11 de dezembro de 2025 08:22

Dado Dolabella toma atitude drástica contra Wanessa Camargo após assumir novo namoro

 O ator Dado Dolabella tomou uma atitude drástica contra a cantora Wanessa Camargo nesta semana. Como nada passa despercebido, internautas notaram que o famoso cortou relações com a ex-namorada nas redes sociais.

Os fãs perceberam que Dolabella deixou de seguir a filha do sertanejo Zezé Di Camargo no Instagram. Além disso, ele também apagou as fotos com ela após assumir seu novo relacionamento. Dado fez a fila andar após o término e está namorando a Miss Gramado 2025, Marcela Tomaszewski. Inclusive, o novo casal estão curtindo os dias de sol na Chapada dos Veadeiros, na cidade de Alto Paraíso de Goiás, no mesmo local onde ele reatou com Wanessa, em 2022.

Wanessa se pronuncia após polêmica
No último mês, Wanessa Camargo se manifestou sobre a “briga” de Luan Pereira, seu colega da Dança dos Famosos, e Dado. “Uma das coisas mais difíceis pra quem vive uma carreira pública é o que estou prestes a fazer, que é vir aqui dar esclarecimentos ou satisfações sobre a vida privada que deveria caber só a gente, mas muitas vezes isso extrapola e, se a gente não vem [falar], a coisa fica pior”, começou a artista.

E completa: “Eu aprendi nesses quase 25 anos de vida pública que o silêncio é primordial… Mas eu também aprendi que o silêncio pode ser um incêndio”.

No vídeo, a famosa pontuou que sua intenção não é passar pano para o ex, mas sim explicar de fato o que aconteceu. “Deixando muito claro: eu não estou aqui defendendo ou passando pano para o passado de ninguém. Vim falar sobre o presente, do que acabei de viver”.

Wanessa confirmou que estava tentando reconciliar o relacionamento com o artista. “Sim, eu e Dado a gente estava tentando dar certo nesses últimos meses, mas deixamos tudo privado entre a gente. As pessoas em volta sabiam, mas outras não, porque a gente estava com muitas dúvidas, tentando fazer funcionar e, se desse certo, a gente viria a público. Estávamos juntos. Segundo ponto: não houve nenhum dedo encostado em mim. Em terceiro, envolveram outras pessoas nessa história, o que não acho nada legal. O Alan Sousa, que é também meu companheiro lá na Dança dos Famosos, e outros que me deram apoio, vendo que eu estava abalada, junto com minha produtora, me levaram até o hotel, dando suporte emocional. Foi apenas isso”, finalizou.

terra

Câmara aprova urgência de projeto que endurece pena por falsificação de bebida

  A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira, 2, um requerimento de urgência para um projeto que endurece a pena por falsificação de bebida. O texto do projeto classifica como crime hediondo a adição, em alimentos, de ingredientes que possam causar risco de vida ou grave ameaça à saúde dos cidadãos. Nas últimas semanas, operações policiais revelaram destilarias clandestinas e a circulação de produtos falsificados em bares, adegas e pontos de venda. Nesta quinta, a Polícia Federal (PF) realizou fiscalizações em indústrias de bebidas nas regiões de Sorocaba e Grande São Paulo, para apurar indícios de adulteração nos produtos. Desde agosto deste ano, já foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol que podem ter relação com o consumo de bebidas adulteradas em São Paulo. A principal hipótese é de que a contaminação esteja associada a destilados como gin, whisky e vodka vendidos em bares e adegas.

O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol pode causar intoxicação grave e até a morte.

Orientações
Diante do cenário, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), publicou uma nota técnica contendo orientações para enfrentar o problema. O documento detalha medidas de proteção à população e orienta os órgãos de defesa do consumidor sobre como agir diante da ameaça. A prioridade é reforçar a fiscalização e interromper a cadeia de distribuição desses produtos. O texto destaca o papel do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), especialmente os Procons estaduais e municipais, que devem intensificar a fiscalização e as ações educativas. A recomendação é iniciar as operações com foco em São Paulo e nos Estados vizinhos, mas sem descartar uma ampliação para outras regiões do país.

terra

Moraes determina investigação sobre ameaças a Dino e quebra de sigilo de perfis em redes sociais

  O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira a abertura de uma investigação sobre ataques em redes sociais ao ministro Flávio Dino, também do STF, e ao delegado da Polícia Federal (PF) Fábio Shor. Moraes ainda ordenou que as plataformas Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e YouTube forneçam informações cadastrais sobre essas contas. As ameaças foram feitas logo após o voto de Dino na ação penal que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outras sete pessoas por articularem um golpe de Estado em 2022. As publicações incluem referências à onda de protestos Nepal, que culminou na fuga do primeiro-ministro, na destruição dos prédios públicos e na morte de mais de 50 pessoas. O próprio Dino enviou à PF um ofício relatando as ameaças recebidas e pedindo a adoção de medidas. Na terça-feira, a corporação questionou Moraes se a investigação deveria ocorrer ligada ao inquérito das milícias digitais, que tramita desde 2021. Moraes concordou que há relação com o inquérito em andamento, investiga a atuação de uma “organização criminosa digital com núcleos de produção, publicação, financiamento e articulação política, com o objetivo de atentar contra a democracia e o Estado de Direito”. O ministro também atendeu um pedido da PF e determinou o envio de ofícios às empresas Meta Platforms, TikTok, X e YouTube, exigindo que, em até 48 horas, forneçam os dados cadastrais dos perfis envolvidos nas ameaças. Ao STF, a PF argumentou que os comportamentos investigados “têm o condão de causar temor real nas vítimas e, consequentemente, obstaculizar o desempenho independente e imparcial de suas funções enquanto agentes públicos”.

oglobo.globo

Clarissa Tércio e Júnior Tércio asseguram autonomia da gestante no SUS

A Assembleia Legislativa de Pernambuco promulgou e publicou, nesta quinta-feira (2), a Lei nº 18.908/2025, que garante à gestante o direito de escolher a via de parto no SUS em Pernambuco, assegura o acesso à analgesia (medicação ou anestesia para aliviar a dor do parto) e prevê a oferta de DIU no pós-parto. O texto tem a atual deputada federal Clarissa Tércio (PP) como uma das autoras e foi desarquivado por iniciativa do deputado estadual Pastor Júnior Tércio (PP), o que viabilizou a votação e a promulgação. Pela lei, a cesariana eletiva pode ser solicitada até a 37ª semana, após orientação sobre benefícios do parto normal e riscos de cesarianas sucessivas. A decisão deve constar no prontuário e requer, no mínimo, cinco consultas de pré-natal. Se a opção da paciente não for observada, o médico deve justificar por escrito.

“É uma conquista histórica para as mulheres de Pernambuco. Essa lei garante autonomia à gestante, que passa a ter o direito de escolher, com informação clara e acesso à analgesia, como será o seu parto. Também avançamos no fortalecimento do planejamento familiar, assegurando a oferta do DIU no pós-parto. A mulher agora é protagonista do seu parto e da sua saúde”, expressou a deputada Clarissa Tércio.

“A nova lei coloca a autonomia da gestante no centro do cuidado. No SUS em Pernambuco, a mulher passa a ter seu direito garantido de escolher a via de parto, com informação clara, decisão registrada e acesso à analgesia para aliviar a dor quando indicada. Também asseguramos a oferta de DIU no pós-parto, fortalecendo o planejamento familiar”, afirmou o deputado Pastor Júnior Tércio.

Quem optar por parto normal também tem a autonomia respeitada. A vontade da paciente só pode ser contrariada quando a segurança do parto ou a saúde da mãe ou do bebê assim exigirem. Em caso de discordância quanto à cesariana, o profissional pode alegar autonomia e encaminhar a paciente a outro médico. A norma garante que gestantes e parturientes possam optar por analgesias farmacológicas em qualquer tipo de parto, além de métodos não farmacológicos previstos pelo Ministério da Saúde. Quando a unidade não dispuser de profissional habilitado, a limitação deve ser informada. Havendo risco à vida ou à saúde da gestante ou do nascituro, o médico pode restringir o uso de analgesias, com justificativa escrita, CRM e assinatura. Também fica assegurado o acesso ao DIU no pós-parto no SUS, conforme regras federais vigentes.

A lei protege a gestante, a mulher em trabalho de parto e a mulher no pós-parto. Entra em vigor em 270 dias, com efeitos previstos para 28 de junho de 2026.

terra.

Nova Lei 15.163/2025 aumenta pena para abandono de pais e avós idosos.

    Abandono de pais e avós idosos pode levar a reclusão de 2 a 5 anos, multa e penas maiores em casos de lesão ou morte, diz Lei 15.163/2025. Com a sanção da nova Lei 15.163/2025, o abandono de pais e avós idosos passou a ser crime com pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de multa. Essa mudança representa um endurecimento significativo em relação à legislação anterior, que previa punições de 6 meses a 3 anos. A norma tem como objetivo combater a negligência familiar e institucional contra pessoas vulneráveis, como idosos e pessoas com deficiência.

Abandono de pais e avós idosos pode levar a reclusão de 2 a 5 anos.
A origem da lei está no Projeto de Lei 4626/2020, aprovado pelo Congresso Nacional. A nova legislação altera dispositivos do Código Penal, do Estatuto da Pessoa Idosa e do Estatuto da Pessoa com Deficiência, aumentando a gravidade das penas para abandono e maus-tratos.Além da punição padrão, a lei prevê agravantes que elevam ainda mais as penas. Caso o abandono cause lesão grave ao idoso, a reclusão pode variar de 3 a 7 anos. Se resultar em morte, a pena máxima pode alcançar 14 anos de prisão. A lei define abandono não apenas como o ato de deixar o idoso em situação de desamparo, mas também como a omissão no fornecimento dos cuidados essenciais, como alimentação, medicamentos, higiene e assistência necessária. Isso inclui negligência em lares, instituições de saúde e serviço de acolhimento. Quem pode ser responsabilizado são aqueles que têm dever legal de cuidado, incluindo filhos, netos, parentes que assumem a guarda, cuidadores profissionais e responsáveis por instituições. A lei busca responsabilizar não só o abandono direto, mas também a exposição a risco e a privação de cuidados. É importante destacar que casos de abandono necessitam ser analisados individualmente. Conflitos familiares e pequenas divergências no cuidado não configuram crime, mas a negligência que expõe o idoso a risco concreto sim. A avaliação é feita caso a caso pelas autoridades competentes. Denúncias de abandono podem ser feitas por meio do Disque 100, que funciona 24 horas de forma gratuita e permite relato anônimo. Em situações de risco imediato, recomenda-se acionar o número 190 para a Polícia Militar. Conselhos do Idoso e órgãos sociais também estão aptos a oferecer apoio e encaminhamento jurídico. Esta lei representa um avanço significativo no combate ao abandono de idosos no Brasil, enviando um sinal claro de que a negligência e maus-tratos contra pessoas vulneráveis terão punições duras e reforçadas.  A Lei 15.163/2025 também iguala as punições para maus-tratos e abandono, aumentando a severidade destas condutas criminosas e corrigindo lacunas históricas no sistema penal. Além de tipificar o crime mais rigorosamente, a norma busca proteger a dignidade e a saúde dos idosos, um grupo que cresce no país e que demanda políticas públicas e legislação eficaz para garantir seus direitos. O endurecimento das penas comprova o compromisso do Legislativo e do Executivo com a proteção dos direitos humanos e a valorização da família, responsabilizando quem negligencia o cuidado daqueles que dependem de atenção especial.

terra

Sudam, Sudeco e Sudene se unem para combater a pobreza

  As superintendências regionais de desenvolvimento Sudam, Sudeco e Sudene firmaram, nesta quarta-feira (1º), um Acordo de Cooperação Técnica para fortalecer o planejamento conjunto de ações estratégicas. Com a assinatura do termo, as autarquias do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) passam a contar com um Fórum Permanente de Articulação Interinstitucional, voltado à construção de agendas comuns para superar desigualdades nas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. A celebração do acordo reforça a governança federativa e contribui para a efetivação de políticas mais integradas, sustentáveis e inclusivas, respeitando as diferenças regionais.

O secretário de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Tavares, considera que a criação do fórum dinamiza o compartilhamento de soluções, principalmente com a previsão dos Fundos de Desenvolvimento Regional receberem aportes financeiros de organismos multilaterais a partir de 2026. “A ideia é criar um fluxo permanente de captações para os fundos. Isso fortalece as superintendências que foram, de certa forma, enfraquecidas nos últimos anos, mas que são fundamentais porque coordenam a elaboração dos planos de desenvolvimento regionais, e vão garantir que esse novo recurso tenha alinhamento com as diretrizes estabelecidas”, explica. Entre os objetivos previstos no plano de ação do fórum estão a estruturação de um programa para fomentar cadeias produtivas estratégicas nas três regiões, projetar e criar uma rede de compartilhamento colaborativa de dados e conteúdos temáticos, e implementar um projeto formal de intercâmbio de servidores e especialistas entre a Sudam, Sudeco e Sudene.

  O superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, destaca que a iniciativa reforça o papel das autarquias na defesa de políticas regionais. “Essa cooperação é importante para que tenhamos mais uma relação de debate das nossas necessidades quando nos dirigimos ao governo. Nos ajuda a reivindicar, mas também a defender a essência das superintendências, que é diminuir desigualdades regionais”, afirma.

  O acordo tem vigência inicial de 60 meses e poderá ser prorrogado. A expectativa é que o fórum permanente contribua para otimizar recursos, ampliar o impacto das políticas públicas e fortalecer a atuação das superintendências como protagonistas do desenvolvimento regional integrado e sustentável.

Brasil 61

Câmara aprova isenção de IR para salários até R$ 5 mil; veja o que muda

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) o Projeto de Lei 1.087/2025, que altera as regras do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A medida isenta contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, amplia descontos para salários de até R$ 7.350 e cria nova cobrança para rendimentos acima de R$ 600 mil anuais.

A proposta, encaminhada pelo Poder Executivo, recebeu 493 votos favoráveis e nenhum contrário no plenário. O texto segue agora para análise do Senado.

O que muda na prática

  • Isenção ampliada: atualmente, são isentos os trabalhadores que ganham até R$ 3.036 mensais. O novo projeto eleva esse limite para R$ 5 mil a partir de 2026.
  • Faixa intermediária: para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, o desconto será de R$ 978,62, reduzindo o valor devido.
  • 13º salário: o benefício também será aplicado ao pagamento de fim de ano, que possui tributação exclusiva na fonte.
  • Declaração anual: o desconto valerá tanto para quem optar pela declaração completa quanto pelo modelo simplificado, cujo abatimento foi reajustado de R$ 16.754,34 para R$ 17.640,00.

Segundo estimativas do governo, mais de 26,6 milhões de brasileiros serão beneficiados com a nova faixa de isenção.

Impacto fiscal e compensação

A medida representa uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 25,8 bilhões aos cofres públicos em 2026. Para equilibrar a arrecadação, o projeto cria uma nova taxação sobre os super-ricos:

  • Tributação extra: incidirá sobre rendimentos tributáveis acima de R$ 600 mil ao ano.
  • Alíquota progressiva: chegará a até 10% para contribuintes com ganhos acima de R$ 1,2 milhão anuais.
  • Quem será afetado: cerca de 140 mil pessoas (0,13% dos declarantes), que atualmente pagam, em média, apenas 2,5% de IR.

De acordo com o relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), a taxação das altas rendas deve gerar R$ 12,7 bilhões em recursos até 2027, valores que serão destinados a compensar parte da redução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), prevista na Reforma Tributária.

Lucros e dividendos

Outra mudança importante está na distribuição de lucros e dividendos:

  • Valores superiores a R$ 50 mil por mês repassados a uma mesma pessoa física ficarão sujeitos à retenção na fonte de 10%.
  • Estão isentos os resultados apurados até o ano-calendário de 2025, desde que aprovados para distribuição até 31 de dezembro de 2025.
  • Também foram excluídas da base de cálculo algumas receitas de cartórios repassadas ao Judiciário.

Próximos passos

O projeto aprovado determina ainda que o governo federal apresente, no prazo de um ano, uma política de atualização da tabela do Imposto de Renda, para evitar defasagens futuras.

Agora, o texto segue para o Senado Federal, onde precisa ser aprovado antes de ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Brasil 61

Os Principais Problemas Enfrentados Dentro da Igreja

   A igreja de Cristo é formada por pecadores que creram em Jesus como salvador pessoal e se arrependeram dos pecados. Entretanto, ainda enfrentam lutas contra a velha natureza pecaminosa. Por isso, uma das tarefas da igreja é lidar com desvios e cuidar para que o rebanho permaneça saudável e protegido de ataques internos e externos.

Assim, as Escrituras se encarregam de alertar os crentes dos perigos e pecados que os cercam. Esta coletânea de textos bíblicos, dividida em 23 problemas mais frequentes dentro da igreja, visa a apresentar o ensino bíblico sobre cada assunto. Os textos estão citados por extenso a fim de tornar a análise mais dinâmica por parte dos leitores.

Deve-se observar que os textos bíblicos apontam, dentro de cada problema específico, os males, seus riscos para a igreja, o modo de preveni-los e como tratá-los.

Que a Palavra de Deus seja sempre o que dirige e santifica a igreja verdadeira de Cristo!

  1. Abandono da Comunhão

A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam” (Lc 8.13). “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef 4.2,3).

“Foge, outrossim, das paixões da mocidade Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor” (2Tm 2.22).

“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb 10.25).

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7).

“Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1Jo 2.19).

  1. Abandono da Fé (Apostasia)

“A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, creem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam” (Lc 8.13).

“Assim digo para que ninguém vos engane com raciocínios falazes. Pois, embora ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito, estou convosco, alegrando-me e verificando a vossa boa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados, e edificados, e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl 2.4-7).

“Este é o dever de que te encarrego, ó filho Timóteo, segundo as profecias de que antecipadamente foste objeto combate, firmado nelas, o bom combate, mantendo fé e boa consciência, porquanto alguns, tendo rejeitado a boa consciência, vieram a naufragar na fé. E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1Tm 1.18-20).

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1Tm 4.1,2).

“Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns” (2Tm 2.17,18).

“Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia” (2Tm 4.10).

“Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão” (Hb 4.14).

“Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hb 10.23).

“Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do mundo mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior que o primeiro. Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal” (2Pe 2.20-22).

“Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho” (2Jo 9).

  1. Comunhão Intensa com Incrédulos

“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” (Sl 1.1).

“A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor” (1Co 7.39).

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles separai-vos, diz o Senhor não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2Co 6.14-18).

“Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4.4).

  1. Conflitos entre Irmãos

“Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado, pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de cada um de vós dizer: Eu sou de Paulo, e eu, de Apolo, e eu, de Cefas, e eu, de Cristo. Acaso, Cristo está dividido Foi Paulo crucificado em favor de vós ou fostes, porventura, batizados em nome de Paulo?” (1Co 1.11-13).

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Igreja x Secularismo

    A humanidade durante os séculos sofreu grandes transformações, que resultaram em mudanças expressivas na nossa sociedade. Foram evoluções, modernidade, liberalidade, alterações de hábitos, costumes e pensamentos, os quais marcaram períodos da história do mundo. Com efeito, o desenvolvimento foi aceito naturalmente, não houve nenhum questionamento e nem oposição a essas alterações. Logo, começamos a entender que sempre estamos prontos a receber, interagir a tudo que é de novo e adequar à proposta sugerida.

   Estamos em pleno século 21, o mundo vive numa expectativa de soluções dos problemas, ainda espera grandes fatos que conduzirão a harmonia, a paz e a perfeição nesta terra. Em virtude disso, na ótica que tem o mundo, faz acreditar em uma razão e conhecimento limitado do homem para alcançar tais conquistas. Do outro lado, uma perspectiva intuitiva para um destino melhor ou então um caos absoluto. O que vem acontecendo, podemos classificar como o fenômeno do Secularismo. Ou seja, o sistema de um tempo ou momento que influencia o pensamento, as atitudes e as vidas das pessoas.

   A igreja do Senhor Jesus Cristo se encontra inserida dentro deste contexto. É necessário haver uma preocupação com os rumos que a Igreja atual do Altíssimo pode tomar. Pois, o secularismo não deve exercer domínio sobre a vida do cristão. Então, o que devemos fazer? É sermos suprimidos e secularizar o corpo do Messias? Claro que não. Por quê? Devemos acatar firmemente a exortação do apóstolo Paulo que disse: E não conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”(Rms 12.2).

   Atualmente é notório que as pessoas estão à procura da autoajuda e suprir as necessidades físicas. O local que apresenta as respostas para tais demandas humanas fluirão multidões sedentas e desesperadas para alcançar o êxito esperado. Esses sintomas transformam a mensagem do reino de Deus conforme o homem queira e não o que o Criador propôs. A forma do secularismo tem entrado nas congregações, a fim de que satisfaçam a alma do ser humano. O conceito de alma na língua hebraica: [Nefesh] é a personalidade, a vida, o indivíduo, vontade, emoção, intelecto e sentimento. Verificamos que o ser humano passou para o centro da realização do culto divino, substituindo ao nosso Senhor Jesus. As músicas que são entoadas falam mais da condição do homem, dos seus problemas, dos seus sentimentos e das suas vontades. As pregações são direcionadas para o enriquecimento e motivação pessoal. Além disso, produz dentro do coração do indivíduo o desejo de vencer e ser melhor. Entretanto, quando não consegue, se sente frustrado e derrotado.

  É uma farsa, porquanto as escrituras não dão respaldo para sustentar tais dogmas. O Senhor Jesus nos ensinou: Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”(Mt 6.19-21). Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.”(I Co 3.11-15)

  Fica evidente que não podemos pautar a nossa existência nas riquezas e tampouco nas soluções dos nossos problemas. Se alguém vai para Igreja do Senhor Jesus somente para que receba bênçãos como: conseguir emprego, o familiar ser liberto do vício, curar a enfermidade, ganhar uma casa, carro, sarar a depressão, a angústia, o desespero, o fracasso, expulsar espíritos malignos, tentar destruir a inveja e etc. Não querendo compromisso real com Jesus Cristo, não compreendendo a grandiosidade do amor que foi doado e o relacionamento de aproximação. O ser humano estará sendo enganado e o seu fundamento não será Jesus. Pois, haverá um julgamento que é por fogo, o qual vai depurar e retirar toda impureza da Igreja dos Santos em Cristo como descrito acima. Todas as pessoas vão comparecer no tribunal do Senhor Jesus, assim será visto a intenção dos corações de cada um e serão retribuídos de acordo com as suas obras (II Co 5.10).

  Pelo fato, que a nossa prioridade é a riqueza no céu e também a nossa vida como discípulo de Cristo. Através da renúncia, da humildade, da bondade, do amor, da unidade entre a irmandade e da fé. De modo que o evangelho de Deus não poderá se tornar conforme os padrões neste século. Pois, conformar significa fazer como a forma. Portanto, o molde do mundo é terrível e abominável. A igreja quando se seculariza entra em um padrão humano, algumas características são notadas:

  • Individualismo a pessoa quer apenas para si mesmo, vai ali para uma competição que precisa vencer.
  • Egocentrismo estar naquele lugar com a intenção que seja um pequeno deus, todas as coisas precisa ser para ele (as).
  • Descompromisso – a sua vida não tem nenhuma ligação em realizar nada para satisfazer a Deus. A exigência feita dentro do templo acata apenas por interesse naquilo que quer receber do Eterno.
  • Padrão desordenado isto é: a postura, os hábitos, as ações são contrárias o exemplo e ensinamento do Senhor Jesus.
  • Hipocrisia – existe uma face dentro da congregação como santo participante, pois lá fora demonstra o seu verdadeiro rosto, um perdido pecador.
  • Religiosidade legalista – vive debaixo de um sistema opressivo, que submete aos ensinos humanos que não levam para o relacionamento com Deus. As características principais: o medo de ir para o inferno, o líder dominador, os ensinos que escravizam e criam sofrimentos e pesos sobre a pessoa.

  O padrão de Deus é diferente do qual queremos, a vontade divina é perfeita, precisamos experimentá-la. Não adianta pensar que o ser humano poderá questionar a soberania de Deus e mudar a forma para aproximar do céu. Então, grandes males acompanham a igreja desde a subida do Senhor Jesus para a destra de Deus (Mc 16.19) e seus apóstolos no primeiro século.

  O que devemos fazer diante dessa realidade que estamos vivendo? A resposta é voltarmos para as escrituras e retirarmos todas as coisas que vieram tirar a originalidade da nossa fé. Então, precisamos restaurar o propósito divino, olharmos para aquilo que foi deixado nas escrituras pelo Senhor Jesus e os apóstolos do primeiro século. A Bíblia nos ensina o seguinte: Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado aos Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”(Ef 2.19-22).

  A igreja apostólica é aquela que o Senhor Jesus deixou como exemplo, a qual evidenciava amor, unidade, poder, abdicação, ensino e fé. Não é uma igreja primitiva, mas o padrão que agrada a Deus, para a extensão do reino dos céus na terra. Logo, não será uma igreja em desenvolvimento, antiquada, apenas para uma época determinada. O preceito, o mandamento, a escritura são atemporal e acultural. Em outras palavras, não existe tempo e nem um sistema de um país que fala das suas tradições e raízes para levar a Cristo. O padrão é para agora, a cultura bíblica é para os tempos atuais. Se dissermos: a igreja do século 21 é a certa, portanto devemos concordar com as mudanças. Estaremos a tomar uma posição de criadores e ainda estaremos afrontando o Altíssimo. Verificamos uma Igreja descaracterizada no intento divino, o qual foi retirado o local para a glória de Deus habitar, satisfazer plenamente e governar absolutamente. Vivemos de deslumbres da manifestação de Deus e na falta da totalidade do seu poder na Igreja.

Vamos começar a orar e voltarmos aos olhos para as escrituras e ao padrão divino, lembrando-se das palavras do Eterno para Moisés: Os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte”(Hb 8.5). Isto é o padrão que foi mostrado para Moisés, da mesma forma foi revelado pelo Senhor Jesus aos seus apóstolos.

Pastor Roberto Soares

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O HOMEM: CORPO, ALMA E ESPÍRITO

CORPO, ALMA E ESPÍRITO
A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo

INTRODUÇÃO
O estudo deste trimestre vai muito além de uma simples análise da natureza humana, ele nos levará a entender nossa própria essência sob uma perspectiva divina é bíblica. Exploraremos a criação singular de Deus, que nos fez um ser tricotômico, ou seja, com corpo, alma e espírito.
A Antropologia Bíblica nos ajudará a compreender a distinção entre corpo, alma e espírito, a interação entre essas três dimensões e como esse equilíbrio é fundamental para uma vida cristã saudável. Nosso objetivo é alinhar nossa existência com o propósito original de Deus, conforme 1 Tessalonicenses 5.23, que nos chama a ser totalmente santificados e irrepreensíveis em nosso corpo, alma e espírito. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.


TEXTO ÁUREO
Que Deus, que nos dá a paz, faça com que vocês sejam completamente dedicados a ele. E que ele conserve o espírito, a alma e o corpo de vocês livres de toda mancha, para o dia em que vier o nosso Senhor Jesus Cristo. (1Ts 5.23 NTLH). O verbo “santificar” aqui aponta para o processo e também para a finalidade da obra divina. Não é apenas uma santificação posicional (já realizada em Cristo), mas progressiva e integral, abrangendo todas as áreas da vida. A expressão “em tudo” (holotelēs) sublinha a totalidade. O apóstolo enfatiza que Deus não trabalha em fragmentos da existência humana, mas na vida inteira do crente. Ele deseja que não apenas alguns aspectos (como a vida espiritual ou moral) sejam tocados, mas que cada esfera, pensamento, afetos, corpo, decisões, relacionamentos, seja transformada. Paulo intensifica a ênfase na totalidade, agora de modo tripartido. Ele usa todos os termos disponíveis para garantir que nenhuma parte do ser humano seja excluída da obra de Deus.
• Espírito (pneuma): A dimensão que nos conecta com Deus, nossa faculdade espiritual.
• Alma (psyche): O assento de nossa personalidade: mente, vontade e emoções.
• Corpo (soma): Nosso corpo terreno, o meio pelo qual interagimos com o mundo físico.
O termo “conservados” aponta para a ação protetora e sustentadora de Deus. O objetivo dessa preservação é escatológico. O crente será apresentado diante do tribunal de Cristo sem acusação, não porque não pecou, mas porque foi sustentado na graça e lavado no sangue de Cristo


VERDADE PRÁTICA
Deus nos fez → corpo | alma | espírito → para glorificá-lo → eternamente → com todo o nosso ser.
Criador criação integral finalidade tempo intensidade
1. De onde viemos? Viemos de Deus, nosso Criador, que nos formou de maneira intencional.
2. Quem somos? Somos uma criação integral, compostos por corpo, alma e espírito, refletindo a forma completa e intencional como Deus nos criou.
3. Por que estamos aqui? Estamos aqui com a finalidade principal de glorificar a Deus em tudo o que fazemos.
4. Para onde vamos? Vamos em direção à eternidade, com a vocação de viver em plena devoção e entrega ao nosso Criador.

1. A TRICOTOMIA HUMANA
1.1 Doutrina e teologia.
A LIÇÃO DIZ: A Doutrina do Homem está fundamentada em toda a Escritura, numa revelação suficiente para demonstrar quem é o homem, como foi criado e com que propósito (Gn 1.26-29; 2.15; SI 8.3-9; Ef 1.3-6). No campo da Teologia Sistemática, ela é conhecida como Antropologia Bíblica, que estuda o homem desde sua origem, constituição e existência, considerando o período anterior à Queda, o pecado original e suas consequências, o plano redentor e a eternidade. Em um tempo de tanta psicologização da fé e intensa busca de respostas para os problemas humanos em concepções não cristãs, um piedoso e profundo estudo das Escrituras é cada vez mais necessário e urgente, a fim de desfazer toda e qualquer dúvida existencial e gerar uma fé bíblica genuína, sadia e equilibrada (1 Co 2.1-16; 2 Tm 3.16,17; Hb 4.12). Neste subponto, o comentarista apresenta a perspectiva bíblica e teológica da “Doutrina do Homem”. Além disso, ele realça a importância de uma visão bíblica sobre o assunto devido ao contexto no qual vivemos.
1.1.1 A perspectiva bíblica e seus pontos fundamentais:
1.1.1.1 Origem e criação. A humanidade foi criada diretamente por Deus, não por evolução naturalista. Adão e Eva são considerados pessoas reais e históricas. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26).
1.1.1.2 Propósito. Deus criou o ser humano para amá-Lo, servi-Lo e representá-Lo na criação (Gn 1.26-28).
1.1.1.3 Constituição. O homem tornou-se “alma vivente” ao receber o sopro de Deus (Gn 2.7). O homem é uma unidade complexa formado de corpo, alma e espírito.
1.1.1.4 Estado original. Antes da Queda, o homem vivia em santidade e harmonia, sendo descrito como “muito bom” (Gn 1.31).
1.1.1.5 Pecado e consequências. A Queda trouxe corrupção e culpa à humanidade (Rm 5.12).
1.1.1.6 Redenção. A necessidade da obra de Cristo surge do pecado. A antropologia bíblica conecta-se à encarnação, expiação e regeneração, mostrando que a salvação é recebida pela fé.
1.1.1.7 Destino eterno. O plano redentor culmina na vida eterna prometida aos crentes.
1.1.2 Antropologia (Teologia). A Antropologia é a doutrina que se dedica ao estudo do homem. Ela busca responder a perguntas existenciais fundamentais como: “Que é o homem?”, “De onde veio?” e “Para onde vai?”
1.1.2.1 A antropologia humana, no sentido secular, procura compreender o ser humano a partir de pressupostos filosóficos, científicos e culturais, frequentemente sem referência a Deus. Ela se subdivide em várias correntes, cada qual destacando aspectos específicos da existência humana:
1.1.2.1.1 Antropologia naturalista ou científica. Associada ao materialismo e à teoria da evolução, sustenta que o homem é resultado de processos biológicos e seleção natural, sendo essencialmente um “animal racional”. Essa linha enfatiza causas físico-químicas e biológicas como explicação suficiente para a origem e o desenvolvimento humano.
1.1.2.1.2 Antropologia marxista. Parte da filosofia de Karl Marx entende o homem como ser histórico e social, moldado pelas condições materiais de produção. O homem não é definido pela consciência, mas pelo trabalho e pelas relações econômicas. Sua essência não é individual, mas coletiva, determinada pela luta de classes.
1.1.2.1.3 Antropologia existencialista. Representada por autores como Sartre e Heidegger, entende o homem como ser lançado no mundo, sem essência prévia, condenado à liberdade e responsável por dar sentido à própria existência. O foco recai sobre a angústia, a finitude e a busca por autenticidade.
1.1.2.1.4 Antropologia filosófica clássica. Presente em Sócrates, Platão e Aristóteles, busca compreender o homem em seus princípios últimos: razão, alma e finalidade. Platão via o homem como dualidade corpo-alma, Aristóteles como animal racional orientado para a felicidade (eudaimonia).
1.1.2.1.5 Antropologia cultural. Estuda o ser humano em sua dimensão simbólica, social e histórica. Entende que o homem só pode ser compreendido dentro de seu contexto cultural, em interação com normas, crenças, mitos e costumes de cada sociedade.
1.1.2.1.6 Antropologia psicológica. Enfatiza a subjetividade, a consciência e o inconsciente, destacando autores como Freud, Jung e Rogers. O homem é visto como um ser em constante conflito interno, marcado por desejos, traumas e buscas de realização pessoal.
1.1.2.1.7 Antropologia humanista. Própria do pensamento moderno e contemporâneo, coloca o homem no centro do universo, exaltando sua autonomia, liberdade e dignidade. Essa corrente, em muitos casos, substitui Deus pelo próprio ser humano como fundamento de sentido.
1.1.2.2 Antropologia bíblica. Fundamenta-se na Palavra de Deus, afirmando que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Essa visão rejeita a ideia de que o mundo e a humanidade surgiram por acaso.
1.1.3 Contexto atual e relevância. Vivemos dias em que muitas vozes tentam dizer o que é o ser humano. Uns afirmam que somos apenas fruto do acaso; outros reduzem nossa identidade a cultura, trabalho ou prazer; e ainda há quem defenda que cada pessoa invente seu próprio sentido de existir. Nesse emaranhado de ideias, cresce, de forma inevitável, a confusão sobre dignidade, liberdade, propósito e destino final. É justamente aqui que a antropologia bíblica se mostra essencial: ela afirma que o homem foi criado por Deus, à sua imagem, com valor, responsabilidade e esperança.
1.2 A tríplice natureza.
A LIÇÃO DIZ: A teologia utiliza o termo “tricotomia” para tratar da tríplice constituição do ser humano: o corpo, a alma e o espírito. Essas três substâncias, ou componentes do homem, são descritas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 4.9; SI 42.11; 139.16; Dn 7.15; Zc 12.1; Mt 10.28; Lc 1.46,47; 1 Co 14.14,15). Ao longo da história da teologia, a constituição do ser humano tem sido debatida a partir de três principais correntes: Unitarismo (ou Monismo), Dicotomismo e Tricotomismo. Cada uma delas procura responder como a Bíblia descreve a natureza do homem e suas dimensões constitutivas.
1.2.1 Unitarismo ou Monismo. O unitarismo entende que o homem é uma unidade indivisível, sem qualquer distinção entre corpo, alma ou espírito. Para os monistas, o ser humano é apenas um “todo orgânico”, de modo que, após a morte, não existe continuidade da alma ou do espírito. Essa visão é defendida por adventistas do sétimo dia e por correntes materialistas, sendo utilizada como base para negar a imortalidade da alma e a consciência após a morte. Contudo, essa posição carece de sustentação bíblica, pois ignora textos que distinguem claramente entre aspectos materiais e imateriais do homem (cf. Mt 10.28; Lc 16.22–23).
1.2.2 Dicotomismo. O dicotomismo sustenta que o ser humano é formado por duas partes: o corpo (material) e a alma ou espírito (imaterial). Essa corrente parte da observação de que, em algumas passagens bíblicas, os termos alma e espírito parecem ser usados de forma intercambiável (cf. Jo 12.27; Lc 1.46–47). Assim, dicotomistas entendem que ambos designam a mesma realidade interior do ser humano. Embora essa posição reconheça a dimensão imaterial do homem, ela tende a reduzir a riqueza da revelação bíblica ao não diferenciar devidamente as funções da alma (vontade, emoções, intelecto) e do espírito (consciência de Deus e capacidade de comunhão com Ele).
1.2.3 Tricotomismo. O tricotomismo, posição assumida historicamente pelas Assembleias de Deus e por muitos pais da Igreja, defende que o homem é constituído de três partes distintas: corpo, alma e espírito. Essa visão encontra respaldo direto em passagens como 1 Tessalonicenses 5.23 (“o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis”) e Hebreus 4.12 (que fala da “divisão da alma e do espírito”).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma:
Entendemos que o ser humano é constituído de três substâncias, uma física, corpo, e duas imateriais, alma e espírito. Exemplo dessa constituição nós temos no próprio Jesus. Essa doutrina é chamada tricotomia. Cristo é apresentado nas Escrituras com essas três características distintas e essenciais: “todo o vosso espirito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis […]” (1Ts 5.23); “[…] e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). Em 1 Coríntios 2.14-16; 3.1-4, o apóstolo Paulo mostra o homem “natural,״ termo que literalmente quer dizer “pertencente à alma,״ o homem carnal e o homem “espiritual.״ Por essas passagens do Novo Testamento, a natureza humana consiste numa parte externa, o corpo ou a carne, chamada “homem exterior” e uma parte interna, denominada “homem interior”, composta do espírito e da alma. (SOARES, 2017, p. 78).
1.3 Físico e espiritual.
A LIÇÃO DIZ: O processo formativo usado pelo Criador, que é Espírito (Jo 4.24), foi constituído de uma combinação única: o elemento físico (pó da terra) com o elemento espiritual (o sopro divino), tornando o homem um ser vivente diferente de todos os demais. Os anjos são seres espirituais, porém sem corpo material (SI 33.6; Hb 1.13,14). Os animais não possuem a parte imaterial que há no homem (alma e espírito). A “alma” do animal (sua vida) se restringe ao corpo e se esvai com ele (Lv 17.12-14). Já o termo hebraico para “vida”, em Gênesis 2.7, alusivo ao homem, é chayim (no plural), permitindo a expressão literal “fôlego das vidas”. Isso pode significar que, em um único substantivo, o texto sagrado esteja aludindo implicitamente à vida do espírito humano, da alma humana e do corpo humano. A Escritura apresenta a criação do homem como ato singular e culminante da obra criadora de Deus. Em Gênesis 2.7 lemos: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Este versículo mostra três movimentos distintos:
1.3.1 O corpo. Deus formou o homem do pó da terra. Diferente dos demais seres, que surgiram pela ordem criativa (“Haja…”), o homem foi moldado pelas mãos do Criador, indicando cuidado e propósito especial.
1.3.2 O espírito. Deus soprou nas narinas do homem o “fôlego de vidas” (neshamah chayim), que o animou. Esse sopro divino é o que o diferencia de todos os outros seres criados, pois conecta o homem ao próprio Criador.
1.3.3 A alma. o resultado dessa união entre corpo e espírito é a “alma vivente” (nephesh chayah). Ou seja, o homem é uma síntese única: corpo formado da terra, espírito soprado por Deus, tornando-se uma alma consciente, dotada de identidade, emoções e vontade. Assim, a Bíblia apresenta o homem como ser integral, mas com constituição tricotômica: corpo, alma e espírito, em harmonia. Os anjos, segundo a Escritura, são “espíritos ministradores” (Hb 1.14). Eles foram criados por Deus como seres espirituais, poderosos e inteligentes, mas sem corpo físico.
1.3.4 Não possuem a materialidade que caracteriza o ser humano.
1.3.5 Não experimentam as limitações ou necessidades ligadas ao corpo, como fome, dor ou morte.
1.3.6 Embora possam se manifestar em forma visível (Gn 18.2; Lc 24.4), essa não é sua constituição original. O homem, por sua vez, foi criado como ser espiritual-corpóreo: ele é espírito e alma, mas também corpo. Isso o torna único, pois vive na dimensão material e espiritual ao mesmo tempo. Por outro lado, os animais compartilham com o homem o fato de também serem chamados nephesh chayah (Gn 1.21, 24). Isso significa que têm vida, respiração e instinto. Porém, a diferença essencial está no fato de que os animais não receberam o sopro de Deus como o homem.
1.3.7 Os animais têm corpo e alma em sentido biológico (vida, instinto, emoções simples), mas não possuem espírito voltado para Deus.
1.3.8 Não têm consciência moral nem comunhão espiritual com o Criador.
1.3.9 Apenas o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26–27), o que o distingue radicalmente do reino animal.
Nota importante: O termo hebraico em Gênesis 2.7 é nishmat chayyim (“fôlego de vida”). A expressão chayyim está no plural, mas não indica “três vidas” literalmente. A ênfase recai em Deus como doador da vida. Nesse uso, o plural é morfológico, enquanto o sentido é semântico-coletivo, comunicando totalidade, intensidade ou plenitude da vida humana. Portanto, chayyim não descreve múltiplas vidas distintas, e sim a natureza integral do ser humano que recebe de Deus o sopro vital.

