11 de dezembro de 2025 07:07

O HOMEM: CORPO, ALMA E ESPÍRITO

CORPO, ALMA E ESPÍRITO
A Restauração Integral do Ser Humano para chegar à Estatura Completa de Cristo

INTRODUÇÃO
O estudo deste trimestre vai muito além de uma simples análise da natureza humana, ele nos levará a entender nossa própria essência sob uma perspectiva divina é bíblica. Exploraremos a criação singular de Deus, que nos fez um ser tricotômico, ou seja, com corpo, alma e espírito.
A Antropologia Bíblica nos ajudará a compreender a distinção entre corpo, alma e espírito, a interação entre essas três dimensões e como esse equilíbrio é fundamental para uma vida cristã saudável. Nosso objetivo é alinhar nossa existência com o propósito original de Deus, conforme 1 Tessalonicenses 5.23, que nos chama a ser totalmente santificados e irrepreensíveis em nosso corpo, alma e espírito. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.


TEXTO ÁUREO
Que Deus, que nos dá a paz, faça com que vocês sejam completamente dedicados a ele. E que ele conserve o espírito, a alma e o corpo de vocês livres de toda mancha, para o dia em que vier o nosso Senhor Jesus Cristo. (1Ts 5.23 NTLH). O verbo “santificar” aqui aponta para o processo e também para a finalidade da obra divina. Não é apenas uma santificação posicional (já realizada em Cristo), mas progressiva e integral, abrangendo todas as áreas da vida. A expressão “em tudo” (holotelēs) sublinha a totalidade. O apóstolo enfatiza que Deus não trabalha em fragmentos da existência humana, mas na vida inteira do crente. Ele deseja que não apenas alguns aspectos (como a vida espiritual ou moral) sejam tocados, mas que cada esfera, pensamento, afetos, corpo, decisões, relacionamentos, seja transformada. Paulo intensifica a ênfase na totalidade, agora de modo tripartido. Ele usa todos os termos disponíveis para garantir que nenhuma parte do ser humano seja excluída da obra de Deus.
• Espírito (pneuma): A dimensão que nos conecta com Deus, nossa faculdade espiritual.
• Alma (psyche): O assento de nossa personalidade: mente, vontade e emoções.
• Corpo (soma): Nosso corpo terreno, o meio pelo qual interagimos com o mundo físico.
O termo “conservados” aponta para a ação protetora e sustentadora de Deus. O objetivo dessa preservação é escatológico. O crente será apresentado diante do tribunal de Cristo sem acusação, não porque não pecou, mas porque foi sustentado na graça e lavado no sangue de Cristo


VERDADE PRÁTICA
Deus nos fez → corpo | alma | espírito → para glorificá-lo → eternamente → com todo o nosso ser.
Criador criação integral finalidade tempo intensidade
1. De onde viemos? Viemos de Deus, nosso Criador, que nos formou de maneira intencional.
2. Quem somos? Somos uma criação integral, compostos por corpo, alma e espírito, refletindo a forma completa e intencional como Deus nos criou.
3. Por que estamos aqui? Estamos aqui com a finalidade principal de glorificar a Deus em tudo o que fazemos.
4. Para onde vamos? Vamos em direção à eternidade, com a vocação de viver em plena devoção e entrega ao nosso Criador.

1. A TRICOTOMIA HUMANA
1.1 Doutrina e teologia.
A LIÇÃO DIZ: A Doutrina do Homem está fundamentada em toda a Escritura, numa revelação suficiente para demonstrar quem é o homem, como foi criado e com que propósito (Gn 1.26-29; 2.15; SI 8.3-9; Ef 1.3-6). No campo da Teologia Sistemática, ela é conhecida como Antropologia Bíblica, que estuda o homem desde sua origem, constituição e existência, considerando o período anterior à Queda, o pecado original e suas consequências, o plano redentor e a eternidade. Em um tempo de tanta psicologização da fé e intensa busca de respostas para os problemas humanos em concepções não cristãs, um piedoso e profundo estudo das Escrituras é cada vez mais necessário e urgente, a fim de desfazer toda e qualquer dúvida existencial e gerar uma fé bíblica genuína, sadia e equilibrada (1 Co 2.1-16; 2 Tm 3.16,17; Hb 4.12). Neste subponto, o comentarista apresenta a perspectiva bíblica e teológica da “Doutrina do Homem”. Além disso, ele realça a importância de uma visão bíblica sobre o assunto devido ao contexto no qual vivemos.
1.1.1 A perspectiva bíblica e seus pontos fundamentais:
1.1.1.1 Origem e criação. A humanidade foi criada diretamente por Deus, não por evolução naturalista. Adão e Eva são considerados pessoas reais e históricas. O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26).
1.1.1.2 Propósito. Deus criou o ser humano para amá-Lo, servi-Lo e representá-Lo na criação (Gn 1.26-28).
1.1.1.3 Constituição. O homem tornou-se “alma vivente” ao receber o sopro de Deus (Gn 2.7). O homem é uma unidade complexa formado de corpo, alma e espírito.
1.1.1.4 Estado original. Antes da Queda, o homem vivia em santidade e harmonia, sendo descrito como “muito bom” (Gn 1.31).
1.1.1.5 Pecado e consequências. A Queda trouxe corrupção e culpa à humanidade (Rm 5.12).
1.1.1.6 Redenção. A necessidade da obra de Cristo surge do pecado. A antropologia bíblica conecta-se à encarnação, expiação e regeneração, mostrando que a salvação é recebida pela fé.
1.1.1.7 Destino eterno. O plano redentor culmina na vida eterna prometida aos crentes.
1.1.2 Antropologia (Teologia). A Antropologia é a doutrina que se dedica ao estudo do homem. Ela busca responder a perguntas existenciais fundamentais como: “Que é o homem?”, “De onde veio?” e “Para onde vai?”
1.1.2.1 A antropologia humana, no sentido secular, procura compreender o ser humano a partir de pressupostos filosóficos, científicos e culturais, frequentemente sem referência a Deus. Ela se subdivide em várias correntes, cada qual destacando aspectos específicos da existência humana:
1.1.2.1.1 Antropologia naturalista ou científica. Associada ao materialismo e à teoria da evolução, sustenta que o homem é resultado de processos biológicos e seleção natural, sendo essencialmente um “animal racional”. Essa linha enfatiza causas físico-químicas e biológicas como explicação suficiente para a origem e o desenvolvimento humano.
1.1.2.1.2 Antropologia marxista. Parte da filosofia de Karl Marx entende o homem como ser histórico e social, moldado pelas condições materiais de produção. O homem não é definido pela consciência, mas pelo trabalho e pelas relações econômicas. Sua essência não é individual, mas coletiva, determinada pela luta de classes.
1.1.2.1.3 Antropologia existencialista. Representada por autores como Sartre e Heidegger, entende o homem como ser lançado no mundo, sem essência prévia, condenado à liberdade e responsável por dar sentido à própria existência. O foco recai sobre a angústia, a finitude e a busca por autenticidade.
1.1.2.1.4 Antropologia filosófica clássica. Presente em Sócrates, Platão e Aristóteles, busca compreender o homem em seus princípios últimos: razão, alma e finalidade. Platão via o homem como dualidade corpo-alma, Aristóteles como animal racional orientado para a felicidade (eudaimonia).
1.1.2.1.5 Antropologia cultural. Estuda o ser humano em sua dimensão simbólica, social e histórica. Entende que o homem só pode ser compreendido dentro de seu contexto cultural, em interação com normas, crenças, mitos e costumes de cada sociedade.
1.1.2.1.6 Antropologia psicológica. Enfatiza a subjetividade, a consciência e o inconsciente, destacando autores como Freud, Jung e Rogers. O homem é visto como um ser em constante conflito interno, marcado por desejos, traumas e buscas de realização pessoal.
1.1.2.1.7 Antropologia humanista. Própria do pensamento moderno e contemporâneo, coloca o homem no centro do universo, exaltando sua autonomia, liberdade e dignidade. Essa corrente, em muitos casos, substitui Deus pelo próprio ser humano como fundamento de sentido.
1.1.2.2 Antropologia bíblica. Fundamenta-se na Palavra de Deus, afirmando que o homem foi criado à imagem e semelhança do Criador. Essa visão rejeita a ideia de que o mundo e a humanidade surgiram por acaso.
1.1.3 Contexto atual e relevância. Vivemos dias em que muitas vozes tentam dizer o que é o ser humano. Uns afirmam que somos apenas fruto do acaso; outros reduzem nossa identidade a cultura, trabalho ou prazer; e ainda há quem defenda que cada pessoa invente seu próprio sentido de existir. Nesse emaranhado de ideias, cresce, de forma inevitável, a confusão sobre dignidade, liberdade, propósito e destino final. É justamente aqui que a antropologia bíblica se mostra essencial: ela afirma que o homem foi criado por Deus, à sua imagem, com valor, responsabilidade e esperança.
1.2 A tríplice natureza.
A LIÇÃO DIZ: A teologia utiliza o termo “tricotomia” para tratar da tríplice constituição do ser humano: o corpo, a alma e o espírito. Essas três substâncias, ou componentes do homem, são descritas tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 4.9; SI 42.11; 139.16; Dn 7.15; Zc 12.1; Mt 10.28; Lc 1.46,47; 1 Co 14.14,15). Ao longo da história da teologia, a constituição do ser humano tem sido debatida a partir de três principais correntes: Unitarismo (ou Monismo), Dicotomismo e Tricotomismo. Cada uma delas procura responder como a Bíblia descreve a natureza do homem e suas dimensões constitutivas.
1.2.1 Unitarismo ou Monismo. O unitarismo entende que o homem é uma unidade indivisível, sem qualquer distinção entre corpo, alma ou espírito. Para os monistas, o ser humano é apenas um “todo orgânico”, de modo que, após a morte, não existe continuidade da alma ou do espírito. Essa visão é defendida por adventistas do sétimo dia e por correntes materialistas, sendo utilizada como base para negar a imortalidade da alma e a consciência após a morte. Contudo, essa posição carece de sustentação bíblica, pois ignora textos que distinguem claramente entre aspectos materiais e imateriais do homem (cf. Mt 10.28; Lc 16.22–23).
1.2.2 Dicotomismo. O dicotomismo sustenta que o ser humano é formado por duas partes: o corpo (material) e a alma ou espírito (imaterial). Essa corrente parte da observação de que, em algumas passagens bíblicas, os termos alma e espírito parecem ser usados de forma intercambiável (cf. Jo 12.27; Lc 1.46–47). Assim, dicotomistas entendem que ambos designam a mesma realidade interior do ser humano. Embora essa posição reconheça a dimensão imaterial do homem, ela tende a reduzir a riqueza da revelação bíblica ao não diferenciar devidamente as funções da alma (vontade, emoções, intelecto) e do espírito (consciência de Deus e capacidade de comunhão com Ele).
1.2.3 Tricotomismo. O tricotomismo, posição assumida historicamente pelas Assembleias de Deus e por muitos pais da Igreja, defende que o homem é constituído de três partes distintas: corpo, alma e espírito. Essa visão encontra respaldo direto em passagens como 1 Tessalonicenses 5.23 (“o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis”) e Hebreus 4.12 (que fala da “divisão da alma e do espírito”).
A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma:
Entendemos que o ser humano é constituído de três substâncias, uma física, corpo, e duas imateriais, alma e espírito. Exemplo dessa constituição nós temos no próprio Jesus. Essa doutrina é chamada tricotomia. Cristo é apresentado nas Escrituras com essas três características distintas e essenciais: “todo o vosso espirito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis […]” (1Ts 5.23); “[…] e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas” (Hb 4.12). Em 1 Coríntios 2.14-16; 3.1-4, o apóstolo Paulo mostra o homem “natural,״ termo que literalmente quer dizer “pertencente à alma,״ o homem carnal e o homem “espiritual.״ Por essas passagens do Novo Testamento, a natureza humana consiste numa parte externa, o corpo ou a carne, chamada “homem exterior” e uma parte interna, denominada “homem interior”, composta do espírito e da alma. (SOARES, 2017, p. 78).
1.3 Físico e espiritual.
A LIÇÃO DIZ: O processo formativo usado pelo Criador, que é Espírito (Jo 4.24), foi constituído de uma combinação única: o elemento físico (pó da terra) com o elemento espiritual (o sopro divino), tornando o homem um ser vivente diferente de todos os demais. Os anjos são seres espirituais, porém sem corpo material (SI 33.6; Hb 1.13,14). Os animais não possuem a parte imaterial que há no homem (alma e espírito). A “alma” do animal (sua vida) se restringe ao corpo e se esvai com ele (Lv 17.12-14). Já o termo hebraico para “vida”, em Gênesis 2.7, alusivo ao homem, é chayim (no plural), permitindo a expressão literal “fôlego das vidas”. Isso pode significar que, em um único substantivo, o texto sagrado esteja aludindo implicitamente à vida do espírito humano, da alma humana e do corpo humano. A Escritura apresenta a criação do homem como ato singular e culminante da obra criadora de Deus. Em Gênesis 2.7 lemos: “Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”. Este versículo mostra três movimentos distintos:
1.3.1 O corpo. Deus formou o homem do pó da terra. Diferente dos demais seres, que surgiram pela ordem criativa (“Haja…”), o homem foi moldado pelas mãos do Criador, indicando cuidado e propósito especial.
1.3.2 O espírito. Deus soprou nas narinas do homem o “fôlego de vidas” (neshamah chayim), que o animou. Esse sopro divino é o que o diferencia de todos os outros seres criados, pois conecta o homem ao próprio Criador.
1.3.3 A alma. o resultado dessa união entre corpo e espírito é a “alma vivente” (nephesh chayah). Ou seja, o homem é uma síntese única: corpo formado da terra, espírito soprado por Deus, tornando-se uma alma consciente, dotada de identidade, emoções e vontade. Assim, a Bíblia apresenta o homem como ser integral, mas com constituição tricotômica: corpo, alma e espírito, em harmonia. Os anjos, segundo a Escritura, são “espíritos ministradores” (Hb 1.14). Eles foram criados por Deus como seres espirituais, poderosos e inteligentes, mas sem corpo físico.
1.3.4 Não possuem a materialidade que caracteriza o ser humano.
1.3.5 Não experimentam as limitações ou necessidades ligadas ao corpo, como fome, dor ou morte.
1.3.6 Embora possam se manifestar em forma visível (Gn 18.2; Lc 24.4), essa não é sua constituição original. O homem, por sua vez, foi criado como ser espiritual-corpóreo: ele é espírito e alma, mas também corpo. Isso o torna único, pois vive na dimensão material e espiritual ao mesmo tempo. Por outro lado, os animais compartilham com o homem o fato de também serem chamados nephesh chayah (Gn 1.21, 24). Isso significa que têm vida, respiração e instinto. Porém, a diferença essencial está no fato de que os animais não receberam o sopro de Deus como o homem.
1.3.7 Os animais têm corpo e alma em sentido biológico (vida, instinto, emoções simples), mas não possuem espírito voltado para Deus.
1.3.8 Não têm consciência moral nem comunhão espiritual com o Criador.
1.3.9 Apenas o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26–27), o que o distingue radicalmente do reino animal.
Nota importante: O termo hebraico em Gênesis 2.7 é nishmat chayyim (“fôlego de vida”). A expressão chayyim está no plural, mas não indica “três vidas” literalmente. A ênfase recai em Deus como doador da vida. Nesse uso, o plural é morfológico, enquanto o sentido é semântico-coletivo, comunicando totalidade, intensidade ou plenitude da vida humana. Portanto, chayyim não descreve múltiplas vidas distintas, e sim a natureza integral do ser humano que recebe de Deus o sopro vital.

