29 de junho de 2026 19:48

Na CPI, reverendo chora e se arrepende: “Tenho culpa, sim”. Veja vídeo

Reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da Pandemia

Reverendo Amilton Gomes de Paula na CPI da PandemiaFoto: Foto: Pedro França/Agência Senado

E-mails obtidos pela CNN indicam que o reverendo Amilton Gomes de Paula e integrantes da entidade dirigida por ele tentaram vender vacinas a diversos municípios brasileiros. Em depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira (3), o líder religioso negou que tenha tratado com prefeitos e com municípios.

E-mail do reverendo Amilton
E-mail do reverendo Amilton
Foto: Reprodução

No dia 25 de fevereiro, o reverendo enviou e-mail à secretaria-executiva da Associação dos Municípios do Acre (Amac), que representa as 22 cidades do estado. Nele, Amilton dizia que estava encaminhando uma “carta de informações” sobre vacinas da Astrazeneca, cuja venda seria feita “com viés humanitário”. A mensagem foi enviada do endereço presidencia@portalsenah.org e é assinada pelo próprio Amilton Gomes de Paula.As conversas seguiram. No mês seguinte, já no dia 26 de março, a Amac enviou então uma carta de intenção, dizendo-se interessada na compra de vacinas da Janssen. A mensagem foi enviada por e-mail para Renato Gabbi, integrante da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), instituição dirigida por Amilton. Gabbi remeteu o pedido ao representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho. No mesmo dia, Carvalho respondeu dizendo que não teria mais a disponibilidade da vacina da Janssen e que a companhia poderia fornecer doses da Astrazeneca. No fim, o negócio não se concretizou. À CPI, Amilton Gomes de Paula sustentou não ter conhecimento de tratativas com prefeituras. “Senador, eu desconheço, assim, essa amplitude aonde nós chegamos com governadores, com prefeitos ou prefeituras. Eu desconheço. Eu não conversei com nenhum governador, eu não conversei com nenhum prefeito, eu não conversei com nenhum município”, disse em resposta ao relator, Renan Calheiros. O reverendo não mencionou a abordagem feita por ele à instituição que representa 22 municípios do Acre e que representantes da Senah estavam tentando intermediar o negócio. Segundo Cristiano Carvalho, que já depôs à CPI, essa não foi a única tentativa com prefeituras. Ele afirma que os contatos com municípios eram todos feitos pela Senah, que então avisava à Davati sobre as possibilidades de negócio. “O reverendo soltou uma mala direta para prefeituras do Brasil inteiro em nome da Davati e começaram a chegar pedidos de consórcios e associações. Tudo através dele. Eu, Dominghetti, a própria Davati nós nunca tivemos esse tipo de acesso. Ele está se eximindo da responsabilidade”, diz Carvalho. Após a CNN revelar os e-mails, o reverendo mudou o conteúdo do depoimento prestado à CPI da Pandemia. Ele disse aos senadores que teve conhecimento, sim, da proposta enviada às cidades e afirmou que a iniciativa partiu de um diretor de sua entidade. Em nota enviada para a CNN, a Davati afirma que tem conhecimento da proposta: “Davati Medical Supply informa que Cristiano Carvalho agiu de forma independente fazendo ofertas como a da Associação de Municípios do Acre (AMAC). No dia 30 de março, ao verificar grande quantidade de cartas de interesse recebidas, o CEO da empresa, Herman Cardenas, respondeu ao representante autônomo que não poderia manter oferta a diferentes municípios pois ainda aguardava retorno da proposta apresentada ao Ministério da Saúde”, fiz a empresa.

Veja o momento em que o reverendo pede perdão e chora:

Depoente na CPI da Covid do Senado, o reverendo também é apontado como intermediário das tratativas entre o Ministério da Saúde e a Davati Medical Supply, que ofertou doses de vacinas ao governo federal. Ele foi provocado por senadores de oposição e da base aliada ao governo federal.Amilton chorou ao responder o senador Marcos Rogério (DEM-RO) sobre o envolvimento da Senah nas negociações.

“Eu queria trazer vacina para o Brasil. Tenho culpa, sim. Peço desculpa ao Brasil, o que eu cometi não agradou aos olhos de Deus. Peço perdão aos senadores”, disse, emocionado

Contradições

A oitiva do reverendo foi marcada por contradições. O depoente não soube explicar, por exemplo, as inúmeras diferenças entre os valores ofertados – ora pela Senah, ora pela Davati. Segundo o religioso, a primeira proposta da empresa norte-americana era de US$ 3,50 e, posteriormente, passou para US$ 17,50. Por fim, a companhia teria ofertado as doses de vacina por US$ 11 cada. O vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues, no entanto, mostrou documento oficial da Davati, datado de 5 de março deste ano, no qual o preço estabelecido por imunizante seria de US$ 10. Em carta enviada nove dias depois, o reverendo dizia ao então secretário-executivo do Ministério da Saúde Élcio Franco que as vacinas custariam US$ 11 por dose. A diferença de US$ 1 por unidade é justamente o mesmo valor da suposta propina que teria sido cobrada por Roberto Ferreira Dias nas tratativas entre a Senah, a Davati e o Ministério da Saúde.

cnnbrasil

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