2. A DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO2.1 A alma.
A LIÇÃO DIZ: Do hebraico nephesh e do grego psyché, “alma” é uma das muitas palavras polissêmicas da Bíblia, possui vários significados. Aparece 755 vezes somente no Antigo Testamento. A questão da origem da alma é uma das mais debatidas na história da teologia cristã. Desde os primeiros séculos, diferentes correntes procuraram explicar em que momento e de que forma a alma passa a existir. Três principais teorias se destacam nesse debate: o preexistencialismo, o traducionismo e o criacionismo.
2.1.1 O preexistencialismo. O preexistencialismo ensina que as almas existem antes da concepção do corpo e permanecem em uma espécie de estado celeste até serem unidas ao corpo humano no momento do desenvolvimento embrionário. Essa teoria, embora conhecida desde a Antiguidade, não encontra apoio na tradição ortodoxa cristã. Orígenes, um dos pais da Igreja, defendeu uma forma de preexistência da alma, mas suas ideias foram posteriormente rejeitadas pelos concílios e pela teologia patrística posterior. Tanto católicos quanto protestantes rejeitam a doutrina por carecer de fundamento bíblico e por se aproximar de concepções de reencarnação, típicas de religiões orientais e esotéricas. Atualmente, essa posição é mantida em algumas religiões como o mormonismo, embora com formulações diferentes das tradições orientais. A ausência de apoio bíblico direto e os riscos de sincretismo tornam essa teoria insustentável dentro da fé cristã.
2.1.2 O traducionismo. O traducionismo ensina que tanto o corpo quanto a alma são transmitidos dos pais aos filhos, de modo que a alma é gerada junto com o corpo no ato da concepção. Essa visão tenta explicar a transmissão do pecado original, visto que, se a alma vem diretamente de Deus, como no criacionismo, pareceria problemático justificar a universalidade do pecado humano. Entre os defensores do traducionismo estão Martinho Lutero, William G. T. Shedd, Augustus Strong e Robert D. Culver. Essa teoria tem como mérito a tentativa de manter a unidade do ser humano e de explicar a corrupção herdada de Adão (cf. Rm 5.12). No entanto, muitos críticos observam que o traducionismo tende a materializar a alma e a reduzir a ação criadora de Deus no processo da geração humana.
2.1.3 O criacionismo. O criacionismo é a visão majoritária na tradição cristã e tem sido defendida tanto por católicos como por protestantes, sendo também a posição oficial das Assembleias de Deus. Essa doutrina sustenta que cada alma é criada imediatamente por Deus no momento da concepção, sendo então unida ao corpo em formação. O corpo, conforme Gênesis 2.7, é formado da terra, mas a alma é dádiva direta do Criador. Textos como Eclesiastes 12.7 (“o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”), Isaías 42.5 e Zacarias 12.1 confirmam que é Deus quem forma e concede a vida interior do homem. O criacionismo preserva a distinção entre corpo e alma, valoriza a dignidade da pessoa humana e sublinha a soberania de Deus na criação de cada vida. Ao mesmo tempo, reconhece a participação humana no processo da gestação (Sl 139.13–16), sem negar a intervenção criadora divina que concede a alma como princípio de vida e identidade.
Diante dessas três posições, o preexistencialismo deve ser rejeitado por sua incompatibilidade com a revelação bíblica. O traducionismo, embora tenha defensores notáveis, levanta dificuldades em relação à natureza imaterial da alma e à sua relação direta com Deus. O criacionismo, por sua vez, harmoniza melhor os dados bíblicos, afirmando que cada vida é um ato criador de Deus, o que preserva tanto a dignidade humana quanto a responsabilidade do homem diante do Criador.
2.2. O espírito.
A LIÇÃO DIZ: Do hebraico ruah e do grego pneuma, o espírito do homem provém de Deus e constitui sua principal dimensão. É por meio dele que mantemos nossa comunhão com o Criador, o Pai dos espíritos, e o adoramos (Hb 12.9; Jo 4.23,24). Junto com a alma, e inseparável dela, compõe a parte imaterial do ser humano. É o “homem interior” que, na linguagem do apóstolo Paulo, aparece algumas vezes em contraste direto com o corpo, o homem exterior (Rm 7.22-25; 2 Co 4.16-18; Ef 3.16-19). Como ensina o pastor Antônio Gilberto, em sua Bíblia com Comentários, “à luz das Escrituras, o espírito é a fonte da vida recebida de Deus. O espírito usa e transmite essa vida à alma, que, por sua vez, a expressa por meio do corpo, utilizando seus sentidos físicos para explorar o mundo exterior e dele receber as necessárias impressões”. São três elementos que formam um único ser ou pessoa. Ao tratar da constituição do ser humano, é comum que alma e espírito sejam confundidos, uma vez que ambos pertencem à dimensão imaterial. Entretanto, a Bíblia estabelece distinções claras entre esses elementos. Em textos como Ec 12.7, Mt 10.28, Ap 6.9, Hb 12.23, Lc 8.55, At 20.10 e 1 Ts 5.23, percebe-se que alma e espírito, embora relacionados, não são sinônimos.
Jesus, o Homem perfeito, evidencia essa tríplice constituição. Ele possuía corpo (Hb 10.5), alma (Mt 26.38) e espírito (Lc 23.46). Portanto, qualquer interpretação que dissolva a distinção entre alma e espírito precisa ser revista à luz da totalidade das Escrituras. A alma liga o homem a si mesmo e ao próximo, como sede das emoções, pensamentos e vontades. O espírito, por sua vez, liga o homem a Deus, sendo a esfera da fé, da consciência moral e da adoração verdadeira. A Palavra de Deus é a única capaz de discernir entre essas duas dimensões, como afirma Hebreus 4.12, que fala da “divisão da alma e do espírito”. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus”.

3. A INTERAÇÃO DAS TRÊS DIMENSÕES
3.1 Corpo, afetos e somatização.
A LIÇÃO DIZ: O corpo (gr. soma) é a parte material do ser humano, por meio da qual comumente manifestamos os atributos da alma e do espírito. Empregando o vocábulo “coração” (heb. leb; gr. kardia) — uma das principais palavras que o Antigo e o Novo Testamentos usam como sinônimo de alma —, Salomão bem identificou essa interação ao afirmar: “O coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 15.13); “O coração com saúde é a vida da carne” (Pv 14.30); “O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos” (Pv 17.22). Identificados como doenças psicossomáticas a partir do século XX, muitos problemas físicos decorrem de crises da alma (e também do espírito, inclusive pecados, cf. SI 31.9,10; 32.1-5). E como se multiplicam em nossos dias!
Vamos definir dois termos importantes para nossa compreensão deste subponto:
3.1.1 A expressão somatização pode ser definida como o processo pelo qual conflitos emocionais, tensões psicológicas ou desequilíbrios espirituais se manifestam em sintomas físicos reais. Trata-se da exteriorização corporal de dores ou doenças cuja raiz principal está em estados interiores, como ansiedade, medo, ressentimento, estresse ou falta de perdão. Em termos clínicos, a somatização é observada quando o corpo reage a emoções tóxicas liberando hormônios do estresse (como adrenalina e cortisol), que em excesso produzem desgaste físico, comprometimento imunológico e predisposição a enfermidades psicossomáticas. Do ponto de vista bíblico e teológico, a somatização pode ser entendida como a conexão visível entre a saúde da alma e o estado do corpo.
3.1.2 A doença psicossomática é uma enfermidade física real, mas cuja origem ou agravamento está profundamente relacionado a fatores emocionais e psicológicos. O termo vem da junção de psyche (alma, mente) e soma (corpo), indicando que experiências internas, como estresse, ansiedade, depressão, ressentimento ou traumas emocionais, repercutem diretamente no organismo, produzindo sintomas clínicos mensuráveis. Portanto, doença psicossomática é a manifestação corporal de sofrimentos emocionais e espirituais, revelando a unidade integral do ser humano, no qual corpo, alma e espírito estão inseparavelmente conectados.
3.2 Equilíbrio e saúde.
A LIÇÃO DIZ: Da mesma forma que o corpo padece por causa de disfunções da alma e do espírito, estes também sofrem por problemas do corpo, naturais ou não. Assim como emoções e estados espirituais influenciam o corpo, doenças e disfunções físicas também podem repercutir profundamente na alma e no espírito. A fraqueza do corpo pode abalar emoções, gerar crises de fé e comprometer a vida espiritual.
3.2.1 O sofrimento físico e seus reflexos na alma. As enfermidades do corpo frequentemente provocam tristeza, angústia e até desesperança. Jó é exemplo clássico: atingido por dores intensas e doença física, chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento (Jó 3.1–3). Da mesma forma, o salmista declarou: “Estou gasto de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito” (Sl 6.6). Aqui, a dor corporal se traduz em aflição da alma, minando emoções boas e o ânimo.
3.2.2 A doença corporal e a luta espiritual. Além da esfera emocional, o corpo debilitado pode impactar a fé. Paulo falou do seu “espinho na carne” (2 Co 12.7), que, embora não descrito em detalhes, gerava grande luta espiritual. A enfermidade física levou-o a buscar intensamente a Deus, encontrando na fraqueza a suficiência da graça divina (2 Co 12.9).
3.2.3 O corpo como porta para tentações e limitações. O cansaço, a fome ou a dor podem também se tornar ocasiões de tentação. Jesus foi tentado no deserto justamente após quarenta dias de jejum, quando seu corpo estava fragilizado (Mt 4.2–3). Além disso, limitações físicas podem gerar desânimo, isolamento ou até revolta contra Deus, revelando como o corpo exerce pressão sobre a alma e o espírito.
3.2.4 A esperança bíblica diante da fraqueza corporal. Apesar da influência do corpo sobre a alma e o espírito, a Escritura apresenta esperança. O homem exterior pode se corromper, mas “o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co 4.16). A debilidade do corpo não precisa resultar em destruição da fé, mas pode conduzir a um amadurecimento espiritual. O sofrimento físico, quando entregue a Deus, transforma-se em ocasião de fortalecimento da alma e do espírito. Nota importante: Doenças do corpo podem ser tratadas com recursos médicos, mas doenças da alma e do espírito exigem resposta espiritual: arrependimento, confissão, perdão e reconciliação com Deus.

CONCLUSÃO
Ao final deste estudo, compreendemos que o homem não é apenas corpo, nem apenas alma, nem apenas espírito, mas um ser integral, criado à imagem de Deus para refletir a sua glória em todas as dimensões. Quando uma dessas áreas adoece, todo o ser sofre; quando uma delas é restaurada, todo o ser é beneficiado. A verdadeira saúde, portanto, não está apenas em ter um corpo forte, mas em possuir uma alma limpa pelo perdão e um espírito vivo em comunhão com Deus. O maior cuidado que podemos ter é buscar santificação integral, permitindo que Cristo governe corpo, alma e espírito. Assim viveremos de forma plena, até o dia em que seremos apresentados irrepreensíveis diante do Senhor.

Leia mais…

O CHAMADO DE JEREMIAS

EXORTAÇÃO, ARREPENDIMENTO E ESPERAÇA
O ministério profético de Jeremias
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, iniciaremos uma jornada pela vida e ministério de Jeremias, o “profeta das lágrimas”. Esta primeira lição foca no momento crucial do seu chamado, revelando um Deus soberano que o conheceu e o separou para uma missão extraordinária antes mesmo de seu nascimento. Em meio a uma nação em declínio espiritual e à beira do juízo, Jeremias foi incumbido de proclamar uma mensagem desafiadora de exortação ao arrependimento, mas também de esperança. Ao estudar a natureza de sua vocação e a mensagem que lhe foi confiada, somos convidados a refletir sobre o propósito divino para nossas vidas. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES
O SENHOR Deus me disse: — Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações. (Jr 1.4,5 NTLH). Olhando para Jeremias 1.4–5, percebemos a forma sobrenatural e extraordinária como Jeremias foi vocacionado por Deus. De modo singular, o profeta é chamado pelo Senhor. Contudo, é importante reconhecer que nem sempre o chamado específico de Deus se dá nesses termos. Devemos evitar transformar experiências particulares em doutrina normativa. Há ocasiões em que o chamado acontece de modo natural, ordinário e simples. Isso não diminui a beleza do chamado divino, nem a nossa responsabilidade de obedecê-lo. Recordo a história de Shofia Müller, cuja voz ecoou nas selvas do Amazonas. Ela afirmou: “Eu não vi anjo algum, não tive revelação, nem sonho; ninguém profetizou para mim. Simplesmente li uma ordem e obedeci.” Assim, tornou-se missionária entre tribos indígenas do Amazonas. O que você está esperando? Os céus se abrirem? Um anjo descer? Uma profecia? Deus já nos deu a sua Palavra. Ele pode, sim, chamar de modo extraordinário; porém, não condicione sua obediência a isso. Comece a servir onde você está, disponha-se ao que Ele já revelou e permita que o Senhor amplie o seu ministério no curso da obediência.