2. A DISTINÇÃO ENTRE ALMA E ESPÍRITO2.1 A alma.
A LIÇÃO DIZ: Do hebraico nephesh e do grego psyché, “alma” é uma das muitas palavras polissêmicas da Bíblia, possui vários significados. Aparece 755 vezes somente no Antigo Testamento. A questão da origem da alma é uma das mais debatidas na história da teologia cristã. Desde os primeiros séculos, diferentes correntes procuraram explicar em que momento e de que forma a alma passa a existir. Três principais teorias se destacam nesse debate: o preexistencialismo, o traducionismo e o criacionismo.
2.1.1 O preexistencialismo. O preexistencialismo ensina que as almas existem antes da concepção do corpo e permanecem em uma espécie de estado celeste até serem unidas ao corpo humano no momento do desenvolvimento embrionário. Essa teoria, embora conhecida desde a Antiguidade, não encontra apoio na tradição ortodoxa cristã. Orígenes, um dos pais da Igreja, defendeu uma forma de preexistência da alma, mas suas ideias foram posteriormente rejeitadas pelos concílios e pela teologia patrística posterior. Tanto católicos quanto protestantes rejeitam a doutrina por carecer de fundamento bíblico e por se aproximar de concepções de reencarnação, típicas de religiões orientais e esotéricas. Atualmente, essa posição é mantida em algumas religiões como o mormonismo, embora com formulações diferentes das tradições orientais. A ausência de apoio bíblico direto e os riscos de sincretismo tornam essa teoria insustentável dentro da fé cristã.
2.1.2 O traducionismo. O traducionismo ensina que tanto o corpo quanto a alma são transmitidos dos pais aos filhos, de modo que a alma é gerada junto com o corpo no ato da concepção. Essa visão tenta explicar a transmissão do pecado original, visto que, se a alma vem diretamente de Deus, como no criacionismo, pareceria problemático justificar a universalidade do pecado humano. Entre os defensores do traducionismo estão Martinho Lutero, William G. T. Shedd, Augustus Strong e Robert D. Culver. Essa teoria tem como mérito a tentativa de manter a unidade do ser humano e de explicar a corrupção herdada de Adão (cf. Rm 5.12). No entanto, muitos críticos observam que o traducionismo tende a materializar a alma e a reduzir a ação criadora de Deus no processo da geração humana.
2.1.3 O criacionismo. O criacionismo é a visão majoritária na tradição cristã e tem sido defendida tanto por católicos como por protestantes, sendo também a posição oficial das Assembleias de Deus. Essa doutrina sustenta que cada alma é criada imediatamente por Deus no momento da concepção, sendo então unida ao corpo em formação. O corpo, conforme Gênesis 2.7, é formado da terra, mas a alma é dádiva direta do Criador. Textos como Eclesiastes 12.7 (“o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”), Isaías 42.5 e Zacarias 12.1 confirmam que é Deus quem forma e concede a vida interior do homem. O criacionismo preserva a distinção entre corpo e alma, valoriza a dignidade da pessoa humana e sublinha a soberania de Deus na criação de cada vida. Ao mesmo tempo, reconhece a participação humana no processo da gestação (Sl 139.13–16), sem negar a intervenção criadora divina que concede a alma como princípio de vida e identidade.
Diante dessas três posições, o preexistencialismo deve ser rejeitado por sua incompatibilidade com a revelação bíblica. O traducionismo, embora tenha defensores notáveis, levanta dificuldades em relação à natureza imaterial da alma e à sua relação direta com Deus. O criacionismo, por sua vez, harmoniza melhor os dados bíblicos, afirmando que cada vida é um ato criador de Deus, o que preserva tanto a dignidade humana quanto a responsabilidade do homem diante do Criador.
2.2. O espírito.
A LIÇÃO DIZ: Do hebraico ruah e do grego pneuma, o espírito do homem provém de Deus e constitui sua principal dimensão. É por meio dele que mantemos nossa comunhão com o Criador, o Pai dos espíritos, e o adoramos (Hb 12.9; Jo 4.23,24). Junto com a alma, e inseparável dela, compõe a parte imaterial do ser humano. É o “homem interior” que, na linguagem do apóstolo Paulo, aparece algumas vezes em contraste direto com o corpo, o homem exterior (Rm 7.22-25; 2 Co 4.16-18; Ef 3.16-19). Como ensina o pastor Antônio Gilberto, em sua Bíblia com Comentários, “à luz das Escrituras, o espírito é a fonte da vida recebida de Deus. O espírito usa e transmite essa vida à alma, que, por sua vez, a expressa por meio do corpo, utilizando seus sentidos físicos para explorar o mundo exterior e dele receber as necessárias impressões”. São três elementos que formam um único ser ou pessoa. Ao tratar da constituição do ser humano, é comum que alma e espírito sejam confundidos, uma vez que ambos pertencem à dimensão imaterial. Entretanto, a Bíblia estabelece distinções claras entre esses elementos. Em textos como Ec 12.7, Mt 10.28, Ap 6.9, Hb 12.23, Lc 8.55, At 20.10 e 1 Ts 5.23, percebe-se que alma e espírito, embora relacionados, não são sinônimos.
Jesus, o Homem perfeito, evidencia essa tríplice constituição. Ele possuía corpo (Hb 10.5), alma (Mt 26.38) e espírito (Lc 23.46). Portanto, qualquer interpretação que dissolva a distinção entre alma e espírito precisa ser revista à luz da totalidade das Escrituras. A alma liga o homem a si mesmo e ao próximo, como sede das emoções, pensamentos e vontades. O espírito, por sua vez, liga o homem a Deus, sendo a esfera da fé, da consciência moral e da adoração verdadeira. A Palavra de Deus é a única capaz de discernir entre essas duas dimensões, como afirma Hebreus 4.12, que fala da “divisão da alma e do espírito”. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus”.

3. A INTERAÇÃO DAS TRÊS DIMENSÕES
3.1 Corpo, afetos e somatização.
A LIÇÃO DIZ: O corpo (gr. soma) é a parte material do ser humano, por meio da qual comumente manifestamos os atributos da alma e do espírito. Empregando o vocábulo “coração” (heb. leb; gr. kardia) — uma das principais palavras que o Antigo e o Novo Testamentos usam como sinônimo de alma —, Salomão bem identificou essa interação ao afirmar: “O coração alegre aformoseia o rosto” (Pv 15.13); “O coração com saúde é a vida da carne” (Pv 14.30); “O coração alegre serve de bom remédio, mas o espírito abatido virá a secar os ossos” (Pv 17.22). Identificados como doenças psicossomáticas a partir do século XX, muitos problemas físicos decorrem de crises da alma (e também do espírito, inclusive pecados, cf. SI 31.9,10; 32.1-5). E como se multiplicam em nossos dias!
Vamos definir dois termos importantes para nossa compreensão deste subponto:
3.1.1 A expressão somatização pode ser definida como o processo pelo qual conflitos emocionais, tensões psicológicas ou desequilíbrios espirituais se manifestam em sintomas físicos reais. Trata-se da exteriorização corporal de dores ou doenças cuja raiz principal está em estados interiores, como ansiedade, medo, ressentimento, estresse ou falta de perdão. Em termos clínicos, a somatização é observada quando o corpo reage a emoções tóxicas liberando hormônios do estresse (como adrenalina e cortisol), que em excesso produzem desgaste físico, comprometimento imunológico e predisposição a enfermidades psicossomáticas. Do ponto de vista bíblico e teológico, a somatização pode ser entendida como a conexão visível entre a saúde da alma e o estado do corpo.
3.1.2 A doença psicossomática é uma enfermidade física real, mas cuja origem ou agravamento está profundamente relacionado a fatores emocionais e psicológicos. O termo vem da junção de psyche (alma, mente) e soma (corpo), indicando que experiências internas, como estresse, ansiedade, depressão, ressentimento ou traumas emocionais, repercutem diretamente no organismo, produzindo sintomas clínicos mensuráveis. Portanto, doença psicossomática é a manifestação corporal de sofrimentos emocionais e espirituais, revelando a unidade integral do ser humano, no qual corpo, alma e espírito estão inseparavelmente conectados.
3.2 Equilíbrio e saúde.
A LIÇÃO DIZ: Da mesma forma que o corpo padece por causa de disfunções da alma e do espírito, estes também sofrem por problemas do corpo, naturais ou não. Assim como emoções e estados espirituais influenciam o corpo, doenças e disfunções físicas também podem repercutir profundamente na alma e no espírito. A fraqueza do corpo pode abalar emoções, gerar crises de fé e comprometer a vida espiritual.
3.2.1 O sofrimento físico e seus reflexos na alma. As enfermidades do corpo frequentemente provocam tristeza, angústia e até desesperança. Jó é exemplo clássico: atingido por dores intensas e doença física, chegou a amaldiçoar o dia do seu nascimento (Jó 3.1–3). Da mesma forma, o salmista declarou: “Estou gasto de tanto gemer; todas as noites faço nadar o meu leito” (Sl 6.6). Aqui, a dor corporal se traduz em aflição da alma, minando emoções boas e o ânimo.
3.2.2 A doença corporal e a luta espiritual. Além da esfera emocional, o corpo debilitado pode impactar a fé. Paulo falou do seu “espinho na carne” (2 Co 12.7), que, embora não descrito em detalhes, gerava grande luta espiritual. A enfermidade física levou-o a buscar intensamente a Deus, encontrando na fraqueza a suficiência da graça divina (2 Co 12.9).
3.2.3 O corpo como porta para tentações e limitações. O cansaço, a fome ou a dor podem também se tornar ocasiões de tentação. Jesus foi tentado no deserto justamente após quarenta dias de jejum, quando seu corpo estava fragilizado (Mt 4.2–3). Além disso, limitações físicas podem gerar desânimo, isolamento ou até revolta contra Deus, revelando como o corpo exerce pressão sobre a alma e o espírito.
3.2.4 A esperança bíblica diante da fraqueza corporal. Apesar da influência do corpo sobre a alma e o espírito, a Escritura apresenta esperança. O homem exterior pode se corromper, mas “o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co 4.16). A debilidade do corpo não precisa resultar em destruição da fé, mas pode conduzir a um amadurecimento espiritual. O sofrimento físico, quando entregue a Deus, transforma-se em ocasião de fortalecimento da alma e do espírito. Nota importante: Doenças do corpo podem ser tratadas com recursos médicos, mas doenças da alma e do espírito exigem resposta espiritual: arrependimento, confissão, perdão e reconciliação com Deus.

CONCLUSÃO
Ao final deste estudo, compreendemos que o homem não é apenas corpo, nem apenas alma, nem apenas espírito, mas um ser integral, criado à imagem de Deus para refletir a sua glória em todas as dimensões. Quando uma dessas áreas adoece, todo o ser sofre; quando uma delas é restaurada, todo o ser é beneficiado. A verdadeira saúde, portanto, não está apenas em ter um corpo forte, mas em possuir uma alma limpa pelo perdão e um espírito vivo em comunhão com Deus. O maior cuidado que podemos ter é buscar santificação integral, permitindo que Cristo governe corpo, alma e espírito. Assim viveremos de forma plena, até o dia em que seremos apresentados irrepreensíveis diante do Senhor.

