
Homenageado na USP nesta sexta-feira (1/10), o ministro do STF Dias Toffoli fez uma defesa enfática do trabalho que o colega Alexandre de Moraes tem desempenhado na Corte. Moraes é o relator dos inquéritos que investigam redes estruturadas para disseminar fake news e a organização de atos antidemocráticos.“O ministro Alexandre faz um trabalho de extrema coragem, de extrema dificuldade, e tem atuado na defesa do Estado democrático de Direito de maneira destemida”, disse Toffoli, que é um dos poucos interlocutores que o presidente Jair Bolsonaro mantém no STF. Bolsonaro implodiu as pontes que restavam com a Corte ao atacar Moraes durante os atos do dia 7 de setembro. Dias depois, o presidente recuou das declarações e conversou com Moraes por intermédio do ex-presidente Michel Temer, mas o relacionamento com o STF permaneceu deteriorado. O discurso de Toffoli ocorreu após o ministro receber a medalha Armando de Salles Oliveira, principal condecoração da USP. Ele declarou que “não é fácil enfrentar a tempestade orquestrada de desinformação. Mas é essencial que as instituições democráticas o façam”. Toffoli foi o responsável por abrir os inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos e por designar Moraes como relator de ambos. “Por isso, a atuação firme do STF diante das notícias fraudulentas e das orquestrações antidemocráticas é hoje plenamente compreendida pela ampla maioria da população brasileira”, afirmou. O ministro disse que há “exemplos dramáticos dos efeitos danosos da desinformação e das campanhas de ódio” nos fenômenos totalitários do século XX, o que inclui genocídios “respaldados por multidões fanatizadas”. Segundo ele, “o terraplanismo é o exemplo mais folclórico dessa tendência, e a resistência a vacinas, incluída a vacina contra a Covid-19, o exemplo mais absurdo”.
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