RESUMO DA LIÇÃO

Jeremias afirma que foi “conhecido”, “consagrado” e “constituído profeta às nações” ainda no ventre materno (Jr 1.4–5). Trata-se de uma escolha funcional, orientada à missão profética, não de uma declaração soteriológica (eu te salvei antes de você nascer). Em outras palavras, o texto fala da nomeação de Jeremias para o ofício profético, não de uma “eleição incodicional para salvação”. Esse padrão aparece em outras figuras bíblicas: Sansão foi separado desde o ventre para uma missão específica em Israel (Jz 13.5); João Batista seria “cheio do Espírito Santo, ainda no ventre de sua mãe”, como arauto do Messias (Lc 1.15); Paulo reconhece ter sido “separado desde o ventre de minha mãe” para pregar entre os gentios (Gl 1.15–16). Em todos esses casos, a ênfase recai na vocação ministerial. A Escritura mostra que Deus pode eleger alguém para uma tarefa sem implicar conversão pessoal. Ciro é o exemplo clássico: o Senhor o “chama pelo nome”, “o unge” e o utiliza como instrumento para libertar Israel, mesmo sem ele “O conhecer” (Is 44.28; 45.1, 4–5, 13). O texto sublinha a soberania de Deus sobre a história e a instrumentalidade de Ciro para um proposito especifico. Não há evidência bíblica de que Ciro tenha se convertido.

1. A NATUREZA DO CHAMADO DE JEREMIAS
1. 1 A pessoa de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A vida e o ministério de Jeremias são partes de uma mesma história (Jr 1.5). Ele nasceu em uma família de sacerdotes, na cidade de Anatote, nordeste de Jerusalém. A maioria dos estudiosos defende que o seu nascimento se deu entre 650 e 645 a.C., dentro do contexto da reforma espiritual dos dias do rei Josias (Jr 1.2).
O texto bíblico diz:
Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim. A palavra do Senhor veio a ele no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom e rei de Judá. Veio também nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá. No quinto mês desse ano, os moradores de Jerusalém foram levados ao exílio. (Jr 1.1-3 NAA).
Leia com muita atenção os pontos a seguir:
1.1.1 Contexto cronológico. Os detalhes que compõem o cenário da época de Jeremias estão descritos em 2Reis 22—25; 2Crônicas 34—36.
1.1.2 A família de Jeremias (origem sacerdotal, linhagem e expectativas). Jeremias se apresenta como “filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, na terra de Benjamim” (Jr 1.1). Ele nasceu em ambiente sacerdotal: Torá, pureza cultual e o ensino compunham o seu cotidiano (Dt 33.8–10). Em termos sociais, esperava-se que um jovem de família sacerdotal servisse ao culto, instruindo o povo e guardando a santidade do templo (Ml 2.7). Deus muda expectavas. Seu pai e sua podem está educando você para ser um médico, advogado, psicólogo, nutricionista, etc., mas Deus pode ter outros planos para a sua vida.
1.1.3 A cidade de Jeremias: Anatote. Historicamente, Anatote era cidade sacerdotal (cf. Js 21.18). No entanto, nos dias de Jeremias, essa localidade estava associada à memória de Abiatar, deposto por Salomão por favorecer Adonias (1 Rs 2.26–27). A leitura tradicional observa que, se os sacerdotes de Anatote remontam à casa de Abiatar, então Jeremias nasce de um ramo que perdera proeminência em Jerusalém, agora sob liderança zadoquita (1 Rs 2.35). Jeremias, descendente de uma “linhagem inferior” seria usado por Deus como profeta para repreender reis, os sacerdotes zadoquitas, príncipes, líderes e todo o povo. Essa informação traz bastante esclarecimento sobre as tensões vividas no ministério de Jeremias. Deus usa os improváveis.
1.1.4 O perfil emocional de Jeremias (sensibilidade, “confissões”, lágrimas e resiliência). Poucos livros expõem com tanta nitidez a humanidade de um profeta. Jeremias lamenta, intercede, protesta e debate com Deus nas chamadas “confissões” (Jr 11.18–12.6; 15.10–21; 17.14–18; 18.18–23; 20.7–18). A linguagem de queixa e lamento revela um coração pastoral ferido pela idolatria do povo e pela resistência enfrentada, mas firmemente agarrado ao chamado de Deus. Textos-chave delineiam esse perfil: chora pelo povo (Jr 8.18–9:1), a solidão vocacional marcada até pelo celibato como sinal profético (Jr 16.1–4), o fogo interior que impede o silêncio (Jr 20.9) e a força recebida do próprio Deus, que o faz “muro de bronze” (Jr 1.18–19)

1.2 A vida de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A relação de Deus com Jeremias não começou a partir de seu chamado, mas remonta a um período no qual o profeta não tinha consciência de sua própria existência (Jr 1.5). Deus conhecia Jeremias antes que o formasse. A consciência da soberania do Eterno inibiria o profeta de apresentar quaisquer possíveis obstáculos para atender o seu chamado, afinal, Ele conhecia todas as suas limitações. A consagração de Jeremias ocorreu antes de seu nascimento. A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: “Antes de formá-lo no ventre materno, eu já o conhecia; e, antes de você nascer, eu o consagrei e constituí profeta às nações.” (Jr 1.4,5 NAA). O chamado de Jeremias é rico em seu conteúdo doutrinário e prático. Entre seus ensinamentos importantes estão os seguintes:
1.2.1 Deus é o Senhor da vida. Deus formou Jeremias no ventre. Jeremias tinha pais biológicos, é claro, mas o próprio Deus o moldou e o teceu no ventre de sua mãe. Dizer às crianças que perguntam de onde vêm os bebês que eles vêm de Deus é boa teologia. E também não é má ciência. O Senhor da vida usa os processos naturais que ele projetou para plantar a vida humana no útero.
1.2.2 Um feto é uma pessoa. Esse versículo testifica que a relação pessoal entre Deus e seu filho ocorre no útero, ou até mesmo antes.
1.2.3 Todo cristão tem um chamado. Há um chamado geral, é claro, para crermos em Jesus Cristo. Mas todo aquele que crê em Cristo também tem um chamado especial para uma esfera específica de obediência e ministério. Talvez você ainda esteja tentando descobrir qual é o plano de Deus para você. Muitos cristãos desejam saber o que Deus está chamando-os para fazer. Se você não tem certeza, há pelo menos uma que você pode fazer. Faça tudo o que você já sabe que Deus quer que faça. Você não pode esperar estar pronto para o chamado de Deus, ou mesmo para reconhecer o chamado de Deus, a menos que esteja obedecendo ao que o Senhor já revelou. Isso inclui as coisas óbvias, como passar tempo em oração e estudo da Bíblia, servir às pessoas com as quais convive, permanecer ativo na adoração na igreja e ser testemunha de Deus no mundo. Portanto, enquanto aquilo que não é especifico não fica claro por meios ordinários ou extraordinários, natural ou sobrenatural, sua obediência deve coloca-lo em ação. Jeremias sabia o que Deus queria que ele fizesse. No entanto, mesmo depois de receber seu chamado divino, ele ainda era um candidato hesitante: “ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança” (Jr 1.6). Jeremias tinha duas objeções principais quanto a se tornar um profeta: sua falta de eloquência e sua falta de experiência. Parafraseando: “Ahh, espere um segundo, Senhor… sabe esse papo todo de profeta-para-as-nações? Então, não soa como uma ideia tão boa assim. A profecia não é um dos meus dons espirituais. Como o senhor sabe, tirei notas C em retórica na sinagoga. Além disso, sou apenas um adolescente”. As dúvidas de Jeremias encontram um eco no romance de J. R. R. Tolkien, A sociedade do anel. Um hobbit chamado Frodo foi escolhido para ir numa longa e perigosa jornada para destruir o único Anel de poder, uma busca que ele próprio não escolheria. “Não sou talhado para buscas perigosas. Gostaria de nunca ter visto o Anel! Por que veio a mim? Por que fui escolhido?A resposta dada a Frodo é semelhante àquela que os profetas de Deus frequentemente recebem: “Perguntas desse tipo não podem ser respondidas. […] Pode ter certeza de que não foi por méritos que outros não tenham; pelo menos não por poder ou sabedoria. Mas você foi escolhido e, portanto, deve usar toda força, coração e esperteza que tiver”. Quando Deus faz a seus servos um chamado claro, ele não aceita nenhuma desculpa. Jeremias havia esquecido que Deus não é limitado pela fraqueza humana. O próprio Deus possui todo o necessário para que Jeremias cumpra o seu chamado. Na verdade, capacitar instrumentos fracos para realizar trabalhos duros é o procedimento operacional padrão de Deus.
1.3 O ministério de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Ele nasceu com o propósito de honrar a Deus, representando-o diante do povo (Jr 1.5.7,10,17,18). Os profetas eram levantados pelo Senhor e tinham o dever de transmitir a sua mensagem ao povo com fidelidade. Essa era a sua principal missão, distinguindo assim o verdadeiro profeta do falso (Jr 14.14; 23.16,26,30). No caso de Jeremias, vemos que as expressões “Disse-me o Senhor” e “Ouvi a palavra do Senhor” são recorrentes ao longo de todo o livro e, juntas, refletem a dinâmica do seu ministério.
Conforme a Bíblia, os sacerdotes e os profetas exerciam funções distintas, ainda que ambos estivessem vinculados à aliança com Deus.
• O Ministério Sacerdotal era hereditário, vinculado à tribo de Levi e à casa de Arão (Nm 3.10; Dt 18.1-5). Sua função central era o culto, o ensino e os sacrifícios. O sacerdote era mediador do povo para Deus, garantindo a reconciliação por meio dos rituais.
O Ministério Profético, em contraste, não dependia de linhagem, mas do chamado direto de Deus. O profeta era porta-voz divino, trazendo palavra viva, muitas vezes acusatória, que confrontava reis, sacerdotes e o povo com sua infidelidade (Am 7.14-15). Enquanto o sacerdote mantinha a ordem, o profeta frequentemente desestabilizava a falsa ordem para chamar os ouvintes à conversão. Assim, se o sacerdote trabalhava no eixo culto–sacrifício, o profeta atuava no eixo aliança–ética, denunciando injustiça, idolatria e conclamando o povo a obediência (Jr 7.22-23).
1.3.1 Chamado Divino. O profeta não se autoproclama, mas é chamado diretamente por Deus para falar em Seu nome. Esse chamado é muitas vezes acompanhado de uma experiência marcante (como Isaías em Isaías 6.1-8 ou Jeremias em Jeremias 1.4-10.
1.3.2 Fidelidade ao Pacto. O ministério profético é profundamente enraizado na aliança entre Deus e Israel. O conteúdo da exortação profética está muito assoado ao conteúdo do livro de Deuteronômio. O profeta autêntico fala em harmonia com a revelação anterior. Ele não contradiz a Lei de Moisés nem inventa uma mensagem nova.
1.1.3 Mensagem de julgamento e esperança. O verdadeiro profeta não suaviza a mensagem: ele anuncia tanto o juízo pelos pecados quanto a esperança da restauração.
1.1.4 Vida Marcada por sacrifício e integridade. Os profetas frequentemente sofrem oposição, perseguição e rejeição.
1.1.5 Confirmação pela realização da Palavra proclamada. De acordo com a tradição bíblica (cf. Dt 18.21-22), a autenticidade de um profeta também se manifesta na realização das palavras que anuncia, não necessariamente de imediato, mas dentro do agir soberano de Deus.

2. A MENSAGEM DE JEREMIAS
2.1 Os dias de Jeremias.

A LIÇÃO DIZ: O profeta desempenhou o seu ministério durante um dos períodos mais sombrios da história de Judá. Jerusalém foi destruída pelo exército babilônico como juízo de Deus, fruto da má escolha do povo em trocar o Senhor, “manancial de águas vivas” por “cisternas rotas, que não retêm águas” (Jr 2.13).
Vamos conhecer um pouco os dias nos quais Jeremias profetizou:
2.1.1 Idolatria e sincretismo religioso. O povo abandonou o Senhor, a fonte de água viva, e buscou cisternas rachadas que não retêm água (Jr 2.13). Essa metáfora resume a substituição do culto ao Deus vivo pela adoração de Baal e deuses estrangeiros, muitas vezes acompanhada de práticas vergonhosas nos “altares dos bosques” (Jr 3.6).
2.1.2 Culto vazio e confiança falsa no templo. O chamado Sermão do Templo (Jr 7.1-15) denuncia a crença de que a simples presença do templo garantiria a segurança da nação, mesmo enquanto o povo praticava injustiça, opressão e violência.
2.1.3 Injustiça social e corrupção das lideranças. Jeremias acusa os poderosos de oprimir pobres, órfãos e estrangeiros, enquanto enriqueciam por meio da fraude (Jr 5.26-28). Os profetas e sacerdotes se corromperam, profetizando mentiras e explorando o povo, produzindo um sistema de conluio entre religião e poder.
2.1.4 Falsos profetas e rejeição da palavra de Deus. Um dos pecados mais graves era seguir líderes religiosos que prometiam paz onde não havia paz (Jr 6.14). Esses falsos discursos confortavam o povo em sua rebeldia, afastando-o do arrependimento genuíno.
2.1.5 Quebra da aliança e rebeldia persistente. Israel é descrito como um povo de “coração incircunciso” (Jr 9.25-26), incapaz de fidelidade. Mesmo após repetidos convites ao arrependimento (Jr 3.12-14), Judá preferiu alianças políticas com Egito e Babilônia, em vez de confiar em Javé.
2.1.6 Sacrifício infantil e práticas abomináveis. Jeremias denuncia o sacrifício de crianças no vale de Hinom (Jr 7.31), prática que marca o ápice da degradação religiosa e social, símbolo da completa inversão dos valores da aliança.
2.2 As duas visões de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: No momento de seu chamado, Jeremias recebeu duas visões e cada uma com um significado segundo a missão para a qual fora designado pelo Senhor (Jr 1.11.13). A primeira visão foi a de uma vara de amendoeira (1.11). A segunda visão foi a de uma panela a ferver inclinada para o norte.
A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo, Jeremias? Respondi: — Vejo um ramo de amendoeira. O Senhor me disse: — Você viu bem, porque eu estou vigiando para que a minha palavra se cumpra. Outra vez a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo? Eu respondi: — Vejo uma panela fervendo, cuja boca se inclina do Norte para cá. Então o Senhor disse: — Do Norte se derramará o mal sobre todos os habitantes da terra. Pois eis que convoco todas as tribos dos reinos do Norte, diz o Senhor; elas virão, e cada reino porá o seu trono à entrada dos portões de Jerusalém e contra todas as suas muralhas ao redor e contra todas as cidades de Judá. (Jr 1.11-15 NAA).
A primeira visão foi de um ramo de amendoeira. Em um jogo de palavras (cf. Am 8.1–2), Deus disse que estava vigiando para ver que sua palavra se cumprisse (v. 12; hebraico šāqēd, “amendoeira”, e šōqēd, “vigiar”). A amendoeira era chamada de árvore “desperta” porque floresce cedo na primavera, enquanto outras árvores permanecem dormentes. Anatote ainda é um centro de cultivo de amêndoas. O propósito da visão era advertir que os anúncios de juízo feitos por profetas anteriores não haviam sido esquecidos. Sempre que Jeremias e o povo de Judá vissem a amendoeira, deveriam lembrar que seu Deus estava vigiando sobre eles, vendo as maldades cometidas e aquilo que era praticado em oculto (5.6; 31.28). Geralmente, aplicamos esse texto de forma positiva em relação ao cumprimento das promessas de Deus de abençoar. Mas, o texto fala de juízo. Deus não deixará a maldade impune. Na segunda visão, que pode ou não ter ocorrido imediatamente após a primeira, Jeremias viu uma panela fervente (literalmente “uma panela soprada”, isto é, uma panela colocada sobre uma chama atiçada pelo vento). Era uma panela de cozinhar (2Rs 4.38) ou um alguidar de lavar (Sl 60.8), objeto comum nas casas israelitas. Jeremias a vira muitas vezes, mas agora a enxergou sob nova luz, como símbolo de juízo iminente. A panela inclinava-se a partir do norte, isto é, em direção ao sul, com o líquido prestes a transbordar. O desastre iminente sobre Judá é comparado ao derramamento do conteúdo de uma panela em ebulição, que escaldaria o povo de Judá. O sentido da visão é inequívoco. Ela retrata a certeza do juízo de Deus que viria sobre Jerusalém por meio de uma invasão inimiga vinda do norte e, portanto, a urgência da mensagem de Jeremias. Numa época em que o poder assírio chegava ao fim com a morte de seu último grande monarca, Assurbanípal, em 627, o povo se inclinava a crer que as ameaças do norte haviam cessado. Ridicularizavam os alertas de perigo feitos por Jeremias. A maioria dos estudiosos já não identifica o inimigo anônimo como citas, mas como babilônios (ver Hc 1.5–11). Geograficamente, a Babilônia ficava a leste de Judá, mas seus exércitos não arriscariam cruzar o deserto arábico inóspito. Em vez disso, seguiriam o rio Eufrates para o norte, até a Síria, e de lá invadiriam Judá pelo norte. No momento da visão, Jeremias não poderia saber que o inimigo do norte seriam os babilônios e seus aliados.
2.3 Destinatário e conteúdo da mensagem de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Jeremias foi enviado ao povo de Judá, Reino do Sul, cuja capital era Jerusalém, embora, há momentos em que ele é visto se dirigindo ao Reino do Norte, Israel, com a capital em Samaria (3.12; 31.2-6,15-22). No que diz respeito ao destinatário, Jeremias é constituído “profeta às nações” (Jr 1.5). Isso significa que, embora sua palavra imediata fosse dirigida a Judá e Jerusalém, seu alcance ultrapassava fronteiras. Os comentaristas ressaltam que essa designação amplia a relevância de sua missão: não se tratava apenas de corrigir os pecados internos do povo da aliança, mas de mostrar que a soberania de Javé envolve todos os povos. No início do livro, fica patente a dimensão universal da palavra profética: Judá seria o foco imediato do julgamento, mas Babilônia, Egito e outras nações também estariam sob o mesmo olhar divino. Assim, Jeremias é chamado a confrontar tanto o povo da aliança que se afastou de seu Deus quanto os poderes estrangeiros que, em sua arrogância, se julgavam autônomos.
Quanto ao conteúdo da mensagem de Jeremias, a Bíblia diz:
Depois, o Senhor estendeu a mão e tocou na minha boca. E o Senhor me disse: “Eis que ponho as minhas palavras na sua boca. Veja! Hoje eu o constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e derrubar, para destruir e arruinar, e também para edificar e plantar.” (Jr 1.9,10 NAA).
Sua palavra tem alcance internacional (“nações e reinos”), o que confirma que sua missão vai além das fronteiras de Judá. Ele não é apenas profeta de uma cidade ou de uma tribo, mas intérprete da vontade de Deus para todo o cenário geopolítico de seu tempo. Os seis verbos apresentam um duplo movimento. Os quatro primeiros (“arrancar, derrubar, destruir, arruinar”) descrevem o caráter de juízo da palavra profética. Trata-se de expor o pecado, mostrar a futilidade da confiança enganosa, anunciar a queda de estruturas religiosas e políticas. A mensagem de Jeremias é inicialmente desconstrutiva: desfaz seguranças falsas para abrir espaço ao agir soberano de Deus. Os dois últimos verbos (“edificar, plantar”) apontam para a dimensão construtiva e restauradora da missão profética. A restauração acontece depois que o terreno foi limpo pela disciplina.