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O CHAMADO DE JEREMIAS

EXORTAÇÃO, ARREPENDIMENTO E ESPERAÇA
O ministério profético de Jeremias
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, iniciaremos uma jornada pela vida e ministério de Jeremias, o “profeta das lágrimas”. Esta primeira lição foca no momento crucial do seu chamado, revelando um Deus soberano que o conheceu e o separou para uma missão extraordinária antes mesmo de seu nascimento. Em meio a uma nação em declínio espiritual e à beira do juízo, Jeremias foi incumbido de proclamar uma mensagem desafiadora de exortação ao arrependimento, mas também de esperança. Ao estudar a natureza de sua vocação e a mensagem que lhe foi confiada, somos convidados a refletir sobre o propósito divino para nossas vidas. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO PRINCIPAL – COMPARANDO TRADUÇÕES
O SENHOR Deus me disse: — Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações. (Jr 1.4,5 NTLH). Olhando para Jeremias 1.4–5, percebemos a forma sobrenatural e extraordinária como Jeremias foi vocacionado por Deus. De modo singular, o profeta é chamado pelo Senhor. Contudo, é importante reconhecer que nem sempre o chamado específico de Deus se dá nesses termos. Devemos evitar transformar experiências particulares em doutrina normativa. Há ocasiões em que o chamado acontece de modo natural, ordinário e simples. Isso não diminui a beleza do chamado divino, nem a nossa responsabilidade de obedecê-lo. Recordo a história de Shofia Müller, cuja voz ecoou nas selvas do Amazonas. Ela afirmou: “Eu não vi anjo algum, não tive revelação, nem sonho; ninguém profetizou para mim. Simplesmente li uma ordem e obedeci.” Assim, tornou-se missionária entre tribos indígenas do Amazonas. O que você está esperando? Os céus se abrirem? Um anjo descer? Uma profecia? Deus já nos deu a sua Palavra. Ele pode, sim, chamar de modo extraordinário; porém, não condicione sua obediência a isso. Comece a servir onde você está, disponha-se ao que Ele já revelou e permita que o Senhor amplie o seu ministério no curso da obediência.

RESUMO DA LIÇÃO

Jeremias afirma que foi “conhecido”, “consagrado” e “constituído profeta às nações” ainda no ventre materno (Jr 1.4–5). Trata-se de uma escolha funcional, orientada à missão profética, não de uma declaração soteriológica (eu te salvei antes de você nascer). Em outras palavras, o texto fala da nomeação de Jeremias para o ofício profético, não de uma “eleição incodicional para salvação”. Esse padrão aparece em outras figuras bíblicas: Sansão foi separado desde o ventre para uma missão específica em Israel (Jz 13.5); João Batista seria “cheio do Espírito Santo, ainda no ventre de sua mãe”, como arauto do Messias (Lc 1.15); Paulo reconhece ter sido “separado desde o ventre de minha mãe” para pregar entre os gentios (Gl 1.15–16). Em todos esses casos, a ênfase recai na vocação ministerial. A Escritura mostra que Deus pode eleger alguém para uma tarefa sem implicar conversão pessoal. Ciro é o exemplo clássico: o Senhor o “chama pelo nome”, “o unge” e o utiliza como instrumento para libertar Israel, mesmo sem ele “O conhecer” (Is 44.28; 45.1, 4–5, 13). O texto sublinha a soberania de Deus sobre a história e a instrumentalidade de Ciro para um proposito especifico. Não há evidência bíblica de que Ciro tenha se convertido.

1. A NATUREZA DO CHAMADO DE JEREMIAS
1. 1 A pessoa de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A vida e o ministério de Jeremias são partes de uma mesma história (Jr 1.5). Ele nasceu em uma família de sacerdotes, na cidade de Anatote, nordeste de Jerusalém. A maioria dos estudiosos defende que o seu nascimento se deu entre 650 e 645 a.C., dentro do contexto da reforma espiritual dos dias do rei Josias (Jr 1.2).
O texto bíblico diz:
Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim. A palavra do Senhor veio a ele no décimo terceiro ano do reinado de Josias, filho de Amom e rei de Judá. Veio também nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do décimo primeiro ano do reinado de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá. No quinto mês desse ano, os moradores de Jerusalém foram levados ao exílio. (Jr 1.1-3 NAA).
Leia com muita atenção os pontos a seguir:
1.1.1 Contexto cronológico. Os detalhes que compõem o cenário da época de Jeremias estão descritos em 2Reis 22—25; 2Crônicas 34—36.
1.1.2 A família de Jeremias (origem sacerdotal, linhagem e expectativas). Jeremias se apresenta como “filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, na terra de Benjamim” (Jr 1.1). Ele nasceu em ambiente sacerdotal: Torá, pureza cultual e o ensino compunham o seu cotidiano (Dt 33.8–10). Em termos sociais, esperava-se que um jovem de família sacerdotal servisse ao culto, instruindo o povo e guardando a santidade do templo (Ml 2.7). Deus muda expectavas. Seu pai e sua podem está educando você para ser um médico, advogado, psicólogo, nutricionista, etc., mas Deus pode ter outros planos para a sua vida.
1.1.3 A cidade de Jeremias: Anatote. Historicamente, Anatote era cidade sacerdotal (cf. Js 21.18). No entanto, nos dias de Jeremias, essa localidade estava associada à memória de Abiatar, deposto por Salomão por favorecer Adonias (1 Rs 2.26–27). A leitura tradicional observa que, se os sacerdotes de Anatote remontam à casa de Abiatar, então Jeremias nasce de um ramo que perdera proeminência em Jerusalém, agora sob liderança zadoquita (1 Rs 2.35). Jeremias, descendente de uma “linhagem inferior” seria usado por Deus como profeta para repreender reis, os sacerdotes zadoquitas, príncipes, líderes e todo o povo. Essa informação traz bastante esclarecimento sobre as tensões vividas no ministério de Jeremias. Deus usa os improváveis.
1.1.4 O perfil emocional de Jeremias (sensibilidade, “confissões”, lágrimas e resiliência). Poucos livros expõem com tanta nitidez a humanidade de um profeta. Jeremias lamenta, intercede, protesta e debate com Deus nas chamadas “confissões” (Jr 11.18–12.6; 15.10–21; 17.14–18; 18.18–23; 20.7–18). A linguagem de queixa e lamento revela um coração pastoral ferido pela idolatria do povo e pela resistência enfrentada, mas firmemente agarrado ao chamado de Deus. Textos-chave delineiam esse perfil: chora pelo povo (Jr 8.18–9:1), a solidão vocacional marcada até pelo celibato como sinal profético (Jr 16.1–4), o fogo interior que impede o silêncio (Jr 20.9) e a força recebida do próprio Deus, que o faz “muro de bronze” (Jr 1.18–19)

1.2 A vida de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A relação de Deus com Jeremias não começou a partir de seu chamado, mas remonta a um período no qual o profeta não tinha consciência de sua própria existência (Jr 1.5). Deus conhecia Jeremias antes que o formasse. A consciência da soberania do Eterno inibiria o profeta de apresentar quaisquer possíveis obstáculos para atender o seu chamado, afinal, Ele conhecia todas as suas limitações. A consagração de Jeremias ocorreu antes de seu nascimento. A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: “Antes de formá-lo no ventre materno, eu já o conhecia; e, antes de você nascer, eu o consagrei e constituí profeta às nações.” (Jr 1.4,5 NAA). O chamado de Jeremias é rico em seu conteúdo doutrinário e prático. Entre seus ensinamentos importantes estão os seguintes:
1.2.1 Deus é o Senhor da vida. Deus formou Jeremias no ventre. Jeremias tinha pais biológicos, é claro, mas o próprio Deus o moldou e o teceu no ventre de sua mãe. Dizer às crianças que perguntam de onde vêm os bebês que eles vêm de Deus é boa teologia. E também não é má ciência. O Senhor da vida usa os processos naturais que ele projetou para plantar a vida humana no útero.
1.2.2 Um feto é uma pessoa. Esse versículo testifica que a relação pessoal entre Deus e seu filho ocorre no útero, ou até mesmo antes.
1.2.3 Todo cristão tem um chamado. Há um chamado geral, é claro, para crermos em Jesus Cristo. Mas todo aquele que crê em Cristo também tem um chamado especial para uma esfera específica de obediência e ministério. Talvez você ainda esteja tentando descobrir qual é o plano de Deus para você. Muitos cristãos desejam saber o que Deus está chamando-os para fazer. Se você não tem certeza, há pelo menos uma que você pode fazer. Faça tudo o que você já sabe que Deus quer que faça. Você não pode esperar estar pronto para o chamado de Deus, ou mesmo para reconhecer o chamado de Deus, a menos que esteja obedecendo ao que o Senhor já revelou. Isso inclui as coisas óbvias, como passar tempo em oração e estudo da Bíblia, servir às pessoas com as quais convive, permanecer ativo na adoração na igreja e ser testemunha de Deus no mundo. Portanto, enquanto aquilo que não é especifico não fica claro por meios ordinários ou extraordinários, natural ou sobrenatural, sua obediência deve coloca-lo em ação. Jeremias sabia o que Deus queria que ele fizesse. No entanto, mesmo depois de receber seu chamado divino, ele ainda era um candidato hesitante: “ah! Senhor Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança” (Jr 1.6). Jeremias tinha duas objeções principais quanto a se tornar um profeta: sua falta de eloquência e sua falta de experiência. Parafraseando: “Ahh, espere um segundo, Senhor… sabe esse papo todo de profeta-para-as-nações? Então, não soa como uma ideia tão boa assim. A profecia não é um dos meus dons espirituais. Como o senhor sabe, tirei notas C em retórica na sinagoga. Além disso, sou apenas um adolescente”. As dúvidas de Jeremias encontram um eco no romance de J. R. R. Tolkien, A sociedade do anel. Um hobbit chamado Frodo foi escolhido para ir numa longa e perigosa jornada para destruir o único Anel de poder, uma busca que ele próprio não escolheria. “Não sou talhado para buscas perigosas. Gostaria de nunca ter visto o Anel! Por que veio a mim? Por que fui escolhido?A resposta dada a Frodo é semelhante àquela que os profetas de Deus frequentemente recebem: “Perguntas desse tipo não podem ser respondidas. […] Pode ter certeza de que não foi por méritos que outros não tenham; pelo menos não por poder ou sabedoria. Mas você foi escolhido e, portanto, deve usar toda força, coração e esperteza que tiver”. Quando Deus faz a seus servos um chamado claro, ele não aceita nenhuma desculpa. Jeremias havia esquecido que Deus não é limitado pela fraqueza humana. O próprio Deus possui todo o necessário para que Jeremias cumpra o seu chamado. Na verdade, capacitar instrumentos fracos para realizar trabalhos duros é o procedimento operacional padrão de Deus.
1.3 O ministério de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Ele nasceu com o propósito de honrar a Deus, representando-o diante do povo (Jr 1.5.7,10,17,18). Os profetas eram levantados pelo Senhor e tinham o dever de transmitir a sua mensagem ao povo com fidelidade. Essa era a sua principal missão, distinguindo assim o verdadeiro profeta do falso (Jr 14.14; 23.16,26,30). No caso de Jeremias, vemos que as expressões “Disse-me o Senhor” e “Ouvi a palavra do Senhor” são recorrentes ao longo de todo o livro e, juntas, refletem a dinâmica do seu ministério.
Conforme a Bíblia, os sacerdotes e os profetas exerciam funções distintas, ainda que ambos estivessem vinculados à aliança com Deus.
• O Ministério Sacerdotal era hereditário, vinculado à tribo de Levi e à casa de Arão (Nm 3.10; Dt 18.1-5). Sua função central era o culto, o ensino e os sacrifícios. O sacerdote era mediador do povo para Deus, garantindo a reconciliação por meio dos rituais.
O Ministério Profético, em contraste, não dependia de linhagem, mas do chamado direto de Deus. O profeta era porta-voz divino, trazendo palavra viva, muitas vezes acusatória, que confrontava reis, sacerdotes e o povo com sua infidelidade (Am 7.14-15). Enquanto o sacerdote mantinha a ordem, o profeta frequentemente desestabilizava a falsa ordem para chamar os ouvintes à conversão. Assim, se o sacerdote trabalhava no eixo culto–sacrifício, o profeta atuava no eixo aliança–ética, denunciando injustiça, idolatria e conclamando o povo a obediência (Jr 7.22-23).
1.3.1 Chamado Divino. O profeta não se autoproclama, mas é chamado diretamente por Deus para falar em Seu nome. Esse chamado é muitas vezes acompanhado de uma experiência marcante (como Isaías em Isaías 6.1-8 ou Jeremias em Jeremias 1.4-10.
1.3.2 Fidelidade ao Pacto. O ministério profético é profundamente enraizado na aliança entre Deus e Israel. O conteúdo da exortação profética está muito assoado ao conteúdo do livro de Deuteronômio. O profeta autêntico fala em harmonia com a revelação anterior. Ele não contradiz a Lei de Moisés nem inventa uma mensagem nova.
1.1.3 Mensagem de julgamento e esperança. O verdadeiro profeta não suaviza a mensagem: ele anuncia tanto o juízo pelos pecados quanto a esperança da restauração.
1.1.4 Vida Marcada por sacrifício e integridade. Os profetas frequentemente sofrem oposição, perseguição e rejeição.
1.1.5 Confirmação pela realização da Palavra proclamada. De acordo com a tradição bíblica (cf. Dt 18.21-22), a autenticidade de um profeta também se manifesta na realização das palavras que anuncia, não necessariamente de imediato, mas dentro do agir soberano de Deus.

