúde. Na semana passada, dezenas de pacientes morreram por conta da carência do produto em Manaus (AM). Nesta quarta (19), outra notícia chocou o país: sete pessoas de uma mesma família faleceram em uma unidade básica de saúde na zona rural do município de Faro, interior do Pará, também por falta de cilindros de oxigênio. No domingo (17), em documentos oficiais encaminhados pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o governo admitiu que teve conhecimento do desabastecimento de oxigênio na capital amazonense em 8 de janeiro, mais de uma semana antes das mortes registradas na cidade por falta de estoque do produto.

Esta semana, os trabalhadores do setor bancário e automobilístico foram atingidos por mais notícias bombásticas, resultado da política de gafanhotos do governo Bolsonaro, capitaneada pela política demolidora de Paulo Guedes. A missão de Guedes é servir ao grande capital e para isso não importa o quanto destrua a economia brasileira e sua capacidade de recuperação.
Na segunda, o ministro da depressão econômica anunciou o fechamento de 361 agências, postos e escritórios do Banco do Brasil, com a eliminação de 5 mil postos de trabalho. A Caixa Econômica Federal, que ontem completou 160 anos e é o único banco inteiramente público do país, também está na mira da privatização. Também na última segunda (11/01), com Bolsonaro afirmando que o “país está quebrado”, a Ford, uma indústria centenária no Brasil, fechou suas plantas e anunciou que pararia de produzir no país. Só de empregos indiretos que eram gerados cadeia produtiva da Ford, o saldo do fechamento de suas últimas 3 plantas no Brasil resultará em mais de 50 mil desempregados que se somarão aos índices recordes de desemprego no Brasil.
Ford do Brasil não resistiu a Bolsonaro
A Ford foi a primeira fabricante de automóveis a chegar no Brasil, em 1919. A diretoria da Ford Motor Company aprovou a criação da filial brasileira no dia 24 de abril, com o capital inicial de US$ 25.000. Em 1º de maio de 1919, a empresa iniciou a montagem do Modelo T em um galpão na Rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, com peças importadas. A Ford sobreviveu um século no Brasil, mas não resistiu aos gafanhotos Guedes e Bolsonaro que, como Midas ao contrário, destroem tudo o que tocam. Na última terça-feira (12/01), o canal da Fórum entrevistou o Secretário Geral da Industriall, Valter Sanches e o Secretário Geral da CUT- SP, João Cayres, ambos metalúrgicos, sobre este quadro de desalento gerado pela política ultraneoliberal do inepto Paulo Guedes, assista:
Ontem (12/01), as Confederações dos Metalúrgicos da CUT e Força Sindical, juntamente com a Industriall do Brasil soltaram uma nota corrosiva onde apontam Bolsonaro e a política destruidora de Guedes como responsáveis pela desindustrialização, desinvestimento, depressão econômica, desemprego e falta de qualquer perspectiva futura para o país. Para nós trabalhadores o que nos resta é nos organizar, sobreviver, resistir e lutar para reconstruir o Brasil.
BRASIL SEM RUMO, SEM INDÚSTRIA, SEM EMPREGO, SEM GOVERNO, SEM FUTURO
O anuncio de fechamento de todas as fábricas da Ford no Brasil (a planta de SBC já havia sido fechada, em 2019) confirma as piores previsões e avisos do movimento sindical sobre os rumos da economia nacional. Novamente de forma unilateral, a Ford informa que irá encerrar suas atividades no país, com o fechamento das plantas de Camaçari-BA, Taubaté-SP e Horizonte-CE. A ação da empresa global é consequência da completa ausência de um projeto de retomada da economia brasileira, que contemple a reindustrialização do país. O governo despreparado e inepto de Bolsonaro e Guedes finge ignorar a importância da indústria como motor do desenvolvimento nacional, não apresenta qualquer estratégia para a atuação da indústria no Brasil e condena o país a uma rota de desindustrialização e desinvestimento, como vínhamos alertando há tempos. Não só alertamos como fizemos propostas, como o Inovar-Auto. É incontestável a desconfiança interna e internacional e o descrédito quanto aos rumos da economia brasileira com este governo que aí está; não se toma uma decisão empresarial como essa sem considerar a total incapacidade do governo Bolsonaro. No momento em que a indústria automobilística global passa por uma das mais intensas ondas de transformação, orientada pela eletrificação e pela conectividade, assistimos à criminosa omissão, e até boicote do subserviente governo brasileiro à indústria, com consequências nefastas para a classe trabalhadora, ante um presidente incapaz de conduzir qualquer diálogo sobre a inserção do país no cenário que se configura rapidamente. A Ford “foge” do Brasil deixando um rastro de desemprego e desamparo, após ter se valido durante muitos anos de benefícios e isenções tributárias dos regimes automotivos vigentes desde 2001, e que definiram a instalação da empresa em Camaçari, bem como a permanência das suas atividades no Ceará. A decisão da empresa significa cerca de 50 mil empregos na cadeia produtiva em torno das três plantas desativadas, mas a ausência de compromisso e respeito aos trabalhadores e à sociedade por parte da Ford não é surpresa. A tragédia é ainda evidentemente maior considerando o conjunto de plantas fechadas, ou com anúncio de fechamento desde 2019, e o impacto sobre os diferentes setores da indústria brasileira, que rebaixam nossa posição econômica no cenário global de forma acelerada e dramática. O desgoverno afunda ainda mais nossa população no roteiro de precarização, desemprego, desalento e pobreza. O desastre na condução da economia se casa e se completa, tragicamente, com a crise sanitária.
Reverter esse descaminho é mais do que urgente. É nossa luta.
Toda solidariedade aos trabalhadores/as e famílias afetados.
Estamos juntos nessa luta!!!!!!!!
Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da INDUSTRIALL Brasil
Paulo Cayres, presidente da CNM-CUT Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT
Miguel Torres, presidente da CNTM-Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical Força
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