3. A MENSAGEM DE JEREMIAS E OS SEUS EFEITOS
3.1 A resposta do povo.
A LIÇÃO DIZ: Toda mensagem divina é um chamado e requer uma resposta dos que a ouvem. Diante da mensagem de Jeremias, o povo foi indiferente e maldoso, vindo, inclusive, a persegui-lo.
Como o povo reagiu a mensagem profética?
3.1.1 Conspiração. Conterrâneos do profeta planejaram matá-lo para silenciar sua profecia. Deus revelou a trama e pronunciou juízo contra os conspiradores de Anatote (Jr 11.18–23; 12.6).
3.1.2 Agressão física e humilhação pública. Pasur, sacerdote e superintendente do templo, mandou açoitar Jeremias e colocá-lo no tronco, expondo-o à vergonha. O profeta renomeou o agressor como “Terror ao redor” (Jr 20.1–6).
3.1.3 Prisão e tentativa de silenciamento por autoridades religiosas e civis. Após o sermão do templo, sacerdotes, profetas e o povo prenderam-no e exigiram sua morte. (Jr 26.1–24).
3.1.4 Desprezo régio pela Palavra. Jeoaquim queimou, coluna por coluna, o rolo ditado por Jeremias a Baruque, recusando-se a ouvir o chamado ao arrependimento. Deus ordenou reescrever o rolo com “muitas palavras semelhantes” (Jr 36.1–32).
3.1.5 Prisão, espancamento e cárcere. Acusado de deserção para os caldeus, Jeremias foi espancado pelos oficiais e lançado na casa do escrivão Jônatas transformada em prisão. Depois foi transferido para o pátio da guarda, onde continuou a falar em nome do Senhor (Jr 37.11–21).

3.1.6 Cova lamacenta e risco de morte por inanição. Líderes acusaram Jeremias de desmoralizar o povo e conseguiram lançá-lo numa cisterna sem água, apenas lama, para morrer lentamente. Um estrangeiro, Ebede-Meleque, intercedeu junto a Zedequias e organizou o resgate com cordas e trapos, demonstrando a providência de Deus por meios improváveis (Jr 38.1–13).
3.1.7 Coerção pós-queda e deportação forçada ao Egito. Após a queda de Jerusalém, Jeremias exortou o remanescente à obediência. Rejeitaram a Palavra, acusaram-no de falsidade e o levaram à força para o Egito, onde continuou denunciando a idolatria. A tradição judaica posterior menciona sua morte ali, mas a Escritura não registra esse desfecho explicitamente (Jr 40–44; observar 43.1–7; 44.15–19).
3.1.8 Hostilidade social, isolamento e escárnio. Para além dos atos oficiais, Jeremias descreve zombaria, difamação e solidão ministerial, marcas internas de perseguição que acompanham a fidelidade profética (Jr 15.10, 15–18; 15.17; 20.7–10).
3.2 O sofrimento de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A humanidade e as limitações de Jeremias podem ser observadas em seu sofrimento ao longo de sua trajetória. O sofrimento do profeta se manifestou, externamente, na perseguição de seus inimigos (Jr 20.1-3) e nas dúvidas provocadas pela injustiça e a maldade humana. Os sofrimentos de Jeremias e a reação do povo à mensagem profética estão interligados, de modo que o ponto anterior esclarece adequadamente este subponto. Provação por ameaças de morte (11.18–23); provação por isolamento (15.15–21); provação por tortura no tronco (19.14–20.18); provação por prisão (26.7–24); provação por desafio (28.10–16); provação por destruição do rolo (36.1–32); provação por violência e encarceramento (37.15); provação pela fome (38.1–6); provação por correntes (40.1); provação pela rejeição (42.1–43.4).
3.3 O cumprimento das profecias de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Jeremias chorou pela condição espiritual do povo de seus dias (Jr 9.1), antecipando cerca de 600 anos o que Jesus faria em seu ministério terreno (Lc 19.41). Ele falou a respeito da tristeza de Deus pela condição espiritual de seu povo, sobre a iminente destruição de Jerusalém e chamou o povo ao arrependimento. Pregar o arrependimento era a principal missão do ministério de Jeremias (Jr 18.7-11). Parte das profecias dele se cumpriram e parte delas ainda se cumprirão (Jr 33.14-18). O desejo do profeta, de que o povo se convertesse a Deus, será cumprido (Jr 32.38-41). No nível histórico, Jeremias anunciou a queda de Jerusalém, a destruição do templo e o exílio babilônico. Essas palavras se cumpriram de forma visível na invasão de 586 a.C. (Jr 7.14-15; Jr 25.8-11). Também predisse os setenta anos de cativeiro e o retorno do povo, promessa confirmada pelo decreto de Ciro (Jr 29.10). No campo da promessa, Jeremias falou de uma realidade que ia além da restauração política. Ele anunciou a nova aliança, na qual a lei de Deus seria gravada no coração e o perdão seria definitivo (Jr 31.31-34). Anunciou também o “Renovo justo”, descendente de Davi que reinaria com justiça (Jr 33.14-16). Essas palavras apontam para Cristo, em quem a nova aliança é inaugurada e em quem as promessas de justiça e restauração encontram seu cumprimento inicial e final. Assim, Jeremias nos mostra que a profecia é palavra que se cumpre em duas direções: no juízo histórico sobre o pecado do povo e na esperança de uma restauração plena em Deus.


CONCLUSÃO
A minha oração é: Que o Senhor arranque em nós as seguranças falsas e plante vida nova, dando-nos coragem para denunciar o pecado com compaixão e anunciar esperança sem maquiar a verdade. Cumpramos o nosso chamado com fidelidade.

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Divulgado cronograma de repasses de recursos do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc

  Após análise dos Planos de Aplicação dos Recursos pelo Ministério da Cultura, o repasse dos valores da Política Nacional Aldir Blanc será iniciado. De acordo com o cronograma divulgado, os montantes serão repassados aos Estados a partir de 6 de outubro de 2025, e os Municípios receberão os recursos a partir de 24 de novembro de 2025. Os recursos do primeiro ciclo de repasses da Política também foram transferidos de forma similar. Assim, os Estados e Municípios de grande porte receberam os recursos em dezembro de 2023 e os demais Municípios receberam os valores em março de 2024.

Instituída pela Lei 14.399/2022, a Política Nacional Aldir Blanc é uma política de médio prazo, que prevê o repasse de até R$ 3 bilhões para que Estados, Distrito Federal e Municípios apliquem no setor cultural de forma ampla. Os valores do primeiro ciclo foram repassados aos entes federativos, que tiveram de cumprir com as seguintes obrigações para estarem aptos a receber os recursos do segundo ciclo:

  • executar pelo menos 60% dos recursos recebidos no ciclo anterior;
  • comprometer-se a destinar recursos próprios para a cultura; e
  • apresentar o Plano de Aplicação dos Recursos (PAR), a partir de escutas públicas, com detalhes sobre a utilização e áreas de aplicação dos recursos.

Para esclarecer as principais dúvidas dos gestores, a CNM produziu a Nota Técnica 6/2025 no formato de perguntas e respostas que apresenta todas as informações sobre etapas, procedimentos e formas de execução dos recursos que serão repassados no segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc. Acesse aqui o material.

 

Aposentados já recuperaram R$ 1,5 bilhão em descontos indevidos do INSS

  Aposentados e pensionistas já recuperaram R$1,53 bilhão em devoluções de descontos indevidos em seus benefícios, desde o início do acordo de ressarcimento. A informação é do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

  Esse valor foi pago a 2,46 milhões de beneficiários que aderiram ao acordo — cerca de 74% dos 3,33 milhões que têm direito ao ressarcimento. A devolução ocorre em até três dias úteis após a adesão, com correção monetária (IPCA).

   Destaques estaduais
Os estados que concentram os maiores valores já devolvidos são:

  • São Paulo: R$ 293,7 milhões 
  • Minas Gerais: R$ 149,5 milhões 
  • Bahia: R$ 137,2 milhões 
  • Rio de Janeiro: R$ 124,4 milhões 
  • Ceará: R$ 93,5 milhões 

Quem pode aderir

  • Quem contestou o desconto indevido e não obteve resposta da entidade em até 15 dias úteis. 
  • Quem sofreu descontos entre março de 2020 e março de 2025. 
  • Quem possui ação judicial em andamento, desde que ainda não tenha recebido os valores — nesse caso, é exigida a desistência da ação. Para ações individuais protocoladas antes de 23 de abril de 2025, o INSS admite pagar 5% de honorários advocatícios. 

Para contestar o desconto indevido, o beneficiário pode acessar o aplicativo Meu INSS, ligar para a Central 135 ou comparecer presencialmente a uma agência dos Correios. O prazo de resposta é de até 15 dias úteis. Caso não haja retorno dentro desse período, o sistema libera a opção de adesão ao acordo.

O prazo para contestar os descontos se estende até, no mínimo, 14 de novembro de 2025, e a adesão ao acordo permanece aberta mesmo após essa data. 

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Brasil 61

Saúde digital atrai 8 em cada 10 brasileiros, mas obstáculos limitam acesso

  O Serviço Social da Indústria (SESI) apresentou, nesta terça-feira (23), em São Paulo (SP), durante o evento Conecta Saúde, os resultados de uma pesquisa nacional sobre saúde digital. O levantamento mostra que 78% dos brasileiros demonstram interesse em utilizar serviços digitais de saúde, como teleconsultas, agendamento online de consultas e exames, prescrição e atestado digital.

Apesar do interesse crescente, o estudo aponta que apenas 20% da população usou efetivamente algum serviço digital em 2025. O celular é o principal meio de acesso (96%) e os canais mais utilizados são telefone e WhatsApp (45%), aplicativos de planos de saúde (32%) e o ConecteSUS (31%). Para Emmanuel Lacerda, superintendente de Saúde e Segurança do SESI, os resultados confirmam que a saúde digital deixou de ser tendência para se tornar realidade. “A saúde digital amplia o acesso a serviços de qualidade, especialmente em regiões com escassez de profissionais ou infraestrutura. Ela permite atendimento mais rápido, redução de filas, monitoramento contínuo de condições de saúde e maior integração entre diferentes perspectivas do cuidado. Além disso, favorece a prevenção, ao oferecer ferramentas de autogestão e programas personalizados de bem-estar, resultando em mais qualidade de vida e produtividade”, avalia.

Pesquisa Saúde Digital: avaliação crescente

Entre 2023 e 2025, a avaliação positiva dos serviços digitais de saúde cresceu de 73% para 81% entre os usuários, segundo a pesquisa. Na telemedicina, fatores como praticidade (30%), agilidade (28%) e bom atendimento (14%) são os principais responsáveis pela aprovação. Por outro lado, a percepção de consultas superficiais (32%), falhas técnicas e dificuldades no agendamento (16%) ainda pesam nas avaliações negativas. O levantamento aponta que cada pessoa se interessa, em média, por dois serviços digitais. Os mais procurados são o agendamento online (57%) e a teleconsulta (49%), seguidos por exames integrados (33%), prescrição digital (23%) e atestado médico (18%). A inteligência artificial já está presente no apoio ao diagnóstico em 10% dos casos. A brasileira Roseane Silva, 38 anos, mudou-se para Valparaíso, na costa do Chile, em 2023, para trabalhar no segmento farmacêutico. Ela conta que a telemedicina se tornou parte da sua rotina e trouxe mais praticidade ao cuidado com a saúde. Para ela, a principal vantagem é a flexibilidade. “O que mais chama a minha atenção em relação a esse tipo de atendimento é justamente a flexibilidade, poder ser atendida na hora prevista, principalmente. Eu posso estar com mal-estar e ao agendar o serviço sei que nesse momento serei atendida, diferentemente de uma consulta presencial, que às vezes impossibilita que seja atendida no horário marcado”, afirma.O interesse pela telemedicina está em expansão. Dos entrevistados, 38% afirmaram que pretendem utilizar o recurso no futuro. A aceitação é maior entre jovens homens de 25 a 40 anos (44%), pessoas com ensino superior (51%) e rendas mais altas (47%). Nutricionistas (44%), psicólogos (42%) e farmacêuticos (40%) estão entre as especialidades mais aceitas no formato digital.

Já a resistência se concentra em pessoas de 41 a 59 anos (79%) e idosos (83%), que apontam insegurança e preferência pelo atendimento presencial.

Diante da resistência que ainda existe por parte da população, Roseane acredita que o cenário deve mudar com a ampliação do acesso e da confiança nos serviços digitais. “Acredito que quem ainda tem receio é porque precisa sentir segurança de que suas necessidades serão realmente atendidas. O tempo é sagrado. E muitas vezes a pessoa não pode se deslocar, seja pela rotina corrida ou por alguma comorbidade. Nesse sentido, a teleconsulta é uma solução prática, que atende no momento certo e contribui para melhorar a qualidade de vida”, completa.

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Trabalho infantil: meta de eliminar problema até 2025 está ameaçada, avalia ONU

  A meta de erradicar o trabalho infantil no mundo até 2025, prevista Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), está ameaçada. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua mostram que o trabalho infantil cresceu em 2024, com 1,650 milhão de crianças e adolescentes com 5 a 17 anos nessa situação. O número representa 34 mil jovens a mais trabalhando comparado a 2023 – uma alta de 2,1%.

  Os jovens brasieiros em situação de trabalho infantil representavam 4,3% da população na faixa etária. Entre essas crianças e adolescentes, 1,195 milhão realizavam atividades econômicas e 455 mil produziam apenas para o consumo próprio. Segundo dados da ONU de junho, no mundo, o trabalho infantil fazia 138 milhões de vítimas. Desses, cerca de 54 milhões de menores realizavam funções perigosas com possíveis prejuízos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento. Em nota oficial, a ONU afirma que  a “meta de eliminar problema até 2025 fracassou”. A secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Katerina Volcov, afirma que erradicação do trabalho entre os jovens no país não será alcançada em 2025. 

   Na avaliação dela, o cenário demonstra que o Brasil está distante de cumprir a meta da ONU.

“De fato, a Agenda 2030 trouxe uma série de compromissos ao país e a Meta 8.7, que trata justamente da erradicação das piores formas de trabalho infantil, não será alcançada. Desde o ano passado a gente vinha mencionando essa problemática, pedindo atenção dos diferentes públicos, da sociedade em relação a isso, e com os dados atuais a gente percebe que a gente está muito distante”, diz. Volcov avalia que ainda existem desafios a serem enfrentados. Segundo ela, é importante considerar que há diversas outras formas de exploração da mão de obra infantil que não são contempladas na PNAD e que ocorrem atualmente.

“Esse cenário mostra que a gente tem grandes desafios ainda em relação ao enfrentamento do trabalho infantil e das suas piores formas. É importante dizer que esses dados que a PNAD traz, são a ponta do iceberg. Esses dados não contemplam algumas das piores formas de trabalho infantil, como a exploração sexual de crianças e adolescentes, o trabalho infantil de crianças e adolescentes que vivem e trabalham nas ruas, e o trabalho desempenhado na cadeia produtiva de drogas ilícitas, sem contar o trabalho infantil nas novas modalidades, das plataformas digitais”, destaca.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil é caracterizado por ser perigoso e prejudicial para a saúde, desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças. Além disso, esse tipo de trabalho interfere na escolarização desses jovens. Os dados do IBGE apontam que, em 2024, mais da metade das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (54,1%) realizavam afazeres domésticos e/ou tarefas de cuidados de pessoas.

“Para deixar bem claro, o trabalho infantil é toda atividade econômica ou de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remunerada ou não, realizada por crianças ou adolescentes”, explica Volcov.

Recorte regional do trabalho infantil no país

   No recorte regional, as regiões Nordeste e Sul registraram as maiores altas no número de crianças e adolescentes em trabalho infantil em 2024 em comparação relação a 2023. Houve uma variação de 7,3% e 13,6%, respectivamente. Já o Norte recuou 12,1%.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto, explica os dados regionais:

  “A análise regional mostra que a região Nordeste, o maior contingente de pessoas em situação de trabalho infantil, eram quase 550 mil em 2024, seguido pela região Sudeste, 475 mil. No entanto, em termos percentuais, a região Norte foi aquela que apresentou maior percentual. 6,2% das crianças e adolescentes da região Norte estavam em situação de trabalho infantil. E apesar de registrar o maior percentual, a região teve uma queda importante do contingente de pessoas em situação de trabalho infantil em relação a 2023, teve uma retração de 12,1%”, esclarece.

  Entre 2016 e 2024, o Nordeste apresentou a maior redução desse indicador , de 27,1%. Em contrapartida, a Região Centro-Oeste foi a única a registrar alta de trabalhadores infantis, de 7,0%.

  Consequências do trabalho infantil para crianças e adolescentes

  Considerando que a faixa etária das pessoas de 5 a 17 anos também contempla a idade escolar obrigatória prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a realização de um trabalho prejudica a vida estudantil.  Em 2024, 88,8% dos jovens nessa situação eram estudantes.

  Em relação à frequência escolar, a maior dofeença se observava entre adolescentes de 16 e 17 anos: 90,5% frequentavam a escola, enquanto entre aqueles em situação de trabalho infantil, a parcela de estudantes reduz para 81,8%.

  Katerina Volcov destaca que a situação prejudica o futuro profissional dessas crianças.

 “Se a gente pensar que crianças e adolescentes acabam evadindo da escola, ou que têm os seus aprendizados deficitários, de pouca qualidade, por conta do próprio cansaço que o trabalho exige desses corpos, a gente vai vendo que essas crianças e adolescentes acabam tendo trabalhos menos qualificados e que não produzem riqueza para o país”, pontua.

  Segundo ela, também há prejuízos ao desenvolvimento do país com “a continuidade do ciclo de pobreza dessas famílias”.