2. A MENSAGEM DE JEREMIAS
2.1 Os dias de Jeremias.

A LIÇÃO DIZ: O profeta desempenhou o seu ministério durante um dos períodos mais sombrios da história de Judá. Jerusalém foi destruída pelo exército babilônico como juízo de Deus, fruto da má escolha do povo em trocar o Senhor, “manancial de águas vivas” por “cisternas rotas, que não retêm águas” (Jr 2.13).
Vamos conhecer um pouco os dias nos quais Jeremias profetizou:
2.1.1 Idolatria e sincretismo religioso. O povo abandonou o Senhor, a fonte de água viva, e buscou cisternas rachadas que não retêm água (Jr 2.13). Essa metáfora resume a substituição do culto ao Deus vivo pela adoração de Baal e deuses estrangeiros, muitas vezes acompanhada de práticas vergonhosas nos “altares dos bosques” (Jr 3.6).
2.1.2 Culto vazio e confiança falsa no templo. O chamado Sermão do Templo (Jr 7.1-15) denuncia a crença de que a simples presença do templo garantiria a segurança da nação, mesmo enquanto o povo praticava injustiça, opressão e violência.
2.1.3 Injustiça social e corrupção das lideranças. Jeremias acusa os poderosos de oprimir pobres, órfãos e estrangeiros, enquanto enriqueciam por meio da fraude (Jr 5.26-28). Os profetas e sacerdotes se corromperam, profetizando mentiras e explorando o povo, produzindo um sistema de conluio entre religião e poder.
2.1.4 Falsos profetas e rejeição da palavra de Deus. Um dos pecados mais graves era seguir líderes religiosos que prometiam paz onde não havia paz (Jr 6.14). Esses falsos discursos confortavam o povo em sua rebeldia, afastando-o do arrependimento genuíno.
2.1.5 Quebra da aliança e rebeldia persistente. Israel é descrito como um povo de “coração incircunciso” (Jr 9.25-26), incapaz de fidelidade. Mesmo após repetidos convites ao arrependimento (Jr 3.12-14), Judá preferiu alianças políticas com Egito e Babilônia, em vez de confiar em Javé.
2.1.6 Sacrifício infantil e práticas abomináveis. Jeremias denuncia o sacrifício de crianças no vale de Hinom (Jr 7.31), prática que marca o ápice da degradação religiosa e social, símbolo da completa inversão dos valores da aliança.
2.2 As duas visões de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: No momento de seu chamado, Jeremias recebeu duas visões e cada uma com um significado segundo a missão para a qual fora designado pelo Senhor (Jr 1.11.13). A primeira visão foi a de uma vara de amendoeira (1.11). A segunda visão foi a de uma panela a ferver inclinada para o norte.
A palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo, Jeremias? Respondi: — Vejo um ramo de amendoeira. O Senhor me disse: — Você viu bem, porque eu estou vigiando para que a minha palavra se cumpra. Outra vez a palavra do Senhor veio a mim, dizendo: — O que você está vendo? Eu respondi: — Vejo uma panela fervendo, cuja boca se inclina do Norte para cá. Então o Senhor disse: — Do Norte se derramará o mal sobre todos os habitantes da terra. Pois eis que convoco todas as tribos dos reinos do Norte, diz o Senhor; elas virão, e cada reino porá o seu trono à entrada dos portões de Jerusalém e contra todas as suas muralhas ao redor e contra todas as cidades de Judá. (Jr 1.11-15 NAA).
A primeira visão foi de um ramo de amendoeira. Em um jogo de palavras (cf. Am 8.1–2), Deus disse que estava vigiando para ver que sua palavra se cumprisse (v. 12; hebraico šāqēd, “amendoeira”, e šōqēd, “vigiar”). A amendoeira era chamada de árvore “desperta” porque floresce cedo na primavera, enquanto outras árvores permanecem dormentes. Anatote ainda é um centro de cultivo de amêndoas. O propósito da visão era advertir que os anúncios de juízo feitos por profetas anteriores não haviam sido esquecidos. Sempre que Jeremias e o povo de Judá vissem a amendoeira, deveriam lembrar que seu Deus estava vigiando sobre eles, vendo as maldades cometidas e aquilo que era praticado em oculto (5.6; 31.28). Geralmente, aplicamos esse texto de forma positiva em relação ao cumprimento das promessas de Deus de abençoar. Mas, o texto fala de juízo. Deus não deixará a maldade impune. Na segunda visão, que pode ou não ter ocorrido imediatamente após a primeira, Jeremias viu uma panela fervente (literalmente “uma panela soprada”, isto é, uma panela colocada sobre uma chama atiçada pelo vento). Era uma panela de cozinhar (2Rs 4.38) ou um alguidar de lavar (Sl 60.8), objeto comum nas casas israelitas. Jeremias a vira muitas vezes, mas agora a enxergou sob nova luz, como símbolo de juízo iminente. A panela inclinava-se a partir do norte, isto é, em direção ao sul, com o líquido prestes a transbordar. O desastre iminente sobre Judá é comparado ao derramamento do conteúdo de uma panela em ebulição, que escaldaria o povo de Judá. O sentido da visão é inequívoco. Ela retrata a certeza do juízo de Deus que viria sobre Jerusalém por meio de uma invasão inimiga vinda do norte e, portanto, a urgência da mensagem de Jeremias. Numa época em que o poder assírio chegava ao fim com a morte de seu último grande monarca, Assurbanípal, em 627, o povo se inclinava a crer que as ameaças do norte haviam cessado. Ridicularizavam os alertas de perigo feitos por Jeremias. A maioria dos estudiosos já não identifica o inimigo anônimo como citas, mas como babilônios (ver Hc 1.5–11). Geograficamente, a Babilônia ficava a leste de Judá, mas seus exércitos não arriscariam cruzar o deserto arábico inóspito. Em vez disso, seguiriam o rio Eufrates para o norte, até a Síria, e de lá invadiriam Judá pelo norte. No momento da visão, Jeremias não poderia saber que o inimigo do norte seriam os babilônios e seus aliados.
2.3 Destinatário e conteúdo da mensagem de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Jeremias foi enviado ao povo de Judá, Reino do Sul, cuja capital era Jerusalém, embora, há momentos em que ele é visto se dirigindo ao Reino do Norte, Israel, com a capital em Samaria (3.12; 31.2-6,15-22). No que diz respeito ao destinatário, Jeremias é constituído “profeta às nações” (Jr 1.5). Isso significa que, embora sua palavra imediata fosse dirigida a Judá e Jerusalém, seu alcance ultrapassava fronteiras. Os comentaristas ressaltam que essa designação amplia a relevância de sua missão: não se tratava apenas de corrigir os pecados internos do povo da aliança, mas de mostrar que a soberania de Javé envolve todos os povos. No início do livro, fica patente a dimensão universal da palavra profética: Judá seria o foco imediato do julgamento, mas Babilônia, Egito e outras nações também estariam sob o mesmo olhar divino. Assim, Jeremias é chamado a confrontar tanto o povo da aliança que se afastou de seu Deus quanto os poderes estrangeiros que, em sua arrogância, se julgavam autônomos.
Quanto ao conteúdo da mensagem de Jeremias, a Bíblia diz:
Depois, o Senhor estendeu a mão e tocou na minha boca. E o Senhor me disse: “Eis que ponho as minhas palavras na sua boca. Veja! Hoje eu o constituo sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e derrubar, para destruir e arruinar, e também para edificar e plantar.” (Jr 1.9,10 NAA).
Sua palavra tem alcance internacional (“nações e reinos”), o que confirma que sua missão vai além das fronteiras de Judá. Ele não é apenas profeta de uma cidade ou de uma tribo, mas intérprete da vontade de Deus para todo o cenário geopolítico de seu tempo. Os seis verbos apresentam um duplo movimento. Os quatro primeiros (“arrancar, derrubar, destruir, arruinar”) descrevem o caráter de juízo da palavra profética. Trata-se de expor o pecado, mostrar a futilidade da confiança enganosa, anunciar a queda de estruturas religiosas e políticas. A mensagem de Jeremias é inicialmente desconstrutiva: desfaz seguranças falsas para abrir espaço ao agir soberano de Deus. Os dois últimos verbos (“edificar, plantar”) apontam para a dimensão construtiva e restauradora da missão profética. A restauração acontece depois que o terreno foi limpo pela disciplina.

3. A MENSAGEM DE JEREMIAS E OS SEUS EFEITOS
3.1 A resposta do povo.
A LIÇÃO DIZ: Toda mensagem divina é um chamado e requer uma resposta dos que a ouvem. Diante da mensagem de Jeremias, o povo foi indiferente e maldoso, vindo, inclusive, a persegui-lo.
Como o povo reagiu a mensagem profética?
3.1.1 Conspiração. Conterrâneos do profeta planejaram matá-lo para silenciar sua profecia. Deus revelou a trama e pronunciou juízo contra os conspiradores de Anatote (Jr 11.18–23; 12.6).
3.1.2 Agressão física e humilhação pública. Pasur, sacerdote e superintendente do templo, mandou açoitar Jeremias e colocá-lo no tronco, expondo-o à vergonha. O profeta renomeou o agressor como “Terror ao redor” (Jr 20.1–6).
3.1.3 Prisão e tentativa de silenciamento por autoridades religiosas e civis. Após o sermão do templo, sacerdotes, profetas e o povo prenderam-no e exigiram sua morte. (Jr 26.1–24).
3.1.4 Desprezo régio pela Palavra. Jeoaquim queimou, coluna por coluna, o rolo ditado por Jeremias a Baruque, recusando-se a ouvir o chamado ao arrependimento. Deus ordenou reescrever o rolo com “muitas palavras semelhantes” (Jr 36.1–32).
3.1.5 Prisão, espancamento e cárcere. Acusado de deserção para os caldeus, Jeremias foi espancado pelos oficiais e lançado na casa do escrivão Jônatas transformada em prisão. Depois foi transferido para o pátio da guarda, onde continuou a falar em nome do Senhor (Jr 37.11–21).

3.1.6 Cova lamacenta e risco de morte por inanição. Líderes acusaram Jeremias de desmoralizar o povo e conseguiram lançá-lo numa cisterna sem água, apenas lama, para morrer lentamente. Um estrangeiro, Ebede-Meleque, intercedeu junto a Zedequias e organizou o resgate com cordas e trapos, demonstrando a providência de Deus por meios improváveis (Jr 38.1–13).
3.1.7 Coerção pós-queda e deportação forçada ao Egito. Após a queda de Jerusalém, Jeremias exortou o remanescente à obediência. Rejeitaram a Palavra, acusaram-no de falsidade e o levaram à força para o Egito, onde continuou denunciando a idolatria. A tradição judaica posterior menciona sua morte ali, mas a Escritura não registra esse desfecho explicitamente (Jr 40–44; observar 43.1–7; 44.15–19).
3.1.8 Hostilidade social, isolamento e escárnio. Para além dos atos oficiais, Jeremias descreve zombaria, difamação e solidão ministerial, marcas internas de perseguição que acompanham a fidelidade profética (Jr 15.10, 15–18; 15.17; 20.7–10).
3.2 O sofrimento de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: A humanidade e as limitações de Jeremias podem ser observadas em seu sofrimento ao longo de sua trajetória. O sofrimento do profeta se manifestou, externamente, na perseguição de seus inimigos (Jr 20.1-3) e nas dúvidas provocadas pela injustiça e a maldade humana. Os sofrimentos de Jeremias e a reação do povo à mensagem profética estão interligados, de modo que o ponto anterior esclarece adequadamente este subponto. Provação por ameaças de morte (11.18–23); provação por isolamento (15.15–21); provação por tortura no tronco (19.14–20.18); provação por prisão (26.7–24); provação por desafio (28.10–16); provação por destruição do rolo (36.1–32); provação por violência e encarceramento (37.15); provação pela fome (38.1–6); provação por correntes (40.1); provação pela rejeição (42.1–43.4).
3.3 O cumprimento das profecias de Jeremias.
A LIÇÃO DIZ: Jeremias chorou pela condição espiritual do povo de seus dias (Jr 9.1), antecipando cerca de 600 anos o que Jesus faria em seu ministério terreno (Lc 19.41). Ele falou a respeito da tristeza de Deus pela condição espiritual de seu povo, sobre a iminente destruição de Jerusalém e chamou o povo ao arrependimento. Pregar o arrependimento era a principal missão do ministério de Jeremias (Jr 18.7-11). Parte das profecias dele se cumpriram e parte delas ainda se cumprirão (Jr 33.14-18). O desejo do profeta, de que o povo se convertesse a Deus, será cumprido (Jr 32.38-41). No nível histórico, Jeremias anunciou a queda de Jerusalém, a destruição do templo e o exílio babilônico. Essas palavras se cumpriram de forma visível na invasão de 586 a.C. (Jr 7.14-15; Jr 25.8-11). Também predisse os setenta anos de cativeiro e o retorno do povo, promessa confirmada pelo decreto de Ciro (Jr 29.10). No campo da promessa, Jeremias falou de uma realidade que ia além da restauração política. Ele anunciou a nova aliança, na qual a lei de Deus seria gravada no coração e o perdão seria definitivo (Jr 31.31-34). Anunciou também o “Renovo justo”, descendente de Davi que reinaria com justiça (Jr 33.14-16). Essas palavras apontam para Cristo, em quem a nova aliança é inaugurada e em quem as promessas de justiça e restauração encontram seu cumprimento inicial e final. Assim, Jeremias nos mostra que a profecia é palavra que se cumpre em duas direções: no juízo histórico sobre o pecado do povo e na esperança de uma restauração plena em Deus.


CONCLUSÃO
A minha oração é: Que o Senhor arranque em nós as seguranças falsas e plante vida nova, dando-nos coragem para denunciar o pecado com compaixão e anunciar esperança sem maquiar a verdade. Cumpramos o nosso chamado com fidelidade.

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Divulgado cronograma de repasses de recursos do segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc

  Após análise dos Planos de Aplicação dos Recursos pelo Ministério da Cultura, o repasse dos valores da Política Nacional Aldir Blanc será iniciado. De acordo com o cronograma divulgado, os montantes serão repassados aos Estados a partir de 6 de outubro de 2025, e os Municípios receberão os recursos a partir de 24 de novembro de 2025. Os recursos do primeiro ciclo de repasses da Política também foram transferidos de forma similar. Assim, os Estados e Municípios de grande porte receberam os recursos em dezembro de 2023 e os demais Municípios receberam os valores em março de 2024.

