Em meio à decadência moral da Lava-Jato –a “maior operação anticorrupção do mundo” que virou o maior escândalo judicial da história–, e enquanto Jair Bolsonaro destrói o país e causa a morte de milhares de pessoas por conta da má gestão da pandemia e do seu negacionismo, o que faz o Ministério Público Federal?Continua a perseguir o ex-ministro José Dirceu, fora do poder há quase 16 anos.
José Dirceu deixou o governo Lula no longínquo ano de 2005, no dia 16 de junho, durante o escândalo do “mensalão”, e foi cassado do mandato de deputado federal em dezembro daquele ano. Detalhe: o petista, de 75 anos, foi condenado a 40 anos de prisão, já passou 3 anos e meio preso em regime fechado, 4 meses e meio no semiaberto, dormindo na prisão, 10 meses no aberto e 1 ano usando tornozeleira eletrônica.
Enquanto o lavajatismo continua a perseguir Dirceu, uma pesquisa revelada em janeiro sustenta que Bolsonaro não só foi inepto em relação ao vírus como pode ter agido de forma sistemática para propagá-lo. E o MPF? Nada
Nesta quarta-feira, o MPF anunciou que Dirceu, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e mais 13 pessoas foram denunciadas por crimes que variam de formação de cartel, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude à licitação, crimes praticados em licitações e contratos na área de “serviços compartilhados”, de responsabilidade da Diretoria de Serviços da Petrobras. O texto com o anúncio é uma espécie de “não deixar a peteca cair” da Lava-Jato: em vez de assumir que a operação simplesmente acabou, o MP diz que ela foi “incorporada ao Gaeco (Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado). O ex-ministro publicou um texto, Os estertores da chamada Lava-Jato, protestando contra a nova denúncia. “Saltam à vista a pressa e o momento –e de novo o caráter político e de propaganda– do pedido extemporâneo dos procuradores”, escreveu Dirceu. “Já é hora de dar um basta naqueles que, acima da Lei e da Constituição, usaram e abusaram da luta contra a corrupção com fins e objetivos políticos e pessoais –por vaidade, busca do poder, exibicionismo e ascensão social, como hoje está escancarado nas trocas de mensagens entre os procuradores e o ex-juiz Sérgio Moro.”

























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