“Se não fosse tantas corrupções que temos no Brasil, inclusive no congresso nacional, respeitando aqueles (as) que valorizar seu caráter e votos que receberam, a situação seria outra bem melhor”.

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Mais de 1,1 mil municípios entram no sistema de inspeção de alimentos em três anos

Mais de 1,1 mil municípios foram integrados ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) nos últimos três anos. O crescimento é de quase 350% em comparação aos 16 anos anteriores, quando 331 municípios haviam sido integrados.. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (24), no município de Rio dos Cedros (SC), durante o encerramento da terceira edição do Projeto ConSIM. A iniciativa orienta tecnicamente consórcios públicos de municípios, em serviços de inspeção de produtos de origem animal dos consorciados
 O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, marcou presença na cerimônia de encerramento desse ciclo do ConSIM. Na ocasião, também foram lançados o e-SISBI 2.0 e o projeto “SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil”, em parceria com o Sebrae (ver abaixo). A programação também contou com a entrega de máquinas e equipamentos do Programa de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), iniciativa do Mapa que fortalece a produção local e moderniza as atividades agropecuárias em diversos municípios.

Resultados do Projeto ConSIM 3

O Projeto ConSIM, voltado ao fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), apoia consórcios intermunicipais no processo de adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). A iniciativa exerce papel estratégico na expansão da agroindústria brasileiro ao oferecer oportunidades para que agroindústrias familiares alcancem mercados além dos limites locais.
 
Nesta 3ª edição do ConSIM, que compreendeu o ciclo 2024/2025, foram integrados 33 consórcios públicos municipais ao Sisbi-POA, abrangendo 593 municípios de 12 estados:
●     Minas Gerais (MG);
●     Alagoas (AL);
●     Bahia (BA);
●     Espírito Santo (ES);
●     Mato Grosso do Sul (MS);
●     Mato Grosso (MT);
●     Paraíba (PB)
●     Pernambuco (PE);
●     Rondônia (RO);
●     Rio Grande do Sul (RS);
●     Santa Catarina (SC);
●     São Paulo (SP).
 
O ministro Fávaro destacou os avanços do Sisbi-POA e os impactos positivos para produtores e consumidores.
 
“Hoje são 1.488 municípios que já podem vender os produtos da agricultura familiar em qualquer lugar do território nacional. E nós vamos juntos nessa parceria – o Ministério da Agricultura, os consórcios municipais, o SEBRAE – atingir, pelo menos, entre 2.500 e 3 mil municípios nesse período do governo do presidente Lula. Todos podem e devem se cadastrar no sistema SISM. Com isso, nós vamos gerar muitas oportunidades, começar a gerar emprego e renda no campo”, pontuou.
  “Estamos vivendo um momento histórico. O Sisbi amplia as oportunidades dos pequenos produtores, assegura alimentos de qualidade para os consumidores e já alcança mais de 1.400 municípios. Até o próximo ano, queremos chegar a 2.500, fortalecendo a renda no campo e a economia nas cidades, com mais segurança e competitividade para a produção brasileira”, complementou o ministro.

Plataforma digital e-Sisbi 2.0

Anunciada no evento, a plataforma digital e-Sisbi 2.0 pretende potencializar ainda mais os resultados. A inovação, além de modernizar e automatizar todo o processo de integração, desde o cadastro até a análise final, reduz pendências e acelera prazos para permitir a homologação em tempo recorde dos 33 consórcios agora incluídos.
 

Projeto SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil

Na programação, o ministro Carlos Fávaro, ao lado do presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, lançou o Projeto SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil. A iniciativa, fruto da parceria entre o Mapa e o Sebrae, tem como objetivo acelerar a formalização das agroindústrias de pequeno porte e fortalecer os Serviços de Inspeção Municipal (SIM). Além disso, o projeto busca ampliar a integração dos estabelecimentos ao Sisbi-POA, para promover maior competitividade e acesso a mercados. Ao integrar inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento econômico local, transforma desafios estruturais em oportunidades concretas de crescimento para a agricultura familiar

Entregas de máquinas Promaq

Durante o evento, foram entregues quatro máquinas, totalizando 13 equipamentos, entre rolos compactadores, retroescavadeiras e tratores. O investimento de R$ 5,1 milhões, beneficiará os seguintes municípios de Santa Catarina:
●     Luiz Alves;
●     Paraíso;
●     Sangão;
●     Alfredo Wagner;
●     Santa Terezinha do Progresso;
●     Iomerê;
●     Armazém;
●     Bela Vista do Toldo;
●     Florianópolis;
●     Monte Carlo;
●     Santo Amaro da Imperatriz;
●     Anita Garibaldi;
●     São Miguel do Oeste.
Os equipamentos contribuem para a mecanização agrícola, o aumento da produtividade, a redução dos custos de produção e a promoção da sustentabilidade no campo. Além de ampliar a qualidade de vida no meio rural e levar infraestrutura a áreas menos assistidas.

 Brasil 61

Adriana Birolli revela detalhes do vestido de casamento

   Adriana Birolli está prestes a viver um dos momentos mais especiais de sua vida. A atriz se prepara para o casamento com Ivan Zettel, que acontece no próximo dia 28, na Casa do Alto, no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro. Em entrevista ao gshow, a atriz revelou alguns detalhes do vestido, considerado por ela o grande destaque da cerimônia. A peça foi criada pelo Artha Atelier, de Curitiba, cidade natal da atriz, com acompanhamento do stylist Dudu Farias e da irmã de Adriana, Letícia Birolli. Segundo a noiva, o modelo será único, mas terá transformações ao longo do evento, adaptando-se a diferentes momentos da celebração.

Vou usar apenas um vestido, que vai se transformar ao longo do evento. Ele será leve e, também, apoteótico! Tudo feito em musseline de seda e com aplicações manuais de rendas“, contou Adriana, ressaltando o cuidado em cada detalhe. O desenho promete leveza em movimento, sem perder a dramaticidade clássica que a noiva deseja.

O casamento de Adriana Birolli

Tanto a cerimônia religiosa quanto a festa serão realizadas no mesmo local, em meio à natureza da Casa do Alto. Adriana será conduzida até o altar pelo pai, Anselmo Ferreira, e terá como daminhas as sobrinhas Liz, de 13 anos, e Joana Birolli, de 9. As meninas serão responsáveis por levar as alianças no cortejo e entregá-las aos noivos no momento da troca.

O casamento será celebrado por Diogo Camargos, amigo próximo do casal. “Lá vai acontecer a cerimônia e a festa. O espaço é lindo, no meio da floresta, algo que amamos“, destacou a atriz. Para a ambientação, Adriana pediu um cenário repleto de plantas e flores, refletindo sua paixão pela natureza. O responsável pela decoração será Ronaldo Vasconcellos, que cuidará dos detalhes para que o espaço esteja em harmonia com o estilo escolhido pela atriz para este dia especial.

caras

Simone Mendes abre o jogo sobre fãs criativos e presentes inusitados: ‘Os melhores do mundo’

   O São João de 2025 já passou, mas ainda rende histórias marcantes para Simone Mendes (41). A cantora, que brilhou em uma maratona de 20 shows durante o mês de junho com a turnê Cantando Sua História, segue colhendo os frutos do sucesso e relembrando momentos que viralizaram.

    Além do repertório com hits como Me Ama ou Me Larga Saudade Proibida — esta última alcançando o topo do Spotify Brasil —, Simone chamou atenção pelas interações divertidas e emocionantes com o público. Um dos episódios mais comentados foi o reencontro, na Bahia, com Nina, a fã que acidentalmente derrubou Simaria em um show de 2017. Na ocasião, a artista não só perdoou como abraçou a jovem no palco, arrancando aplausos da plateia. “Gratidão por tudo que vivi neste São João”, destacou Simone, reforçando que não guarda mágoas do episódio.

Presentes inusitados dos fãs

Durante entrevista exclusiva à CARAS BrasilSimone contou que os fãs se superaram na criatividade este ano.

“Eu tenho os melhores fãs do mundo! De fato, ganho muitos presentes inusitados e, neste São João, os fãs foram além“, disse, rindo ao recordar que recebeu até uma galinha e um jogo de cozinha.

Apesar da boa vontade, a artista fez um pedido especial:

Apesar de amar e cuidar dos bichinhos com muito amor, pedi para que os fãs não me levem mais animais. Existem burocracias de aeroportos e, o principal, eles sofrem. Cuidem dos bichinhos e continuem me dando panos de prato, potes“, pediu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A galinha Jurema e a coleção de mimos

Os presentes, no entanto, não ficam esquecidos. Simone garantiu que guarda e até usa muitos deles no dia a dia.

caras

Brasília pode deixar de ser a capital do Brasil temporariamente; entenda por que

  A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (25) o Projeto de Lei 358/25, da deputada Duda Salabert (PDT-MG), que transfere simbolicamente a capital da República de Brasília para Belém, no Pará, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), entre os dias 11 e 21 de novembro.

O texto segue agora para análise do Senado.

A COP (Conference of the Parties) é o principal fórum internacional de discussão sobre mudanças climáticas. Desde 1995, a COP reúne todos os anos líderes mundiais, cientistas, empresas e organizações da sociedade civil. Conforme a proposta aprovada, durante a COP30, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém para conduzir suas atividades institucionais e governamentais.

Parecer favorável

O relator, deputado José Priante (MDB-PA), recomendou a aprovação do projeto. “Não é uma novidade no Brasil, já aconteceu em 1992, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro, numa sinalização nacional e internacional de que todas as atenções do país deveriam estar voltadas para aquele grande evento”, relembrou.

“A COP30 configura-se como o maior evento das Nações Unidas para discussão e negociações sobre o regime internacional da mudança do clima”, disse Priante. “O evento consolidará o Brasil na vanguarda da diplomacia climática e ambiental, posição historicamente ocupada pelo país desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92)”, destacou o relator.

Outros pontos

Pelo texto, despachos e atos do presidente da República e dos ministros de Estado assinados durante a COP30 deverão ser referenciados como ocorridos em Belém. O Poder Executivo deverá regulamentar a futura lei, estabelecendo as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária. “A medida não é só um gesto simbólico, é um compromisso do Brasil com agenda climática e o desenvolvimento sustentável”, afirmou Duda Salabert na sessão do Plenário. “Transferir a capital para Belém é uma forma de colocar a região amazônica no centro das decisões políticas globais”, continuou a deputada.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Aprovação ao STF sobe após condenação de Bolsonaro; rejeição à Câmara dispara, segundo pesquisa

  Pesquisa Pulso Brasil/Ipespe divulgada nesta quinta-feira (25) aponta que o Supremo Tribunal Federal (STF) melhorou sua imagem junto à população após condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pela trama golpista.  Segundo o levantamento, em julho, quando Bolsonaro e outros réus do núcleo crucial da tentativa de golpe ainda não tinham ido a julgamento, a aprovação do STF era de 43% e subiu para 46% após a condenação da organização criminosa – um aumento de 3 pontos percentuais. Já a desaprovação fez caminho contrário e caiu: foi de 49% para 45%. 

Rejeição à Câmara dispara 

A rejeição à Câmara dos Deputados, por sua vez, disparou após a aprovação da “PEC da Bandidagem”, que visa blindar parlamentares de investigações, e articulações para aprovar anistia aos golpistas.  Segundo a pesquisa Pulso Brasil/Ipespe, em julho a aprovação da Câmara junto à população era de 24% e, em setembro, despencou para 18%. Já a desaprovação subiu 7 pontos percentuais: era de 63% e agora chega a 70%. 

Lula aumenta popularidade 

O mesmo levantamento mostrou ainda que a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a crescer e chegou a 50%. O índice supera numericamente a desaprovação à administração federal, registrada em 48%. Na comparação com a pesquisa divulgada em julho, a avaliação positiva do governo avançou sete pontos percentuais, enquanto a desaprovação recuou três pontos. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 19 e 22 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95,45%.

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VÍDEO: Boulos desmascara Tarcísio e revela plano do governador de SP para o Brasil

  O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), busca construir uma imagem de “bolsonarista moderado” e, assim, receber a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro para ser o candidato da extrema direita à Presidência da República.

No entanto, o próprio Tarcísio de Freitas mostrou que, de moderado, não tem nada. Na manifestação de 7 de Setembro, em São Paulo, ele disparou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o classificou como “tirano” — discurso raiz do bolsonarismo. Diante disso, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), em um rápido e irônico vídeo, desmascarou Tarcísio e revelou qual é o real projeto político do governador, que tenta vender a imagem de “moderado”. “O governador de São Paulo só pensa naquilo: ser o candidato da direita em 2026. Ele já conseguiu o apoio do Centrão e dos bilionários. Só tem um problema: Bolsonaro não larga o osso. O golpista está fazendo de tudo para escapar da cadeia, e a base bolsonarista ainda sonha com ele como candidato”, afirma Boulos. Em seguida, Boulos destaca que Tarcísio de Freitas abandonou o estado de São Paulo: “Agora, o grande desafio do Tarcísio é conquistar o posto de candidato sem desagradar os bolsonaristas. Ele já deixou São Paulo pra lá, tirou a máscara, ataca o STF e só fala em anistia. Entrou na linha de frente pela impunidade aos golpistas e aplaude o tarifaço de Trump. O Tarcísio mente sobre os seus reais objetivos.”

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A ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM

                   Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições

INTRODUÇÃO
Nesta lição, encerramos o trimestre analisando um dos momentos mais cruciais da história da Igreja Primitiva: a Assembleia de Jerusalém. Diante de um sério conflito sobre se os gentios convertidos precisavam seguir a lei judaica para se salvarem, os líderes da igreja se uniram em busca de uma solução. O objetivo era preservar a essência da salvação pela graça e, ao mesmo tempo, manter a unidade do Corpo de Cristo. Veremos como esses homens de Deus, guiados pelo Espírito Santo, tomaram uma decisão sábia, que se tornou um marco para o futuro da fé cristã. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nenhum peso maior que estes poucos requisitos: abstenham-se de comer alimentos oferecidos a ídolos, de consumir o sangue ou a carne de animais estrangulados, e de praticar a imoralidade sexual. Farão muito bem se evitarem essas coisas. “Que tudo lhes vá bem.” (At 15.28,29 NVT). Atos 15 não marca o fim da igreja de Jerusalém, mas o começo da descentralização do cristianismo para alcançar o mundo. O foco de Lucas, após Atos 15, se desloca de Jerusalém para as viagens missionárias de Paulo (At 16–28).
Esboço Exegético-Teológico de Atos 15.1–29
I. Conflito em Antioquia e a questão da circuncisão 15.1–5
A. (v. 1) Conflito introdutório.
B. (vv. 2-3) Envio de Paulo e Barnabé a Jerusalém.
C. (v. 4-5) Recepção em Jerusalém.
II. O Concílio e os discursos de Pedro, Barnabé, Paulo e Tiago 15.6–21
A. (v. 6) Reunião formal dos líderes.
B. (vv. 7-11) Discurso de Pedro.
C. (v. 12) Testemunho de Barnabé e Paulo.
D. (vv. 13-21) Discurso de Tiago (irmão do Senhor).

III. Carta e envio dos Delegados a Antioquia 15.22–29
A. (vv. 22-23) Decisão colegiada e carta oficial.
B. (vv. 24-27) Conteúdo da carta.
C. (vv. 28-29) Requisitos para os gentios.

VERDADE PRÁTICA
Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente. A Igreja como organismo é o corpo vivo de Cristo, gerado pela Palavra e pelo Espírito, composto por pessoas regeneradas e unidas em uma só fé e um só batismo. Sua identidade nasce de cima. Ela é uma realidade espiritual, relacional e dinâmica, na qual Cristo é a Cabeça, o Espírito é o princípio de vida e os crentes são membros interdependentes que recebem dons para edificação mútua e crescimento em santidade e amor. Essa vida interior se manifesta em fé, arrependimento, comunhão, serviço, mutualidade e missão entre as nações. A Igreja como organização é a forma visível e ordenada desse mesmo corpo no tempo e no espaço. Ela se expressa por liderança reconhecida, decisões colegiadas, regras de convivência, disciplina e responsabilidade recíproca, para proteger a verdade do evangelho, promover a unidade e orientar os irmãos em direção a vontade de Deus. Trata-se da dimensão institucional e funcional da Igreja no mundo, na qual Cristo governa por meio de oficiais, assembleias e normas que visam servir a vida do corpo, e não substituí-la.
Como organização
Como organismo
1. Visível: estruturas, membros, práticas e decisões públicas.
1. Invisível no sentido espiritual: união com Cristo.
2. Local: igrejas situadas no tempo e no espaço.
2. Universal: um só corpo em Cristo, além de fronteiras e culturas.
3. Ordenada por meios humanos: oficiais, regras e processos (debaixo da Palavra).
3. Gerada divinamente: obra do Espírito que regenera e une em Cristo.
4. Histórica e contingente: sujeita a mudanças, reformas e contextos.
4. Perpétua no propósito de Deus: permanece através da história e na consumação.
5. Mista e imperfeita: santos ainda em processo, com falhas e limitações.
5. Perfeita em Cristo: santidade e unidade plenas, consumadas na glória.
6. Governança e responsabilidade: decisões colegiadas e disciplina.
6. Vida e crescimento: dons, fruto do Espírito e edificação mútua.
7. Sinais visíveis: pregação, ordenanças e confissão pública.
7. Graça interior: fé, arrependimento e comunhão com Deus.