Instituída pela Lei 14.399/2022, a Política Nacional Aldir Blanc é uma política de médio prazo, que prevê o repasse de até R$ 3 bilhões para que Estados, Distrito Federal e Municípios apliquem no setor cultural de forma ampla. Os valores do primeiro ciclo foram repassados aos entes federativos, que tiveram de cumprir com as seguintes obrigações para estarem aptos a receber os recursos do segundo ciclo:

  • executar pelo menos 60% dos recursos recebidos no ciclo anterior;
  • comprometer-se a destinar recursos próprios para a cultura; e
  • apresentar o Plano de Aplicação dos Recursos (PAR), a partir de escutas públicas, com detalhes sobre a utilização e áreas de aplicação dos recursos.

Para esclarecer as principais dúvidas dos gestores, a CNM produziu a Nota Técnica 6/2025 no formato de perguntas e respostas que apresenta todas as informações sobre etapas, procedimentos e formas de execução dos recursos que serão repassados no segundo ciclo da Política Nacional Aldir Blanc. Acesse aqui o material.

 

Aposentados já recuperaram R$ 1,5 bilhão em descontos indevidos do INSS

  Aposentados e pensionistas já recuperaram R$1,53 bilhão em devoluções de descontos indevidos em seus benefícios, desde o início do acordo de ressarcimento. A informação é do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

  Esse valor foi pago a 2,46 milhões de beneficiários que aderiram ao acordo — cerca de 74% dos 3,33 milhões que têm direito ao ressarcimento. A devolução ocorre em até três dias úteis após a adesão, com correção monetária (IPCA).

   Destaques estaduais
Os estados que concentram os maiores valores já devolvidos são:

  • São Paulo: R$ 293,7 milhões 
  • Minas Gerais: R$ 149,5 milhões 
  • Bahia: R$ 137,2 milhões 
  • Rio de Janeiro: R$ 124,4 milhões 
  • Ceará: R$ 93,5 milhões 

Quem pode aderir

  • Quem contestou o desconto indevido e não obteve resposta da entidade em até 15 dias úteis. 
  • Quem sofreu descontos entre março de 2020 e março de 2025. 
  • Quem possui ação judicial em andamento, desde que ainda não tenha recebido os valores — nesse caso, é exigida a desistência da ação. Para ações individuais protocoladas antes de 23 de abril de 2025, o INSS admite pagar 5% de honorários advocatícios. 

Para contestar o desconto indevido, o beneficiário pode acessar o aplicativo Meu INSS, ligar para a Central 135 ou comparecer presencialmente a uma agência dos Correios. O prazo de resposta é de até 15 dias úteis. Caso não haja retorno dentro desse período, o sistema libera a opção de adesão ao acordo.

O prazo para contestar os descontos se estende até, no mínimo, 14 de novembro de 2025, e a adesão ao acordo permanece aberta mesmo após essa data. 

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Brasil 61

Saúde digital atrai 8 em cada 10 brasileiros, mas obstáculos limitam acesso

  O Serviço Social da Indústria (SESI) apresentou, nesta terça-feira (23), em São Paulo (SP), durante o evento Conecta Saúde, os resultados de uma pesquisa nacional sobre saúde digital. O levantamento mostra que 78% dos brasileiros demonstram interesse em utilizar serviços digitais de saúde, como teleconsultas, agendamento online de consultas e exames, prescrição e atestado digital.

Apesar do interesse crescente, o estudo aponta que apenas 20% da população usou efetivamente algum serviço digital em 2025. O celular é o principal meio de acesso (96%) e os canais mais utilizados são telefone e WhatsApp (45%), aplicativos de planos de saúde (32%) e o ConecteSUS (31%). Para Emmanuel Lacerda, superintendente de Saúde e Segurança do SESI, os resultados confirmam que a saúde digital deixou de ser tendência para se tornar realidade. “A saúde digital amplia o acesso a serviços de qualidade, especialmente em regiões com escassez de profissionais ou infraestrutura. Ela permite atendimento mais rápido, redução de filas, monitoramento contínuo de condições de saúde e maior integração entre diferentes perspectivas do cuidado. Além disso, favorece a prevenção, ao oferecer ferramentas de autogestão e programas personalizados de bem-estar, resultando em mais qualidade de vida e produtividade”, avalia.

Pesquisa Saúde Digital: avaliação crescente

Entre 2023 e 2025, a avaliação positiva dos serviços digitais de saúde cresceu de 73% para 81% entre os usuários, segundo a pesquisa. Na telemedicina, fatores como praticidade (30%), agilidade (28%) e bom atendimento (14%) são os principais responsáveis pela aprovação. Por outro lado, a percepção de consultas superficiais (32%), falhas técnicas e dificuldades no agendamento (16%) ainda pesam nas avaliações negativas. O levantamento aponta que cada pessoa se interessa, em média, por dois serviços digitais. Os mais procurados são o agendamento online (57%) e a teleconsulta (49%), seguidos por exames integrados (33%), prescrição digital (23%) e atestado médico (18%). A inteligência artificial já está presente no apoio ao diagnóstico em 10% dos casos. A brasileira Roseane Silva, 38 anos, mudou-se para Valparaíso, na costa do Chile, em 2023, para trabalhar no segmento farmacêutico. Ela conta que a telemedicina se tornou parte da sua rotina e trouxe mais praticidade ao cuidado com a saúde. Para ela, a principal vantagem é a flexibilidade. “O que mais chama a minha atenção em relação a esse tipo de atendimento é justamente a flexibilidade, poder ser atendida na hora prevista, principalmente. Eu posso estar com mal-estar e ao agendar o serviço sei que nesse momento serei atendida, diferentemente de uma consulta presencial, que às vezes impossibilita que seja atendida no horário marcado”, afirma.O interesse pela telemedicina está em expansão. Dos entrevistados, 38% afirmaram que pretendem utilizar o recurso no futuro. A aceitação é maior entre jovens homens de 25 a 40 anos (44%), pessoas com ensino superior (51%) e rendas mais altas (47%). Nutricionistas (44%), psicólogos (42%) e farmacêuticos (40%) estão entre as especialidades mais aceitas no formato digital.

Já a resistência se concentra em pessoas de 41 a 59 anos (79%) e idosos (83%), que apontam insegurança e preferência pelo atendimento presencial.

Diante da resistência que ainda existe por parte da população, Roseane acredita que o cenário deve mudar com a ampliação do acesso e da confiança nos serviços digitais. “Acredito que quem ainda tem receio é porque precisa sentir segurança de que suas necessidades serão realmente atendidas. O tempo é sagrado. E muitas vezes a pessoa não pode se deslocar, seja pela rotina corrida ou por alguma comorbidade. Nesse sentido, a teleconsulta é uma solução prática, que atende no momento certo e contribui para melhorar a qualidade de vida”, completa.

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Trabalho infantil: meta de eliminar problema até 2025 está ameaçada, avalia ONU

  A meta de erradicar o trabalho infantil no mundo até 2025, prevista Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), está ameaçada. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua mostram que o trabalho infantil cresceu em 2024, com 1,650 milhão de crianças e adolescentes com 5 a 17 anos nessa situação. O número representa 34 mil jovens a mais trabalhando comparado a 2023 – uma alta de 2,1%.

  Os jovens brasieiros em situação de trabalho infantil representavam 4,3% da população na faixa etária. Entre essas crianças e adolescentes, 1,195 milhão realizavam atividades econômicas e 455 mil produziam apenas para o consumo próprio. Segundo dados da ONU de junho, no mundo, o trabalho infantil fazia 138 milhões de vítimas. Desses, cerca de 54 milhões de menores realizavam funções perigosas com possíveis prejuízos à saúde, à segurança e ao desenvolvimento. Em nota oficial, a ONU afirma que  a “meta de eliminar problema até 2025 fracassou”. A secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Katerina Volcov, afirma que erradicação do trabalho entre os jovens no país não será alcançada em 2025. 

   Na avaliação dela, o cenário demonstra que o Brasil está distante de cumprir a meta da ONU.

“De fato, a Agenda 2030 trouxe uma série de compromissos ao país e a Meta 8.7, que trata justamente da erradicação das piores formas de trabalho infantil, não será alcançada. Desde o ano passado a gente vinha mencionando essa problemática, pedindo atenção dos diferentes públicos, da sociedade em relação a isso, e com os dados atuais a gente percebe que a gente está muito distante”, diz. Volcov avalia que ainda existem desafios a serem enfrentados. Segundo ela, é importante considerar que há diversas outras formas de exploração da mão de obra infantil que não são contempladas na PNAD e que ocorrem atualmente.

“Esse cenário mostra que a gente tem grandes desafios ainda em relação ao enfrentamento do trabalho infantil e das suas piores formas. É importante dizer que esses dados que a PNAD traz, são a ponta do iceberg. Esses dados não contemplam algumas das piores formas de trabalho infantil, como a exploração sexual de crianças e adolescentes, o trabalho infantil de crianças e adolescentes que vivem e trabalham nas ruas, e o trabalho desempenhado na cadeia produtiva de drogas ilícitas, sem contar o trabalho infantil nas novas modalidades, das plataformas digitais”, destaca.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil é caracterizado por ser perigoso e prejudicial para a saúde, desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças. Além disso, esse tipo de trabalho interfere na escolarização desses jovens. Os dados do IBGE apontam que, em 2024, mais da metade das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (54,1%) realizavam afazeres domésticos e/ou tarefas de cuidados de pessoas.

“Para deixar bem claro, o trabalho infantil é toda atividade econômica ou de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remunerada ou não, realizada por crianças ou adolescentes”, explica Volcov.

Recorte regional do trabalho infantil no país

   No recorte regional, as regiões Nordeste e Sul registraram as maiores altas no número de crianças e adolescentes em trabalho infantil em 2024 em comparação relação a 2023. Houve uma variação de 7,3% e 13,6%, respectivamente. Já o Norte recuou 12,1%.

O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto, explica os dados regionais:

  “A análise regional mostra que a região Nordeste, o maior contingente de pessoas em situação de trabalho infantil, eram quase 550 mil em 2024, seguido pela região Sudeste, 475 mil. No entanto, em termos percentuais, a região Norte foi aquela que apresentou maior percentual. 6,2% das crianças e adolescentes da região Norte estavam em situação de trabalho infantil. E apesar de registrar o maior percentual, a região teve uma queda importante do contingente de pessoas em situação de trabalho infantil em relação a 2023, teve uma retração de 12,1%”, esclarece.

  Entre 2016 e 2024, o Nordeste apresentou a maior redução desse indicador , de 27,1%. Em contrapartida, a Região Centro-Oeste foi a única a registrar alta de trabalhadores infantis, de 7,0%.

  Consequências do trabalho infantil para crianças e adolescentes

  Considerando que a faixa etária das pessoas de 5 a 17 anos também contempla a idade escolar obrigatória prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a realização de um trabalho prejudica a vida estudantil.  Em 2024, 88,8% dos jovens nessa situação eram estudantes.

  Em relação à frequência escolar, a maior dofeença se observava entre adolescentes de 16 e 17 anos: 90,5% frequentavam a escola, enquanto entre aqueles em situação de trabalho infantil, a parcela de estudantes reduz para 81,8%.

  Katerina Volcov destaca que a situação prejudica o futuro profissional dessas crianças.

 “Se a gente pensar que crianças e adolescentes acabam evadindo da escola, ou que têm os seus aprendizados deficitários, de pouca qualidade, por conta do próprio cansaço que o trabalho exige desses corpos, a gente vai vendo que essas crianças e adolescentes acabam tendo trabalhos menos qualificados e que não produzem riqueza para o país”, pontua.

  Segundo ela, também há prejuízos ao desenvolvimento do país com “a continuidade do ciclo de pobreza dessas famílias”.

“Se não fosse tantas corrupções que temos no Brasil, inclusive no congresso nacional, respeitando aqueles (as) que valorizar seu caráter e votos que receberam, a situação seria outra bem melhor”.

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Mais de 1,1 mil municípios entram no sistema de inspeção de alimentos em três anos

Mais de 1,1 mil municípios foram integrados ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) nos últimos três anos. O crescimento é de quase 350% em comparação aos 16 anos anteriores, quando 331 municípios haviam sido integrados.. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (24), no município de Rio dos Cedros (SC), durante o encerramento da terceira edição do Projeto ConSIM. A iniciativa orienta tecnicamente consórcios públicos de municípios, em serviços de inspeção de produtos de origem animal dos consorciados
 O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, marcou presença na cerimônia de encerramento desse ciclo do ConSIM. Na ocasião, também foram lançados o e-SISBI 2.0 e o projeto “SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil”, em parceria com o Sebrae (ver abaixo). A programação também contou com a entrega de máquinas e equipamentos do Programa de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), iniciativa do Mapa que fortalece a produção local e moderniza as atividades agropecuárias em diversos municípios.

Resultados do Projeto ConSIM 3

O Projeto ConSIM, voltado ao fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal (SIM), apoia consórcios intermunicipais no processo de adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). A iniciativa exerce papel estratégico na expansão da agroindústria brasileiro ao oferecer oportunidades para que agroindústrias familiares alcancem mercados além dos limites locais.
 
Nesta 3ª edição do ConSIM, que compreendeu o ciclo 2024/2025, foram integrados 33 consórcios públicos municipais ao Sisbi-POA, abrangendo 593 municípios de 12 estados:
●     Minas Gerais (MG);
●     Alagoas (AL);
●     Bahia (BA);
●     Espírito Santo (ES);
●     Mato Grosso do Sul (MS);
●     Mato Grosso (MT);
●     Paraíba (PB)
●     Pernambuco (PE);
●     Rondônia (RO);
●     Rio Grande do Sul (RS);
●     Santa Catarina (SC);
●     São Paulo (SP).
 
O ministro Fávaro destacou os avanços do Sisbi-POA e os impactos positivos para produtores e consumidores.
 
