“A questão é de onde vai vir o recurso. O dinheiro do SUS não brota, a gente tem um orçamento de R$ 143 bilhões, e quando qualquer programa novo entra alguma coisa tem que sair”, disse o secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara

247 – O secretário de Atenção Primária à Saúde, Raphael Câmara, disse que o governo tem “interesse total” em apoiar a distribuição de absorventes para mulheres carentes, mas que não sabe de onde virão os recursos necessários para isso. “É óbvio que o interesse é total, inclusive eu sou ginecologista, eu sei que isso é um problema grande. A questão é de onde vai vir o recurso. O dinheiro do SUS não brota, a gente tem um orçamento de R$ 143 bilhões, e quando qualquer programa novo entra alguma coisa tem que sair”, disse Câmara ao site Metrópoles. O projeto, que havia sido aprovado pelo Congresso, foi vetado por Jair Bolsonaro no último dia 7. “Então, a gente tem uma questão de prioridade, prioridade é o quê? É o que mata, é o que adoece”, destacou o auxiliar do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. De acordo com o relatório Livre para Menstruar, do movimento Girl Up – uma iniciativa global da Organização das Nações Unidas que busca promover a igualdade de gênero – em parceria com a empresa Herself, uma em cada quatro mulheres brasileiras não conseguem comprar absorventes íntimos.
Câmara, porém tentou desqualificar o estudo que aponta a chamada pobreza menstrual no Brasil. “Não sei se repararam que é uma pesquisa feita por indústria de absorventes. Então, assim, é um conflito de interesse tão grande, um viés tão grande”, disse.
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