1. A QUESTÃO DOUTRINÁRIA
1.1 O relatório missionário.
A LIÇÃO DIZ: A questão doutrinária que se tornou objeto de discussão no Concílio de Jerusalém, abordada no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, teve seu início na igreja de Antioquia. Ela começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à igreja de Antioquia um relatório sobre a Primeira Viagem Missionária que haviam realizado. Nesse relatório, os missionários narraram o que Deus havia feito entre os gentios e como estes aceitaram a fé (At 14.27). O relatório deixa implícito que a salvação dos gentios ocorreu inteiramente pela graça de Deus, sem que nenhuma exigência da Lei, como a circuncisão, fosse imposta a eles. Em outras palavras, a salvação é um dom de Deus, concedido inteiramente por sua graça.
Vamos ao texto bíblico:
Atravessando a Pisídia, Paulo e Barnabé se dirigiram à Panfília. E, tendo anunciado a palavra em Perge, foram para Atália e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que agora tinham terminado. Quando chegaram a Antioquia, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus havia feito com eles e como tinha aberto aos gentios a porta da fé. E permaneceram muito tempo com os discípulos. (At 14.24-27 NAA). Sobre essa passagem bíblica, Lopes (2012, p. 275-276) comenta:
Passos resolutos foram dados pela igreja no sentido de alcançar os gentios para Cristo por intermédio da pregação do evangelho. O primeiro passo na direção dos gentios começou em Cesareia, com a conversão do prosélito Cornélio e sua casa. Quando a igreja de Jerusalém ouviu o relato de Pedro acerca dessa conversão, trocaram a murmuração pela adoração (11.18). O segundo passo na direção dos gentios aconteceu quando crentes anônimos evangelizaram os gregos em Antioquia (11.20) e a igreja de Jerusalém enviou Barnabé a essa terceira maior cidade do império romano. Este, vendo a graça de Deus, alegrou-se (11.23). O terceiro passo é a primeira viagem missionária realizada por Paulo e Barnabé, quando eles se voltam para os gentios (13.46). Em cada cidade visitada, levavam Cristo a judeus e gentios (14.1, 27). John Stott é categórico em afirmar: “A missão entre os gentios estava ganhando ímpeto. As conversões dos gentios, que antes pareciam gotas, estavam se transformando rapidamente em correnteza”. É hora de voltar para casa. É hora de recarregar as baterias. É hora de testemunhar os grandes feitos de Deus na obra missionária. Paulo e Barnabé, retornam a Antioquia da Síria. Imagine a alegria de uma igreja que enviou missionários, orou por eles, sustentou-os, e agora os vê voltar contando maravilhas: cidades alcançadas, pessoas transformadas, milagres acontecendo, “a porta da fé aberta aos gentios” (At 14.27). Esse foi o clima em Antioquia quando Paulo e Barnabé chegaram da sua primeira viagem missionária.
Pensando no texto de forma expositiva:
   Esses bravos missionários fizeram três coisas importantes ao retornarem à igreja que os encaminhara à obra missionária.
1.1.1 Em primeiro lugar, eles relataram as intervenções extraordinárias de Deus na vida deles (14.27).
1.1.2 Em segundo lugar, eles relataram como Deus abriu aos gentios a porta da fé (14.27). O sucesso da obra missionária não foi devido ao poder inerente dos missionários nem a seus métodos. Foi Deus quem abriu aos gentios a porta do evangelho.
1.1.3 Em terceiro lugar, eles permaneceram muito tempo com os discípulos (14.28). Não há trabalho missionário desconectado da igreja local. Não há ministério itinerante sem a ligação com a igreja. Paulo e Barnabé precisam da igreja, e a igreja precisa dos missionários.
  No entanto, no meio da festa e de todo aquele clima de alegria, surge uma tensão: “Será que esses novos convertidos são realmente parte da família de Deus, mesmo sem guardar as tradições da Lei?” Essa pergunta simples se tornou uma das maiores crises da história da Igreja primitiva.
1.2 O legalismo judaizante.
A LIÇÃO DIZ: Lucas mostra que um grupo de judaizantes se sentiu incomodado com o relatório dos missionários (At 15.1). Esse grupo, composto por fariseus supostamente convertidos à fé, que haviam vindo de Jerusalém para Antioquia, se opôs ao ingresso de gentios na Igreja sem que estes, antes, cumprissem as exigências da Lei. Houve, portanto, um confronto entre esse grupo judaizante e os missionários Paulo e Barnabé. A questão tomou grandes proporções, correndo o risco até mesmo de dividir a igreja em Antioquia, o que exigia uma resposta rápida por parte da liderança. Contudo, por se tratar de um tema complexo e de amplo alcance, a igreja de Antioquia considerou adequado remeter a questão para Jerusalém, a igreja-mãe, onde o assunto seria analisado e amplamente discutido pelos apóstolos e presbíteros (At 15.2).
Vamos ao texto bíblico:
Alguns indivíduos que foram da Judeia para Antioquia ensinavam aos irmãos: — Se vocês não forem circuncidados segundo o costume de Moisés, não podem ser salvos. (At 15.1 NAA). É importante observar que a carta aos Gálatas precede o Concílio de Jerusalém. Durante o período que permaneceu em Antioquia ou mesmo a caminho de Jerusalém, Paulo escreveu esta epístola para combater exatamente a influência perniciosa desses falsos mestres judaizantes que perturbavam a igreja com a pregação de outro evangelho, que de fato não era evangelho (Gl 1.6–9). A influência desses falsos “irmãos” que desceram de Jerusalém, alegando enganosamente que estavam representando Tiago, foi tão forte que até mesmo Pedro e Barnabé foram afetados por eles (Gl 2.11–14). Contudo, diante da repreensão de Paulo, ambos voltaram à sensatez, e se uniram a Paulo no Concílio de Jerusalém, em defesa do evangelho de Cristo e rejeição às ideias dos judaizantes (15.7–12).
Os judaizantes eram judeus que haviam crido em Jesus como Messias, mas continuavam firmemente ligados à tradição mosaica. Como observa David Peterson, Lucas evita chamá-los de apóstolos ou presbíteros, pois eles não representavam a liderança oficial da igreja de Jerusalém, mas um grupo particular que defendia sua própria interpretação. Para eles, a fé em Cristo não era suficiente sem a observância da Lei, sobretudo da circuncisão. Quanto ao conteúdo do que eles pregavam, o texto bíblico é claro: “Se não forem circuncidados, segundo o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos” (At 15.1). Não se tratava apenas de uma questão cultural ou de convivência, mas de um requisito de salvação. Darrell Bock sublinha que essa exigência transformava o evangelho em algo condicionado a uma obra humana, acrescentando um rito da Lei como passo indispensável para a salvação. A a questão em jogo era a própria essência do evangelho: somos salvos pela graça de Cristo ou por Cristo mais Moisés? Por que esses legalistas eram tão perigosos? Warren Wiersbe responde que eles tentavam misturar a lei e a graça e colocar vinho novo em odres velhos e frágeis (Lc 5.36–39). Costuravam o véu rasgado do santuário (Lc 23.45) e colocavam obstáculos no caminho novo e vivo para Deus, aberto por Jesus através de sua morte na cruz (Hb 10.19–25). Reconstruíram o muro de separação entre judeus e gentios que Jesus derrubou no Calvário (Ef 2.14–16). Colocavam o jugo pesado do judaísmo sobre os ombros dos gentios (15.10; Gl 5.1) e pediam que a igreja saísse da luz e fosse para as sombras (Cl 2.16,17; Hb 10.1). Argumentavam: “Antes de se tornar um cristão, o gentio precisa tornar-se judeu! Não basta simplesmente crer em Jesus Cristo. Também é preciso obedecer à lei de Moisés!”. O lema desses mestres judaizantes era “Jesus e circuncisão”.

2. O DEBATE DOUTRINÁRIO
2.1 Uma questão crucial.
A LIÇÃO DIZ: A questão gentílica chegou a Jerusalém para ser tratada. Contudo, os judaizantes, que ali se encontravam, deixaram claro que a igreja deveria circuncidar os gentios convertidos e ordenar que eles “guardassem a lei de Moisés” (At 15.5). No entendimento desse grupo, sem a observância da Lei, ninguém podia se salvar. Pedro é o primeiro a ver a gravidade da questão e percebe que ela não pode ser tratada de forma subjetiva. A questão deveria ser tratada com a objetividade que o caso exigia, e a experiência da salvação dos gentios em Cesareia, ocorrida anos antes, deveria servir de parâmetro (At 10.1-46). Pedro, então, evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós” (At 15.8).
Tendo surgido um conflito e grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, foi resolvido que esses dois e mais alguns fossem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, para tratar desta questão. Encaminhados, pois, pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. Quando chegaram a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros, a quem relataram tudo o que Deus havia feito com eles. Mas alguns membros do partido dos fariseus que haviam crido se insurgiram, dizendo: — É necessário circuncidá-los e ordenar-lhes que observem a lei de Moisés. (At 15.2-5 NAA).
Vamos destacar alguns pontos:
2.1.1 O embate. Lucas emprega o termo grego stasis, ou “sedição”, para descrever a ferrenha controvérsia. Paulo e Barnabé enfrentam esses falsos mestres. Não aceitam essa imposição herética e defendem a verdade com todo o vigor. O embate tomou proporções tão grandes que a igreja de Antioquia não seria o local adequado para a resolução dessa questão. Portanto, os irmãos são enviados a igreja mãe que ficava em Jerusalém para discutirem essa causa.
2.1.1.1 Uma coisa é o debate entre pré-tribulacionismo e pós-tribulacionismo, tricotomia e dicotomia, arminianismo e calvinismo, pois se trata de perspectivas possíveis nas Escrituras em matérias secundárias. Algo distinto, porém, diz respeito a temas como ideologia de gênero, aborto, e as doutrinas da suficiência, inspiração e inerrância das Escrituras, bem como a salvação pela fé. Nesses pontos, não há margem legítima para aceitação no âmbito da fé cristã bíblica, e a Igreja não deve aceitá-los como passíveis de negociação.
2.1.2 A viagem. Antioquia fica a cerca de 400 km de Jerusalém, de sorte que em vez de viajarem diretamente para lá, eles decidiram parar nas igrejas de Fenícia (na costa da Síria; Tiro e Sidom ficam em Fenícia) e Samaria (entre Galileia e Judeia) e reportam sobre os recentes avanços que tiveram no ministério aos gentios. O termo para “conversão” (somente aqui no Novo Testamento) é epistrophē e indica uma “transformação” a partir dos deuses pagãos para Cristo. Esse relato sobre o sucesso da missão aos gentios resulta em grande alegria em todas as igrejas, mostrando que além de concordarem com Paulo também estavam encantadas com a possibilidade de uma participação plena dos gentios na igreja. Os judaizantes eram claramente o partido minoritário na igreja como um todo.
2.1.2.1 Fica evidente que um grupo, ainda que pequeno, pode causar grande perturbação a igreja.
2.1.3 A recepção dos apóstolos e presbitérios. Os missionários e seus companheiros chegam a Jerusalém e são oficialmente recebidos pelos apóstolos e presbíteros da igreja. Supomos que os apóstolos estavam proclamando o evangelho em numerosos lugares. Para essa reunião, entretanto, foi lhes pedido que se encontrassem em Jerusalém. Por exemplo, Pedro, que partira de outro local (12.17), retorna à cidade santa e assume ali a função de liderança. Tiago está presente e também João (Gl 2.9). Note-se que a igreja antioquense nomeou Paulo e Barnabé para se reunirem com os apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Ao ali chegarem, os missionários são recebidos oficialmente como iguais pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros. Isso indica a união fundamental da igreja cristã.
2.1.4 A recepção dos fariseus. Não podemos determinar se os judaizantes que tinham visitado a igreja em Antioquia haviam retornado a Jerusalém. Sozinho, esse ponto é irrelevante, mas membros do partido dos fariseus que haviam se tornado cristãos reagem pronta e negativamente ao relatório dos missionários. Eles nem mesmo esperam que os apóstolos e presbíteros formulem uma resposta aos missionários que representam a igreja antioquense. Determinam que todos os cristãos, quer judeu ou gentio, sejam obrigados a obedecer a toda a lei de Moisés, e isso inclui a circuncisão. John Albert Bengel observa: “Era mais fácil fazer um cristão de um gentio do que sobrepujar o falso ensino dos fariseus”.
2.1.4.1 Os fariseus que haviam crido em Jesus eram genuínos convertidos, mas ainda carregavam consigo os óculos da Lei. Eles não negavam a fé em Cristo, mas não conseguiam concebê-la sem o complemento da Torá. Para eles, Jesus era necessário, mas não suficiente. Esse apego mostra que falsas seguranças religiosas, quando profundamente enraizadas, não desaparecem da noite para o dia.
2.2. A experiência do Pentecostes na fé dos gentios.
A LIÇÃO DIZ: O derramamento do Espírito sobre os gentios, anos antes, em Cesareia, na casa de Cornélio (At 10), havia sido uma experiência objetiva, física e observável por todos os presentes ali (At 10.44-46; At 2.4). Pedro espera que seu argumento seja aceito da mesma forma que fora aceito, anos antes, pelos judeus que haviam questionado a salvação dos gentios de Cesareia.
Vamos ao texto bíblico:
Então os apóstolos e os presbíteros se reuniram para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e disse: — Irmãos, vocês sabem que, desde há muito, Deus me escolheu entre vocês para que da minha boca os gentios ouvissem a palavra do evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também o havia concedido a nós. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes o coração por meio da fé. Agora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles. (At 15.6-11 NAA). O apóstolo Pedro foi uma peça fundamental no esclarecimento da verdade. Era um líder na igreja. Sua palavra tinha muito peso. Pedro já enfrentara um sério problema em Antioquia, quando deixou de ter comunhão com os crentes gentios e foi duramente exortado por Paulo (Gl 2.11–14). Agora, revelando humildade, posiciona-se firmemente contra a bandeira levantada pelos fariseus.
Na defesa de Pedro, quatro verdades são proclamadas:
2.2.1 Deus escolheu Pedro para abrir a porta da fé aos gentios (15.7). O Senhor Jesus colocou nas mãos de Pedro as chaves do reino (Mt 16.19) e ele as usou para abrir a porta da fé aos judeus (2.14–36), aos samaritanos (8.14–17) e aos gentios (10.1–48). Em outras palavras, Pedro pregou aos judeus no Pentecostes, aos samaritanos em Samaria e ao gentio Cornélio em Cesareia.
2.2.2 Deus enviou o Espírito Santo aos gentios (15.8). Quando os gentios creram em Cristo, Deus confirmou a legitimidade dessa experiência, enviando-lhes o Espírito. O Espírito não foi dado aos gentios pela observância da lei, mas pelo exercício da fé (10.43–46; Gl 3.2).
2.2.3 Deus eliminou uma diferença (15.9). Deus não faz diferença entre judeus e gentios. A salvação é concedida não como resultado das obras nem por causa da raça. Deus trata tanto judeus como gentios da mesma maneira.
2.2.4 Deus removeu o jugo da lei (15.10). A declaração mais enfática de Pedro e sua exortação mais contundente foi acerca da remoção do jugo da lei. A lei pesava sobre os judeus, mas esse jugo havia sido removido por Jesus (Mt 11.28–30; Gl 5.1–10; Cl 2.14–17). A lei não tem poder de purificar o coração do pecador (Gl 2.21), de conceder o dom do Espírito (Gl 3.2), nem de dar vida eterna (Gl 3.21). Aquilo que a lei era incapaz de fazer, Deus realizou por meio do seu próprio Filho (Rm 8.1–4). O discurso de Pedro tem o mesmo efeito que sua palavra tivera no passado, após os acontecimentos na casa de Cornélio. Naquela ocasião, apaziguaram-se (11.18). Agora toda a multidão silenciou (15.12).
2.3 A fundamentação profética da fé gentílica.
A LIÇÃO DIZ: Enquanto Pedro recorreu à experiência do Pentecostes como sinal de validação da fé gentílica. Por outro lado, Tiago, o irmão do Senhor Jesus, recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para ele, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas: “E com isto concordam as palavras dos profetas” (At 15.15).
Vamos ao texto bíblico:
Depois que eles terminaram, Tiago tomou a palavra e disse: — Irmãos, ouçam o que tenho a dizer. Simão acaba de relatar como, primeiramente, Deus visitou os gentios, a fim de constituir entre eles um povo para o seu nome. Com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito: “Depois disso, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; reedificarei as suas ruínas e o restaurarei. Para que o restante da humanidade busque o Senhor, juntamente com todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde os tempos antigos.” (At 15.13-18 NAA).
Tiago, líder da igreja em Jerusalém, cita Amós 9.11-12 para demonstrar que a restauração do “tabernáculo de Davi”, isto é, a reconstituição do povo de Deus em Cristo, inclui também os gentios. A promessa não se restringe a Israel; ela visa que “o restante da humanidade busque o Senhor, juntamente com todos os gentios” (At 15.17). Assim, Tiago articula a experiência apostólica com o testemunho profético: a fé dos gentios não é acréscimo tardio, mas parte do desígnio divino anunciado desde o princípio e agora confirmado em Cristo. Tiago desenvolveu o seguinte argumento: primeiro, Deus visitaria os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. Essa era a realidade que estavam vivendo naqueles dias (e ainda estamos nos dias de hoje). A igreja estava sendo formada pela inclusão de convertidos gentios e judeus. Aquilo que estava acontecendo no tempo dos apóstolos em pequena escala (a salvação dos gentios) ocorreria posteriormente em grande escala. Cristo voltaria, restauraria Israel como nação e salvaria todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o seu nome. Para Tiago, os acontecimentos de sua época eram a primeira visitação de Deus aos gentios. A seu ver, tal visitação inicial estava em perfeita harmonia com a predição de Amós, a saber, a futura visitação dos gentios quando Cristo voltar como Rei. Apesar de não serem idênticos, os dois acontecimentos conferiam.
Observe, então, a ordem dos acontecimentos:
2.3.1 O chamado dos gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome (v. 14) durante a presente era da graça.
2.3.2 A restauração da parte do povo de Israel que crer por ocasião da segunda vinda de Cristo (v. 16).
2.3.3 A salvação das nações gentias depois da restauração de Israel (v. 17). Esses gentios são chamados de todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome.