“Hoje são 1.488 municípios que já podem vender os produtos da agricultura familiar em qualquer lugar do território nacional. E nós vamos juntos nessa parceria – o Ministério da Agricultura, os consórcios municipais, o SEBRAE – atingir, pelo menos, entre 2.500 e 3 mil municípios nesse período do governo do presidente Lula. Todos podem e devem se cadastrar no sistema SISM. Com isso, nós vamos gerar muitas oportunidades, começar a gerar emprego e renda no campo”, pontuou.
  “Estamos vivendo um momento histórico. O Sisbi amplia as oportunidades dos pequenos produtores, assegura alimentos de qualidade para os consumidores e já alcança mais de 1.400 municípios. Até o próximo ano, queremos chegar a 2.500, fortalecendo a renda no campo e a economia nas cidades, com mais segurança e competitividade para a produção brasileira”, complementou o ministro.

Plataforma digital e-Sisbi 2.0

Anunciada no evento, a plataforma digital e-Sisbi 2.0 pretende potencializar ainda mais os resultados. A inovação, além de modernizar e automatizar todo o processo de integração, desde o cadastro até a análise final, reduz pendências e acelera prazos para permitir a homologação em tempo recorde dos 33 consórcios agora incluídos.
 

Projeto SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil

Na programação, o ministro Carlos Fávaro, ao lado do presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima, lançou o Projeto SIMples AsSIM – Do pequeno para o Brasil. A iniciativa, fruto da parceria entre o Mapa e o Sebrae, tem como objetivo acelerar a formalização das agroindústrias de pequeno porte e fortalecer os Serviços de Inspeção Municipal (SIM). Além disso, o projeto busca ampliar a integração dos estabelecimentos ao Sisbi-POA, para promover maior competitividade e acesso a mercados. Ao integrar inclusão produtiva, segurança alimentar e desenvolvimento econômico local, transforma desafios estruturais em oportunidades concretas de crescimento para a agricultura familiar

Entregas de máquinas Promaq

Durante o evento, foram entregues quatro máquinas, totalizando 13 equipamentos, entre rolos compactadores, retroescavadeiras e tratores. O investimento de R$ 5,1 milhões, beneficiará os seguintes municípios de Santa Catarina:
●     Luiz Alves;
●     Paraíso;
●     Sangão;
●     Alfredo Wagner;
●     Santa Terezinha do Progresso;
●     Iomerê;
●     Armazém;
●     Bela Vista do Toldo;
●     Florianópolis;
●     Monte Carlo;
●     Santo Amaro da Imperatriz;
●     Anita Garibaldi;
●     São Miguel do Oeste.
Os equipamentos contribuem para a mecanização agrícola, o aumento da produtividade, a redução dos custos de produção e a promoção da sustentabilidade no campo. Além de ampliar a qualidade de vida no meio rural e levar infraestrutura a áreas menos assistidas.

 Brasil 61

Adriana Birolli revela detalhes do vestido de casamento

   Adriana Birolli está prestes a viver um dos momentos mais especiais de sua vida. A atriz se prepara para o casamento com Ivan Zettel, que acontece no próximo dia 28, na Casa do Alto, no Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro. Em entrevista ao gshow, a atriz revelou alguns detalhes do vestido, considerado por ela o grande destaque da cerimônia. A peça foi criada pelo Artha Atelier, de Curitiba, cidade natal da atriz, com acompanhamento do stylist Dudu Farias e da irmã de Adriana, Letícia Birolli. Segundo a noiva, o modelo será único, mas terá transformações ao longo do evento, adaptando-se a diferentes momentos da celebração.

Vou usar apenas um vestido, que vai se transformar ao longo do evento. Ele será leve e, também, apoteótico! Tudo feito em musseline de seda e com aplicações manuais de rendas“, contou Adriana, ressaltando o cuidado em cada detalhe. O desenho promete leveza em movimento, sem perder a dramaticidade clássica que a noiva deseja.

O casamento de Adriana Birolli

Tanto a cerimônia religiosa quanto a festa serão realizadas no mesmo local, em meio à natureza da Casa do Alto. Adriana será conduzida até o altar pelo pai, Anselmo Ferreira, e terá como daminhas as sobrinhas Liz, de 13 anos, e Joana Birolli, de 9. As meninas serão responsáveis por levar as alianças no cortejo e entregá-las aos noivos no momento da troca.

O casamento será celebrado por Diogo Camargos, amigo próximo do casal. “Lá vai acontecer a cerimônia e a festa. O espaço é lindo, no meio da floresta, algo que amamos“, destacou a atriz. Para a ambientação, Adriana pediu um cenário repleto de plantas e flores, refletindo sua paixão pela natureza. O responsável pela decoração será Ronaldo Vasconcellos, que cuidará dos detalhes para que o espaço esteja em harmonia com o estilo escolhido pela atriz para este dia especial.

caras

Simone Mendes abre o jogo sobre fãs criativos e presentes inusitados: ‘Os melhores do mundo’

   O São João de 2025 já passou, mas ainda rende histórias marcantes para Simone Mendes (41). A cantora, que brilhou em uma maratona de 20 shows durante o mês de junho com a turnê Cantando Sua História, segue colhendo os frutos do sucesso e relembrando momentos que viralizaram.

    Além do repertório com hits como Me Ama ou Me Larga Saudade Proibida — esta última alcançando o topo do Spotify Brasil —, Simone chamou atenção pelas interações divertidas e emocionantes com o público. Um dos episódios mais comentados foi o reencontro, na Bahia, com Nina, a fã que acidentalmente derrubou Simaria em um show de 2017. Na ocasião, a artista não só perdoou como abraçou a jovem no palco, arrancando aplausos da plateia. “Gratidão por tudo que vivi neste São João”, destacou Simone, reforçando que não guarda mágoas do episódio.

Presentes inusitados dos fãs

Durante entrevista exclusiva à CARAS BrasilSimone contou que os fãs se superaram na criatividade este ano.

“Eu tenho os melhores fãs do mundo! De fato, ganho muitos presentes inusitados e, neste São João, os fãs foram além“, disse, rindo ao recordar que recebeu até uma galinha e um jogo de cozinha.

Apesar da boa vontade, a artista fez um pedido especial:

Apesar de amar e cuidar dos bichinhos com muito amor, pedi para que os fãs não me levem mais animais. Existem burocracias de aeroportos e, o principal, eles sofrem. Cuidem dos bichinhos e continuem me dando panos de prato, potes“, pediu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A galinha Jurema e a coleção de mimos

Os presentes, no entanto, não ficam esquecidos. Simone garantiu que guarda e até usa muitos deles no dia a dia.

caras

Brasília pode deixar de ser a capital do Brasil temporariamente; entenda por que

  A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (25) o Projeto de Lei 358/25, da deputada Duda Salabert (PDT-MG), que transfere simbolicamente a capital da República de Brasília para Belém, no Pará, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), entre os dias 11 e 21 de novembro.

O texto segue agora para análise do Senado.

A COP (Conference of the Parties) é o principal fórum internacional de discussão sobre mudanças climáticas. Desde 1995, a COP reúne todos os anos líderes mundiais, cientistas, empresas e organizações da sociedade civil. Conforme a proposta aprovada, durante a COP30, os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém para conduzir suas atividades institucionais e governamentais.

Parecer favorável

O relator, deputado José Priante (MDB-PA), recomendou a aprovação do projeto. “Não é uma novidade no Brasil, já aconteceu em 1992, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro, numa sinalização nacional e internacional de que todas as atenções do país deveriam estar voltadas para aquele grande evento”, relembrou.

“A COP30 configura-se como o maior evento das Nações Unidas para discussão e negociações sobre o regime internacional da mudança do clima”, disse Priante. “O evento consolidará o Brasil na vanguarda da diplomacia climática e ambiental, posição historicamente ocupada pelo país desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92)”, destacou o relator.

Outros pontos

Pelo texto, despachos e atos do presidente da República e dos ministros de Estado assinados durante a COP30 deverão ser referenciados como ocorridos em Belém. O Poder Executivo deverá regulamentar a futura lei, estabelecendo as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária. “A medida não é só um gesto simbólico, é um compromisso do Brasil com agenda climática e o desenvolvimento sustentável”, afirmou Duda Salabert na sessão do Plenário. “Transferir a capital para Belém é uma forma de colocar a região amazônica no centro das decisões políticas globais”, continuou a deputada.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Aprovação ao STF sobe após condenação de Bolsonaro; rejeição à Câmara dispara, segundo pesquisa

  Pesquisa Pulso Brasil/Ipespe divulgada nesta quinta-feira (25) aponta que o Supremo Tribunal Federal (STF) melhorou sua imagem junto à população após condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pela trama golpista.  Segundo o levantamento, em julho, quando Bolsonaro e outros réus do núcleo crucial da tentativa de golpe ainda não tinham ido a julgamento, a aprovação do STF era de 43% e subiu para 46% após a condenação da organização criminosa – um aumento de 3 pontos percentuais. Já a desaprovação fez caminho contrário e caiu: foi de 49% para 45%. 

Rejeição à Câmara dispara 

A rejeição à Câmara dos Deputados, por sua vez, disparou após a aprovação da “PEC da Bandidagem”, que visa blindar parlamentares de investigações, e articulações para aprovar anistia aos golpistas.  Segundo a pesquisa Pulso Brasil/Ipespe, em julho a aprovação da Câmara junto à população era de 24% e, em setembro, despencou para 18%. Já a desaprovação subiu 7 pontos percentuais: era de 63% e agora chega a 70%. 

Lula aumenta popularidade 

O mesmo levantamento mostrou ainda que a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a crescer e chegou a 50%. O índice supera numericamente a desaprovação à administração federal, registrada em 48%. Na comparação com a pesquisa divulgada em julho, a avaliação positiva do governo avançou sete pontos percentuais, enquanto a desaprovação recuou três pontos. O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todas as regiões do país entre os dias 19 e 22 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95,45%.

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VÍDEO: Boulos desmascara Tarcísio e revela plano do governador de SP para o Brasil

  O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), busca construir uma imagem de “bolsonarista moderado” e, assim, receber a bênção do ex-presidente Jair Bolsonaro para ser o candidato da extrema direita à Presidência da República.

No entanto, o próprio Tarcísio de Freitas mostrou que, de moderado, não tem nada. Na manifestação de 7 de Setembro, em São Paulo, ele disparou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o classificou como “tirano” — discurso raiz do bolsonarismo. Diante disso, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), em um rápido e irônico vídeo, desmascarou Tarcísio e revelou qual é o real projeto político do governador, que tenta vender a imagem de “moderado”. “O governador de São Paulo só pensa naquilo: ser o candidato da direita em 2026. Ele já conseguiu o apoio do Centrão e dos bilionários. Só tem um problema: Bolsonaro não larga o osso. O golpista está fazendo de tudo para escapar da cadeia, e a base bolsonarista ainda sonha com ele como candidato”, afirma Boulos. Em seguida, Boulos destaca que Tarcísio de Freitas abandonou o estado de São Paulo: “Agora, o grande desafio do Tarcísio é conquistar o posto de candidato sem desagradar os bolsonaristas. Ele já deixou São Paulo pra lá, tirou a máscara, ataca o STF e só fala em anistia. Entrou na linha de frente pela impunidade aos golpistas e aplaude o tarifaço de Trump. O Tarcísio mente sobre os seus reais objetivos.”

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A ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM

                   Doutrina, Comunhão e Fé: A Base para o Crescimento da Igreja em meio às Perseguições

INTRODUÇÃO
Nesta lição, encerramos o trimestre analisando um dos momentos mais cruciais da história da Igreja Primitiva: a Assembleia de Jerusalém. Diante de um sério conflito sobre se os gentios convertidos precisavam seguir a lei judaica para se salvarem, os líderes da igreja se uniram em busca de uma solução. O objetivo era preservar a essência da salvação pela graça e, ao mesmo tempo, manter a unidade do Corpo de Cristo. Veremos como esses homens de Deus, guiados pelo Espírito Santo, tomaram uma decisão sábia, que se tornou um marco para o futuro da fé cristã. Preparados? Vamos juntos aprender a Palavra de Deus.

TEXTO ÁUREO
“Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nenhum peso maior que estes poucos requisitos: abstenham-se de comer alimentos oferecidos a ídolos, de consumir o sangue ou a carne de animais estrangulados, e de praticar a imoralidade sexual. Farão muito bem se evitarem essas coisas. “Que tudo lhes vá bem.” (At 15.28,29 NVT). Atos 15 não marca o fim da igreja de Jerusalém, mas o começo da descentralização do cristianismo para alcançar o mundo. O foco de Lucas, após Atos 15, se desloca de Jerusalém para as viagens missionárias de Paulo (At 16–28).
Esboço Exegético-Teológico de Atos 15.1–29
I. Conflito em Antioquia e a questão da circuncisão 15.1–5
A. (v. 1) Conflito introdutório.
B. (vv. 2-3) Envio de Paulo e Barnabé a Jerusalém.
C. (v. 4-5) Recepção em Jerusalém.
II. O Concílio e os discursos de Pedro, Barnabé, Paulo e Tiago 15.6–21
A. (v. 6) Reunião formal dos líderes.
B. (vv. 7-11) Discurso de Pedro.
C. (v. 12) Testemunho de Barnabé e Paulo.
D. (vv. 13-21) Discurso de Tiago (irmão do Senhor).

III. Carta e envio dos Delegados a Antioquia 15.22–29
A. (vv. 22-23) Decisão colegiada e carta oficial.
B. (vv. 24-27) Conteúdo da carta.
C. (vv. 28-29) Requisitos para os gentios.