3. A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM
3.1 O Espírito na Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: É digno de nota o papel atribuído ao Espírito Santo na tomada de decisões da Igreja: “[…] pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). O Espírito Santo não era apenas visto como uma doutrina na Igreja, mas como uma pessoa com participação ativa nela. A conferência de Jerusalém foi dirigida pelo Espírito Santo. Jesus prometera que o Espírito Santo guiaria os fiéis em toda a verdade (Jo 16.13). As decisões da igreja não devem ser tomadas pelo homem apenas; este deve buscar a direção do Espírito, mediante oração e jejum e a fidelidade à Palavra de Deus até que a vontade divina seja claramente discernida (cf. At 13.2-4). A igreja, para ser realmente a igreja de Cristo, deve ouvir o que o Espírito diz às igrejas locais (cf. Ap 2.7).
A Bíblia do pregador pentecostal diz que a orientação do espírito Santo era constante:
3.1.1 Será que estamos reconhecendo a direção do Espírito Santo nas nossas reuniões ministeriais de hoje? Será que estamos primando pela direção do Espírito Santo nos nossos cultos de hoje? Será que estamos dando primazia à presença do Espírito Santo em nossas igrejas? Desde o momento em que o Espírito Santo desceu em At 2.1-4, por ocasião do Dia de Pentecostes, os apóstolos e a Igreja nada faziam sem a chancela do Espírito Santo.
3.1.2 Em At 4.31, as reuniões de oração da Igreja Primitiva tinham a chancela do Espírito Santo. A escolha de obreiros para auxiliar no ministério eclesiástico tinha a chancela do Espírito Santo (At 6.3).
3.1.3 Cada nova congregação que era inaugurada precisava ser confirmada com a chancela do Espírito Santo (At 8.14-17). Em At 8.29-40, a obra de evangelização tinha a chancela do Espírito Santo.
3.1.4 Em At 9.1-17, cada novo membro do corpo de Cristo e cada vaso escolhido por Deus era confirmado com a chancela do Espírito Santo.
3.1.5 Em At 10.44-48, a primeira congregação gentílica precisou da chancela do Espírito Santo para que fosse reconhecida como obra de Deus. Em At 11.22-26, a recém-fundada congregação de Antioquia precisou da chancela do Espírito Santo.
3.1.6 Em At 13.1-4, o primeiro projeto de missões transculturais da Igreja precisou da chancela do Espírito Santo.
3.1.7 Em At 15.28, a Primeira Convenção Geral do Cristianismo foi concluída com a chancela do Espírito Santo.
3.1.8 Em At 16.6-10, as áreas geográficas a serem evangelizadas precisavam da chancela do Espírito Santo.
3.1.9 Em At 19.1-6, o trabalho missionário estabelecido em cada cidade precisava da chancela do Espírito Santo.
3.1.10 Em At 20.28, o ministério da Igreja foi constituído pelo Espírito Santo e tinha a chancela do Espírito Santo para apascentar a Igreja de Deus.
3.2 A orientação do Espírito na Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: O texto de Atos 15.28 não nos diz como era feita a orientação do Espírito na primeira Igreja; contudo, a observação feita por Lucas, de que Judas e Silas “eram profetas” (At 15.32) e que eles fizeram parte da comissão que levou a carta com a decisão tomada pela Assembleia, indica que o Espírito Santo se manifestava na Igreja por meio de seus dons (cf. At 13.1-4). Keener destaca quatro formas de atuação do Espírito em Atos 15:
3.2.1 Pela experiência passada: Pedro lembra que Deus deu o Espírito aos gentios (15.8). O Espírito já havia mostrado sua posição, aceitando os incircuncisos antes de qualquer concílio.
3.2.2 Pelos sinais da missão: Paulo e Barnabé relatam milagres e conversões entre gentios (15.12), o que reforça a confirmação divina.
3.2.3 Pela Escritura interpretada à luz do Espírito: Tiago cita Amós 9.11-12 (15.15-18), mostrando que a obra do Espírito está em continuidade com o plano profético de Deus.
3.2.4 Pelo consenso comunitário: O acordo final, expresso em forma de carta, é apresentado como fruto do discernimento conjunto, mas reconhecido como vindo do Espírito. Complementando as possibilidades apontadas por Keener, o pastor José Gonçalves sugere uma quinta hipótese: por meio dos dons espirituais, o Espírito Santo teria confirmado que a decisão tomada pela Igreja era, de fato, a que agradava a Deus. Trata-se de uma leitura plausível a partir do próprio texto bíblico. Como pentecostais, afirmamos que o Espírito fala ao seu povo; entretanto, é imprescindível manter o devido critério para que decisões eclesiais relevantes não sejam dirigidas por profecias, mas fundamentadas na Palavra. Se Deus valeu-se de profetas ali presentes para confirmar o veredito da Igreja, então tal orientação profética esteve em plena conformidade com a Escritura, conforme a exposição de Tiago na ocasião (At 15.13–21). Uma profecia não pode contrariar o que está escrito; por isso, cumpre-nos exercer o discernimento, reconhecendo a primazia normativa da Palavra sobre quaisquer manifestações carismáticas. Esse cuidado, não anula os dons e nem diminui sua importância.
3.3 O parecer final da Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: Depois dos intensos debates, o parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (At 15.29). Fica óbvio que a Igreja procurou resolver a questão mantendo-se rigorosamente fiel à doutrina da salvação pela graça, isto é, sem os elementos do legalismo judaico, mas evitando os extremos de rejeitar os irmãos judeus que também compartilhavam da mesma fé. O legalismo deveria ser rejeitado, os crentes judeus, não. Assim, ficou demonstrado que os gentios eram salvos pela graça, mas deveriam impor alguns limites à sua liberdade cristã, a fim de que o convívio com seus irmãos judeus não fosse conflituoso.
Vamos ao texto bíblico:
Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês maior encargo além destas coisas essenciais: que vocês se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e da imoralidade sexual; se evitarem essas coisas, farão bem. Passem bem.” (At 15.28,29 NAA). A salvação, para os primeiros cristãos, não dependia de guardar a Lei de Moisés ou de seguir ritos judaicos. Por isso, os líderes da igreja decidiram que os judaizantes, aqueles que ensinavam o contrário, deveriam ser impedidos de perturbar os gentios (não-judeus). Com essa questão doutrinária resolvida, Tiago e outros líderes voltaram sua atenção para a prática da comunhão. A preocupação não era apenas que os judeus não perturbassem os gentios, mas também que os gentios não ofendessem os judeus. O risco era que, ao celebrarem sua liberdade em Cristo, os gentios pressionassem os crentes judeus a agirem contra suas próprias consciências. Para evitar esse problema, Tiago propôs uma carta aos cristãos gentios, pedindo que se abstivessem de quatro práticas:
3.3.1 Comer carne sacrificada a ídolos: A idolatria era algo extremamente repulsivo para os judeus. O Antigo Testamento está cheio de advertências contra ela, e seus antepassados sofreram graves consequências por causa desse pecado. A carne de animais oferecidos a deuses pagãos e depois vendida nos templos era um problema sério, que mais tarde foi abordado em detalhes por Paulo em suas cartas.
3.3.2 Prostituição: Esse termo se refere tanto ao pecado sexual em geral quanto às práticas licenciosas dos cultos pagãos, onde muitas vezes as sacerdotisas eram prostitutas. Embora seja uma questão moral, evitar a prostituição também era uma forma de mostrar respeito pela sensibilidade dos judeus e pela Lei de Deus.
3.3.3 Comer o que foi sufocado e o sangue: Essas eram leis dietéticas do Antigo Testamento. Embora os cristãos gentios não fossem obrigados a segui-las para a salvação, Tiago as estabeleceu como requisitos mínimos para manter a harmonia na comunhão. A liberdade em Cristo não dá o direito de pecar ou de ofender outro crente. Essas eram transgressões da Lei de Moisés, que era pregada e lida nas sinagogas a cada sábado. Desrespeitá-las desnecessariamente poderia prejudicar a credibilidade da igreja aos olhos dos judeus não-crentes e ofender os crentes judeus. Seria um abuso da liberdade que Cristo concedeu. Depois de resolverem as questões doutrinárias e práticas, os apóstolos e anciãos, com o apoio de toda a igreja, escolheram Judas Barsabás e Silas, homens influentes entre os irmãos, para ir a Antioquia com Paulo e Barnabé. O objetivo era levar a decisão do concílio à igreja de Antioquia, que era um centro importante para o cristianismo gentio. A unanimidade dos apóstolos, anciãos e de toda a igreja reforçou a unidade que caracterizava a comunidade cristã primitiva.

CONCLUSÃO
A Assembleia de Jerusalém representa um momento decisivo na história do cristianismo, atuando como um divisor de águas entre o legalismo judaico e a liberdade do evangelho da graça. A crise, iniciada por judaizantes que exigiam a circuncisão e a obediência à Lei para a salvação dos gentios, ameaçava a própria essência da fé e a unidade da Igreja. No entanto, em vez de se fragmentar, a liderança cristã demonstrou maturidade reunindo-se para deliberar sobre essa questão. A decisão ali tomada não apenas resolveu um grande conflito, mas lançou as bases para uma fé universal, acessível a todas as nações, reafirmando que a salvação é um dom gratuito de Deus, puramente pela graça.

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O que Deus diz sobre a inveja

  Deus diz que a inveja é pecado. Nos textos bíblicos todas as referências sobre a inveja têm uma má conotação. Ela quase sempre é referida como zelo, ciúmes e sempre no mal sentido da palavra.

    

  A inveja é um sentimento forte e mau, que a pessoa tem de querer possuir o que é dos outros. É um sentimento egoísta por parte da pessoa.  Há muitos textos que nos aconselham a não sermos invejosos, justamente por ser ele um sentimento mau. A inveja, também está ligada a cobiça, e faz parte dos 10 mandamentos – Êxodo 20:17.

“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.
– Êxodo 20:17

  Este sentimento nos leva a pecar, a fazermos coisas que até podem ser condenadas pela lei. Quando o apóstolo Tiago fala sobre as guerras que acontecem, ele diz que elas são o resultado de um coração invejoso. Por isso, é muito importante tomar cuidado com esse sentimento.

   O que a Bíblia nos aconselha quanto a esse sentimento:

  1. Não ter inveja dos que praticam a maldade – Salmos 37:1Provérbios 23:17.
  2. Não seguir os seus caminhos – Provérbios 3:31.
  3. Ela apodrece os ossos – Provérbios 14:30.
  4. Ela pode ser incontrolável – Provérbios 27:4.
  5. Traz confusão e toda espécie de coisas ruinsTiago 3:16 descreve que, “Onde há inveja e contenda, aí há perturbação e toda obra perversa”O versículo enfatiza que a inveja e as ambições egoístas resultam em confusão, desordem e males, contrastando-as com a sabedoria que vem do alto, que é pura, pacífica e cheia de bons frutos. 

  Ainda que seja um sentimento ruim e difícil de dominar, infelizmente habita dentro de cada um de nós e nos cabe dominá-lo, como qualquer outro sentimento. Entretanto, é sempre bom lembrarmos das palavras do apóstolo Paulo em Filipenses 2: “considerando os outros superiores a si mesmo.” Quando consideramos os outros, deixamos de pensar só em nós, temos menos inveja e somos duplamente abençoados. Também podemos ser alvo de inveja. A inveja de outra pessoa pode causar problemas em nossa vida, quando essa pessoa se vira contra nós e tenta nos fazer mal. Mas a Bíblia diz que a vingança não é a solução. Devemos orar por quem nos persegue e mostrar amor (Lucas 6:27-28). Assim, todos verão que nossa causa é justa e a pessoa com inveja poderá até se arrepender ao ver nossa atitude.

  Algumas pessoas na Bíblia que tiveram problemas por causa da inveja:

  1. Raquel, por não poder ter filhos, culpando o seu marido Jacó – Gênesis 30.
  2. José, quando foi vendido pelos seus irmãos porque era o preferido do seu pai Jacó – Gênesis 37.
  3. David, quando veio da batalha contra os filisteus, a sua fama se espalhou pelo reino, levando Saul a tentar matá-lo – 1 Samuel 18.
  4. David, quando possuiu Bate-Seba, mulher de Urias, levando-o também a mandar matar o marido – 2 Samuel 11.
  5. Judas e os fariseus quando entregaram Jesus às autoridades – Mateus 27:18.

A inveja é vista na Bíblia como um sentimento reprovável. Este sentimento vem de dentro do próprio homem e o contamina (Marcos 7:22Romanos 1:29).

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Deus não faz acepção de pessoas

   Fazer acepção de pessoas significa tratar certas pessoas de maneira diferente, usando medidas diferentes para julgar. A Bíblia condena a acepção de pessoas, porque diante de Deus todos são iguais. Deus julga a todos com imparcialidade.

  A acepção de pessoas (ou parcialidade, ou fazer diferença entre pessoas) é errada, porque é arbitrária. Em vez de usar a mesma medida, alguém favorece ou desfavorece certas pessoas, criando regras diferentes somente por causa de suas preferências pessoais. Fazer acepção de pessoas é negar a justiça (Tiago 2:9).

   A justiça de Deus e a acepção de pessoas

  Deus não faz acepção de pessoas. Suas leis são justas e imparciais, sem fazer distinções injustas. Não é possível subornar a Deus nem torcer Sua justiça (2 Crônicas 19:7). Debaixo da lei de Deus, todos pecaram e merecem castigo eterno. Da mesma forma, todos que se arrependem e creem em Jesus recebem a salvação (Romanos 3:23-24). Deus é sempre justo e também ama a todos de forma igual, oferecendo a salvação a todo que crê.

Deus não julga pelas aparências. Ele julga o coração e vê aquilo que realmente define o caráter de uma pessoa (1 Samuel 16:7). Presente na Bíblia, afirma que Deus não olha para a aparência ou altura de um homem, mas para o seu coração, contrastando a visão humana com a divinaA passagem explica que o homem vê as coisas exteriores, enquanto o Senhor vê o interior, como demonstrou ao rejeitar um dos filhos de Jessé e escolher Davi como o futuro rei de Israel. 

  A acepção de pessoas na vida cristã.

  Como seres humanos, nós temos tendência para olhar apenas para as aparências. Mas, com a ajuda de Jesus, podemos aprender a ver além das aparências. Não devemos fazer acepção de pessoas.

  É sempre mais fácil favorecer pessoas como nós (ou que admiramos), rejeitando quem é diferente. Mas Jesus veio para destruir as barreiras e unir todo tipo de pessoas em Deus (Gálatas 3:26-28). Nossas diferenças superficiais já não são importantes! Todos temos algo em comum: o amor de Jesus Cristo. A Bíblia diz que fazer acepção de pessoas é pecado. Muitas vezes os ricos são favorecidos e os pobres são desprezados somente por causa de seu dinheiro, seus bens materiais e sua roupa. Mas a Bíblia ensina que os pobres têm dignidade e os ricos não têm motivo para se sentirem superiores. Todos merecem o mesmo respeito e o mesmo amor (Tiago 2:2-4).

 Nossa dignidade não vem de nossas condições sociais, econômicas, políticas… Nós temos dignidade porque Deus nos ama. E nisso somos todos iguais.

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5 benefícios da comunhão entre irmãos na fé

  Vamos ser honestos, nem sempre é fácil conviver com outras pessoas. Ninguém é perfeito, nem mesmo o cristão mais espiritual! Todos cometemos erros. Mesmo assim, somos chamados a viver em comunhão com nossos irmãos cristãos.

O desejo de Jesus para sua Igreja é a união. Com todos os nossos defeitos e fraquezas, nós precisamos uns dos outros. Quem acha que pode ser cristão e seguir Jesus sozinho está muito enganado! Viver em comunhão é uma ordem de Jesus (e uma grande bênção). Somente somos Igreja quando estamos juntos.

A comunhão com nossos irmãos na fé traz vários benefícios:

1. Encorajamento

Encorajamento

Hebreus 10:25

Quando estamos sozinhos e isolados, facilmente caímos no desespero diante das dificuldades da vida. Vêm as dúvidas: será que consigo superar os problemas? Jesus vai mesmo me ajudar? Vale a pena seguir Jesus? E tantas outras perguntas, que abalam nossa fé e nos enfraquecem. Mas quando temos comunhão com nossos irmãos, encontramos encorajamento! Juntos, podemos partilhar nossas experiências e lembrar uns aos outros sobre quanto Deus tem feito. Para as dúvidas que uma pessoa tem, outra pessoa pode ter a resposta. E, quando temos comunhão, encontramos mais motivação para continuar, porque vemos que não estamos sozinhos.

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2. Crescimento

Crescimento

1 Tessalonicenses 5:11

Edificar significa construir. Quando vivemos em comunhão com nossos irmãos, ajudamos uns aos outros a crescer e a ficar maduros. Em Jesus, todos estamos unidos, como os membros de um corpo. Assim como um membro não consegue viver e crescer sem o resto do corpo, nossa vida espiritual definha sem comunhão com nossos irmãos. Se queremos crescer, precisamos ter união com outros cristãos.

Descubra aqui: a igreja é o corpo de Cristo – o que isso significa?

3. Ajuda

Ajuda

Gálatas 6:2  “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Este versículo, escrito pelo apóstolo Paulo, exorta os cristãos a apoiarem-se mutuamente, partilhando as dificuldades, os fardos e os pesos que a vida lhes impõe, cumprindo assim a lei de Cristo, que é o amor ao próximo.  Ser cristão não é fácil! Enfrentamos muitos desafios, dificuldades e tentações. Mas, em Jesus, encontramos a ajuda que precisamos para vencer. Em muitas situações, ele usa outros cristãos para nos ajudar. Todos somos chamados a ajudar uns aos outros. Em vez de enfrentar todos os desafios sozinhos, podemos partilhar a carga com nossos irmãos, agindo em solidariedade.

4. Força

Força

Provérbios 27:17  “Como o ferro afia o ferro, assim o homem afia o seu companheiro”, ensina sobre o valor das relações humanas, especialmente as amizades, para o crescimento e aprimoramento pessoal e espiritualAssim como duas lâminas de ferro se tornam mais afiadas ao serem friccionadas uma na outra, as pessoas se tornam mais maduras e fortes através do convívio e da interação com outros amigos verdadeiros que as incentivam. A união faz a força! Ter comunhão com outros cristãos, crescendo juntos em Cristo, nos fortalece espiritualmente. Quando um cai, o outro ajuda a levantar e aprendemos juntos como enfrentar as dificuldades da vida.

Até os apóstolos mais experientes viajavam em equipe. Eles sabiam que juntos tinham mais força e segurança. Uma igreja unida pode fazer muito mais que vários cristãos separados, que não têm comunhão.

5. Amor

Amor

 João 13:35 é um versículo bíblico que afirma: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Esta passagem, parte do mandamento de Jesus aos seus seguidores, destaca que é através do amor mútuo que o mundo os reconhecerá como discípulos de Cristo. O amor é a melhor parte de ter comunhão com os irmãos na fé. Quando temos comunhão, partilhamos nossa vida com nossos irmãos, ganhamos intimidade e aprendemos a amar de verdade. O amor perfeito de Jesus se expressa em nossos relacionamentos.

Não queremos seguidores de instituições; queremos discípulos livres, comprometidos com a verdade de Jesus e com a missão de ensinar tudo o que Ele ordenou.

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