VERDADE PRÁTICA
Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente. A Igreja como organismo é o corpo vivo de Cristo, gerado pela Palavra e pelo Espírito, composto por pessoas regeneradas e unidas em uma só fé e um só batismo. Sua identidade nasce de cima. Ela é uma realidade espiritual, relacional e dinâmica, na qual Cristo é a Cabeça, o Espírito é o princípio de vida e os crentes são membros interdependentes que recebem dons para edificação mútua e crescimento em santidade e amor. Essa vida interior se manifesta em fé, arrependimento, comunhão, serviço, mutualidade e missão entre as nações. A Igreja como organização é a forma visível e ordenada desse mesmo corpo no tempo e no espaço. Ela se expressa por liderança reconhecida, decisões colegiadas, regras de convivência, disciplina e responsabilidade recíproca, para proteger a verdade do evangelho, promover a unidade e orientar os irmãos em direção a vontade de Deus. Trata-se da dimensão institucional e funcional da Igreja no mundo, na qual Cristo governa por meio de oficiais, assembleias e normas que visam servir a vida do corpo, e não substituí-la.
Como organização
Como organismo
1. Visível: estruturas, membros, práticas e decisões públicas.
1. Invisível no sentido espiritual: união com Cristo.
2. Local: igrejas situadas no tempo e no espaço.
2. Universal: um só corpo em Cristo, além de fronteiras e culturas.
3. Ordenada por meios humanos: oficiais, regras e processos (debaixo da Palavra).
3. Gerada divinamente: obra do Espírito que regenera e une em Cristo.
4. Histórica e contingente: sujeita a mudanças, reformas e contextos.
4. Perpétua no propósito de Deus: permanece através da história e na consumação.
5. Mista e imperfeita: santos ainda em processo, com falhas e limitações.
5. Perfeita em Cristo: santidade e unidade plenas, consumadas na glória.
6. Governança e responsabilidade: decisões colegiadas e disciplina.
6. Vida e crescimento: dons, fruto do Espírito e edificação mútua.
7. Sinais visíveis: pregação, ordenanças e confissão pública.
7. Graça interior: fé, arrependimento e comunhão com Deus.

1. A QUESTÃO DOUTRINÁRIA
1.1 O relatório missionário.
A LIÇÃO DIZ: A questão doutrinária que se tornou objeto de discussão no Concílio de Jerusalém, abordada no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, teve seu início na igreja de Antioquia. Ela começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à igreja de Antioquia um relatório sobre a Primeira Viagem Missionária que haviam realizado. Nesse relatório, os missionários narraram o que Deus havia feito entre os gentios e como estes aceitaram a fé (At 14.27). O relatório deixa implícito que a salvação dos gentios ocorreu inteiramente pela graça de Deus, sem que nenhuma exigência da Lei, como a circuncisão, fosse imposta a eles. Em outras palavras, a salvação é um dom de Deus, concedido inteiramente por sua graça.
Vamos ao texto bíblico:
Atravessando a Pisídia, Paulo e Barnabé se dirigiram à Panfília. E, tendo anunciado a palavra em Perge, foram para Atália e dali navegaram para Antioquia, onde tinham sido recomendados à graça de Deus para a obra que agora tinham terminado. Quando chegaram a Antioquia, reuniram a igreja e relataram tudo o que Deus havia feito com eles e como tinha aberto aos gentios a porta da fé. E permaneceram muito tempo com os discípulos. (At 14.24-27 NAA). Sobre essa passagem bíblica, Lopes (2012, p. 275-276) comenta:
Passos resolutos foram dados pela igreja no sentido de alcançar os gentios para Cristo por intermédio da pregação do evangelho. O primeiro passo na direção dos gentios começou em Cesareia, com a conversão do prosélito Cornélio e sua casa. Quando a igreja de Jerusalém ouviu o relato de Pedro acerca dessa conversão, trocaram a murmuração pela adoração (11.18). O segundo passo na direção dos gentios aconteceu quando crentes anônimos evangelizaram os gregos em Antioquia (11.20) e a igreja de Jerusalém enviou Barnabé a essa terceira maior cidade do império romano. Este, vendo a graça de Deus, alegrou-se (11.23). O terceiro passo é a primeira viagem missionária realizada por Paulo e Barnabé, quando eles se voltam para os gentios (13.46). Em cada cidade visitada, levavam Cristo a judeus e gentios (14.1, 27). John Stott é categórico em afirmar: “A missão entre os gentios estava ganhando ímpeto. As conversões dos gentios, que antes pareciam gotas, estavam se transformando rapidamente em correnteza”. É hora de voltar para casa. É hora de recarregar as baterias. É hora de testemunhar os grandes feitos de Deus na obra missionária. Paulo e Barnabé, retornam a Antioquia da Síria. Imagine a alegria de uma igreja que enviou missionários, orou por eles, sustentou-os, e agora os vê voltar contando maravilhas: cidades alcançadas, pessoas transformadas, milagres acontecendo, “a porta da fé aberta aos gentios” (At 14.27). Esse foi o clima em Antioquia quando Paulo e Barnabé chegaram da sua primeira viagem missionária.
Pensando no texto de forma expositiva:
   Esses bravos missionários fizeram três coisas importantes ao retornarem à igreja que os encaminhara à obra missionária.
1.1.1 Em primeiro lugar, eles relataram as intervenções extraordinárias de Deus na vida deles (14.27).
1.1.2 Em segundo lugar, eles relataram como Deus abriu aos gentios a porta da fé (14.27). O sucesso da obra missionária não foi devido ao poder inerente dos missionários nem a seus métodos. Foi Deus quem abriu aos gentios a porta do evangelho.
1.1.3 Em terceiro lugar, eles permaneceram muito tempo com os discípulos (14.28). Não há trabalho missionário desconectado da igreja local. Não há ministério itinerante sem a ligação com a igreja. Paulo e Barnabé precisam da igreja, e a igreja precisa dos missionários.
  No entanto, no meio da festa e de todo aquele clima de alegria, surge uma tensão: “Será que esses novos convertidos são realmente parte da família de Deus, mesmo sem guardar as tradições da Lei?” Essa pergunta simples se tornou uma das maiores crises da história da Igreja primitiva.
1.2 O legalismo judaizante.
A LIÇÃO DIZ: Lucas mostra que um grupo de judaizantes se sentiu incomodado com o relatório dos missionários (At 15.1). Esse grupo, composto por fariseus supostamente convertidos à fé, que haviam vindo de Jerusalém para Antioquia, se opôs ao ingresso de gentios na Igreja sem que estes, antes, cumprissem as exigências da Lei. Houve, portanto, um confronto entre esse grupo judaizante e os missionários Paulo e Barnabé. A questão tomou grandes proporções, correndo o risco até mesmo de dividir a igreja em Antioquia, o que exigia uma resposta rápida por parte da liderança. Contudo, por se tratar de um tema complexo e de amplo alcance, a igreja de Antioquia considerou adequado remeter a questão para Jerusalém, a igreja-mãe, onde o assunto seria analisado e amplamente discutido pelos apóstolos e presbíteros (At 15.2).
Vamos ao texto bíblico:
Alguns indivíduos que foram da Judeia para Antioquia ensinavam aos irmãos: — Se vocês não forem circuncidados segundo o costume de Moisés, não podem ser salvos. (At 15.1 NAA). É importante observar que a carta aos Gálatas precede o Concílio de Jerusalém. Durante o período que permaneceu em Antioquia ou mesmo a caminho de Jerusalém, Paulo escreveu esta epístola para combater exatamente a influência perniciosa desses falsos mestres judaizantes que perturbavam a igreja com a pregação de outro evangelho, que de fato não era evangelho (Gl 1.6–9). A influência desses falsos “irmãos” que desceram de Jerusalém, alegando enganosamente que estavam representando Tiago, foi tão forte que até mesmo Pedro e Barnabé foram afetados por eles (Gl 2.11–14). Contudo, diante da repreensão de Paulo, ambos voltaram à sensatez, e se uniram a Paulo no Concílio de Jerusalém, em defesa do evangelho de Cristo e rejeição às ideias dos judaizantes (15.7–12).
Os judaizantes eram judeus que haviam crido em Jesus como Messias, mas continuavam firmemente ligados à tradição mosaica. Como observa David Peterson, Lucas evita chamá-los de apóstolos ou presbíteros, pois eles não representavam a liderança oficial da igreja de Jerusalém, mas um grupo particular que defendia sua própria interpretação. Para eles, a fé em Cristo não era suficiente sem a observância da Lei, sobretudo da circuncisão. Quanto ao conteúdo do que eles pregavam, o texto bíblico é claro: “Se não forem circuncidados, segundo o costume ensinado por Moisés, não poderão ser salvos” (At 15.1). Não se tratava apenas de uma questão cultural ou de convivência, mas de um requisito de salvação. Darrell Bock sublinha que essa exigência transformava o evangelho em algo condicionado a uma obra humana, acrescentando um rito da Lei como passo indispensável para a salvação. A a questão em jogo era a própria essência do evangelho: somos salvos pela graça de Cristo ou por Cristo mais Moisés? Por que esses legalistas eram tão perigosos? Warren Wiersbe responde que eles tentavam misturar a lei e a graça e colocar vinho novo em odres velhos e frágeis (Lc 5.36–39). Costuravam o véu rasgado do santuário (Lc 23.45) e colocavam obstáculos no caminho novo e vivo para Deus, aberto por Jesus através de sua morte na cruz (Hb 10.19–25). Reconstruíram o muro de separação entre judeus e gentios que Jesus derrubou no Calvário (Ef 2.14–16). Colocavam o jugo pesado do judaísmo sobre os ombros dos gentios (15.10; Gl 5.1) e pediam que a igreja saísse da luz e fosse para as sombras (Cl 2.16,17; Hb 10.1). Argumentavam: “Antes de se tornar um cristão, o gentio precisa tornar-se judeu! Não basta simplesmente crer em Jesus Cristo. Também é preciso obedecer à lei de Moisés!”. O lema desses mestres judaizantes era “Jesus e circuncisão”.

2. O DEBATE DOUTRINÁRIO
2.1 Uma questão crucial.
A LIÇÃO DIZ: A questão gentílica chegou a Jerusalém para ser tratada. Contudo, os judaizantes, que ali se encontravam, deixaram claro que a igreja deveria circuncidar os gentios convertidos e ordenar que eles “guardassem a lei de Moisés” (At 15.5). No entendimento desse grupo, sem a observância da Lei, ninguém podia se salvar. Pedro é o primeiro a ver a gravidade da questão e percebe que ela não pode ser tratada de forma subjetiva. A questão deveria ser tratada com a objetividade que o caso exigia, e a experiência da salvação dos gentios em Cesareia, ocorrida anos antes, deveria servir de parâmetro (At 10.1-46). Pedro, então, evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós” (At 15.8).
Tendo surgido um conflito e grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, foi resolvido que esses dois e mais alguns fossem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, para tratar desta questão. Encaminhados, pois, pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. Quando chegaram a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros, a quem relataram tudo o que Deus havia feito com eles. Mas alguns membros do partido dos fariseus que haviam crido se insurgiram, dizendo: — É necessário circuncidá-los e ordenar-lhes que observem a lei de Moisés. (At 15.2-5 NAA).
Vamos destacar alguns pontos:
2.1.1 O embate. Lucas emprega o termo grego stasis, ou “sedição”, para descrever a ferrenha controvérsia. Paulo e Barnabé enfrentam esses falsos mestres. Não aceitam essa imposição herética e defendem a verdade com todo o vigor. O embate tomou proporções tão grandes que a igreja de Antioquia não seria o local adequado para a resolução dessa questão. Portanto, os irmãos são enviados a igreja mãe que ficava em Jerusalém para discutirem essa causa.
2.1.1.1 Uma coisa é o debate entre pré-tribulacionismo e pós-tribulacionismo, tricotomia e dicotomia, arminianismo e calvinismo, pois se trata de perspectivas possíveis nas Escrituras em matérias secundárias. Algo distinto, porém, diz respeito a temas como ideologia de gênero, aborto, e as doutrinas da suficiência, inspiração e inerrância das Escrituras, bem como a salvação pela fé. Nesses pontos, não há margem legítima para aceitação no âmbito da fé cristã bíblica, e a Igreja não deve aceitá-los como passíveis de negociação.
2.1.2 A viagem. Antioquia fica a cerca de 400 km de Jerusalém, de sorte que em vez de viajarem diretamente para lá, eles decidiram parar nas igrejas de Fenícia (na costa da Síria; Tiro e Sidom ficam em Fenícia) e Samaria (entre Galileia e Judeia) e reportam sobre os recentes avanços que tiveram no ministério aos gentios. O termo para “conversão” (somente aqui no Novo Testamento) é epistrophē e indica uma “transformação” a partir dos deuses pagãos para Cristo. Esse relato sobre o sucesso da missão aos gentios resulta em grande alegria em todas as igrejas, mostrando que além de concordarem com Paulo também estavam encantadas com a possibilidade de uma participação plena dos gentios na igreja. Os judaizantes eram claramente o partido minoritário na igreja como um todo.
2.1.2.1 Fica evidente que um grupo, ainda que pequeno, pode causar grande perturbação a igreja.
2.1.3 A recepção dos apóstolos e presbitérios. Os missionários e seus companheiros chegam a Jerusalém e são oficialmente recebidos pelos apóstolos e presbíteros da igreja. Supomos que os apóstolos estavam proclamando o evangelho em numerosos lugares. Para essa reunião, entretanto, foi lhes pedido que se encontrassem em Jerusalém. Por exemplo, Pedro, que partira de outro local (12.17), retorna à cidade santa e assume ali a função de liderança. Tiago está presente e também João (Gl 2.9). Note-se que a igreja antioquense nomeou Paulo e Barnabé para se reunirem com os apóstolos e presbíteros em Jerusalém. Ao ali chegarem, os missionários são recebidos oficialmente como iguais pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros. Isso indica a união fundamental da igreja cristã.
2.1.4 A recepção dos fariseus. Não podemos determinar se os judaizantes que tinham visitado a igreja em Antioquia haviam retornado a Jerusalém. Sozinho, esse ponto é irrelevante, mas membros do partido dos fariseus que haviam se tornado cristãos reagem pronta e negativamente ao relatório dos missionários. Eles nem mesmo esperam que os apóstolos e presbíteros formulem uma resposta aos missionários que representam a igreja antioquense. Determinam que todos os cristãos, quer judeu ou gentio, sejam obrigados a obedecer a toda a lei de Moisés, e isso inclui a circuncisão. John Albert Bengel observa: “Era mais fácil fazer um cristão de um gentio do que sobrepujar o falso ensino dos fariseus”.
2.1.4.1 Os fariseus que haviam crido em Jesus eram genuínos convertidos, mas ainda carregavam consigo os óculos da Lei. Eles não negavam a fé em Cristo, mas não conseguiam concebê-la sem o complemento da Torá. Para eles, Jesus era necessário, mas não suficiente. Esse apego mostra que falsas seguranças religiosas, quando profundamente enraizadas, não desaparecem da noite para o dia.
2.2. A experiência do Pentecostes na fé dos gentios.
A LIÇÃO DIZ: O derramamento do Espírito sobre os gentios, anos antes, em Cesareia, na casa de Cornélio (At 10), havia sido uma experiência objetiva, física e observável por todos os presentes ali (At 10.44-46; At 2.4). Pedro espera que seu argumento seja aceito da mesma forma que fora aceito, anos antes, pelos judeus que haviam questionado a salvação dos gentios de Cesareia.
Vamos ao texto bíblico:
Então os apóstolos e os presbíteros se reuniram para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e disse: — Irmãos, vocês sabem que, desde há muito, Deus me escolheu entre vocês para que da minha boca os gentios ouvissem a palavra do evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também o havia concedido a nós. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes o coração por meio da fé. Agora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles. (At 15.6-11 NAA). O apóstolo Pedro foi uma peça fundamental no esclarecimento da verdade. Era um líder na igreja. Sua palavra tinha muito peso. Pedro já enfrentara um sério problema em Antioquia, quando deixou de ter comunhão com os crentes gentios e foi duramente exortado por Paulo (Gl 2.11–14). Agora, revelando humildade, posiciona-se firmemente contra a bandeira levantada pelos fariseus.
Na defesa de Pedro, quatro verdades são proclamadas:
2.2.1 Deus escolheu Pedro para abrir a porta da fé aos gentios (15.7). O Senhor Jesus colocou nas mãos de Pedro as chaves do reino (Mt 16.19) e ele as usou para abrir a porta da fé aos judeus (2.14–36), aos samaritanos (8.14–17) e aos gentios (10.1–48). Em outras palavras, Pedro pregou aos judeus no Pentecostes, aos samaritanos em Samaria e ao gentio Cornélio em Cesareia.
2.2.2 Deus enviou o Espírito Santo aos gentios (15.8). Quando os gentios creram em Cristo, Deus confirmou a legitimidade dessa experiência, enviando-lhes o Espírito. O Espírito não foi dado aos gentios pela observância da lei, mas pelo exercício da fé (10.43–46; Gl 3.2).
2.2.3 Deus eliminou uma diferença (15.9). Deus não faz diferença entre judeus e gentios. A salvação é concedida não como resultado das obras nem por causa da raça. Deus trata tanto judeus como gentios da mesma maneira.
2.2.4 Deus removeu o jugo da lei (15.10). A declaração mais enfática de Pedro e sua exortação mais contundente foi acerca da remoção do jugo da lei. A lei pesava sobre os judeus, mas esse jugo havia sido removido por Jesus (Mt 11.28–30; Gl 5.1–10; Cl 2.14–17). A lei não tem poder de purificar o coração do pecador (Gl 2.21), de conceder o dom do Espírito (Gl 3.2), nem de dar vida eterna (Gl 3.21). Aquilo que a lei era incapaz de fazer, Deus realizou por meio do seu próprio Filho (Rm 8.1–4). O discurso de Pedro tem o mesmo efeito que sua palavra tivera no passado, após os acontecimentos na casa de Cornélio. Naquela ocasião, apaziguaram-se (11.18). Agora toda a multidão silenciou (15.12).
2.3 A fundamentação profética da fé gentílica.
A LIÇÃO DIZ: Enquanto Pedro recorreu à experiência do Pentecostes como sinal de validação da fé gentílica. Por outro lado, Tiago, o irmão do Senhor Jesus, recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para ele, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas: “E com isto concordam as palavras dos profetas” (At 15.15).
Vamos ao texto bíblico:
Depois que eles terminaram, Tiago tomou a palavra e disse: — Irmãos, ouçam o que tenho a dizer. Simão acaba de relatar como, primeiramente, Deus visitou os gentios, a fim de constituir entre eles um povo para o seu nome. Com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito: “Depois disso, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; reedificarei as suas ruínas e o restaurarei. Para que o restante da humanidade busque o Senhor, juntamente com todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde os tempos antigos.” (At 15.13-18 NAA).
Tiago, líder da igreja em Jerusalém, cita Amós 9.11-12 para demonstrar que a restauração do “tabernáculo de Davi”, isto é, a reconstituição do povo de Deus em Cristo, inclui também os gentios. A promessa não se restringe a Israel; ela visa que “o restante da humanidade busque o Senhor, juntamente com todos os gentios” (At 15.17). Assim, Tiago articula a experiência apostólica com o testemunho profético: a fé dos gentios não é acréscimo tardio, mas parte do desígnio divino anunciado desde o princípio e agora confirmado em Cristo. Tiago desenvolveu o seguinte argumento: primeiro, Deus visitaria os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome. Essa era a realidade que estavam vivendo naqueles dias (e ainda estamos nos dias de hoje). A igreja estava sendo formada pela inclusão de convertidos gentios e judeus. Aquilo que estava acontecendo no tempo dos apóstolos em pequena escala (a salvação dos gentios) ocorreria posteriormente em grande escala. Cristo voltaria, restauraria Israel como nação e salvaria todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o seu nome. Para Tiago, os acontecimentos de sua época eram a primeira visitação de Deus aos gentios. A seu ver, tal visitação inicial estava em perfeita harmonia com a predição de Amós, a saber, a futura visitação dos gentios quando Cristo voltar como Rei. Apesar de não serem idênticos, os dois acontecimentos conferiam.
Observe, então, a ordem dos acontecimentos:
2.3.1 O chamado dos gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o seu nome (v. 14) durante a presente era da graça.
2.3.2 A restauração da parte do povo de Israel que crer por ocasião da segunda vinda de Cristo (v. 16).
2.3.3 A salvação das nações gentias depois da restauração de Israel (v. 17). Esses gentios são chamados de todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome.

3. A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM
3.1 O Espírito na Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: É digno de nota o papel atribuído ao Espírito Santo na tomada de decisões da Igreja: “[…] pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28). O Espírito Santo não era apenas visto como uma doutrina na Igreja, mas como uma pessoa com participação ativa nela. A conferência de Jerusalém foi dirigida pelo Espírito Santo. Jesus prometera que o Espírito Santo guiaria os fiéis em toda a verdade (Jo 16.13). As decisões da igreja não devem ser tomadas pelo homem apenas; este deve buscar a direção do Espírito, mediante oração e jejum e a fidelidade à Palavra de Deus até que a vontade divina seja claramente discernida (cf. At 13.2-4). A igreja, para ser realmente a igreja de Cristo, deve ouvir o que o Espírito diz às igrejas locais (cf. Ap 2.7).
A Bíblia do pregador pentecostal diz que a orientação do espírito Santo era constante:
3.1.1 Será que estamos reconhecendo a direção do Espírito Santo nas nossas reuniões ministeriais de hoje? Será que estamos primando pela direção do Espírito Santo nos nossos cultos de hoje? Será que estamos dando primazia à presença do Espírito Santo em nossas igrejas? Desde o momento em que o Espírito Santo desceu em At 2.1-4, por ocasião do Dia de Pentecostes, os apóstolos e a Igreja nada faziam sem a chancela do Espírito Santo.
3.1.2 Em At 4.31, as reuniões de oração da Igreja Primitiva tinham a chancela do Espírito Santo. A escolha de obreiros para auxiliar no ministério eclesiástico tinha a chancela do Espírito Santo (At 6.3).
3.1.3 Cada nova congregação que era inaugurada precisava ser confirmada com a chancela do Espírito Santo (At 8.14-17). Em At 8.29-40, a obra de evangelização tinha a chancela do Espírito Santo.
3.1.4 Em At 9.1-17, cada novo membro do corpo de Cristo e cada vaso escolhido por Deus era confirmado com a chancela do Espírito Santo.
3.1.5 Em At 10.44-48, a primeira congregação gentílica precisou da chancela do Espírito Santo para que fosse reconhecida como obra de Deus. Em At 11.22-26, a recém-fundada congregação de Antioquia precisou da chancela do Espírito Santo.
3.1.6 Em At 13.1-4, o primeiro projeto de missões transculturais da Igreja precisou da chancela do Espírito Santo.
3.1.7 Em At 15.28, a Primeira Convenção Geral do Cristianismo foi concluída com a chancela do Espírito Santo.
3.1.8 Em At 16.6-10, as áreas geográficas a serem evangelizadas precisavam da chancela do Espírito Santo.
3.1.9 Em At 19.1-6, o trabalho missionário estabelecido em cada cidade precisava da chancela do Espírito Santo.
3.1.10 Em At 20.28, o ministério da Igreja foi constituído pelo Espírito Santo e tinha a chancela do Espírito Santo para apascentar a Igreja de Deus.
3.2 A orientação do Espírito na Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: O texto de Atos 15.28 não nos diz como era feita a orientação do Espírito na primeira Igreja; contudo, a observação feita por Lucas, de que Judas e Silas “eram profetas” (At 15.32) e que eles fizeram parte da comissão que levou a carta com a decisão tomada pela Assembleia, indica que o Espírito Santo se manifestava na Igreja por meio de seus dons (cf. At 13.1-4). Keener destaca quatro formas de atuação do Espírito em Atos 15:
3.2.1 Pela experiência passada: Pedro lembra que Deus deu o Espírito aos gentios (15.8). O Espírito já havia mostrado sua posição, aceitando os incircuncisos antes de qualquer concílio.
3.2.2 Pelos sinais da missão: Paulo e Barnabé relatam milagres e conversões entre gentios (15.12), o que reforça a confirmação divina.
3.2.3 Pela Escritura interpretada à luz do Espírito: Tiago cita Amós 9.11-12 (15.15-18), mostrando que a obra do Espírito está em continuidade com o plano profético de Deus.
3.2.4 Pelo consenso comunitário: O acordo final, expresso em forma de carta, é apresentado como fruto do discernimento conjunto, mas reconhecido como vindo do Espírito. Complementando as possibilidades apontadas por Keener, o pastor José Gonçalves sugere uma quinta hipótese: por meio dos dons espirituais, o Espírito Santo teria confirmado que a decisão tomada pela Igreja era, de fato, a que agradava a Deus. Trata-se de uma leitura plausível a partir do próprio texto bíblico. Como pentecostais, afirmamos que o Espírito fala ao seu povo; entretanto, é imprescindível manter o devido critério para que decisões eclesiais relevantes não sejam dirigidas por profecias, mas fundamentadas na Palavra. Se Deus valeu-se de profetas ali presentes para confirmar o veredito da Igreja, então tal orientação profética esteve em plena conformidade com a Escritura, conforme a exposição de Tiago na ocasião (At 15.13–21). Uma profecia não pode contrariar o que está escrito; por isso, cumpre-nos exercer o discernimento, reconhecendo a primazia normativa da Palavra sobre quaisquer manifestações carismáticas. Esse cuidado, não anula os dons e nem diminui sua importância.
3.3 O parecer final da Assembleia.
A LIÇÃO DIZ: Depois dos intensos debates, o parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (At 15.29). Fica óbvio que a Igreja procurou resolver a questão mantendo-se rigorosamente fiel à doutrina da salvação pela graça, isto é, sem os elementos do legalismo judaico, mas evitando os extremos de rejeitar os irmãos judeus que também compartilhavam da mesma fé. O legalismo deveria ser rejeitado, os crentes judeus, não. Assim, ficou demonstrado que os gentios eram salvos pela graça, mas deveriam impor alguns limites à sua liberdade cristã, a fim de que o convívio com seus irmãos judeus não fosse conflituoso.
Vamos ao texto bíblico:
Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês maior encargo além destas coisas essenciais: que vocês se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e da imoralidade sexual; se evitarem essas coisas, farão bem. Passem bem.” (At 15.28,29 NAA). A salvação, para os primeiros cristãos, não dependia de guardar a Lei de Moisés ou de seguir ritos judaicos. Por isso, os líderes da igreja decidiram que os judaizantes, aqueles que ensinavam o contrário, deveriam ser impedidos de perturbar os gentios (não-judeus). Com essa questão doutrinária resolvida, Tiago e outros líderes voltaram sua atenção para a prática da comunhão. A preocupação não era apenas que os judeus não perturbassem os gentios, mas também que os gentios não ofendessem os judeus. O risco era que, ao celebrarem sua liberdade em Cristo, os gentios pressionassem os crentes judeus a agirem contra suas próprias consciências. Para evitar esse problema, Tiago propôs uma carta aos cristãos gentios, pedindo que se abstivessem de quatro práticas:
3.3.1 Comer carne sacrificada a ídolos: A idolatria era algo extremamente repulsivo para os judeus. O Antigo Testamento está cheio de advertências contra ela, e seus antepassados sofreram graves consequências por causa desse pecado. A carne de animais oferecidos a deuses pagãos e depois vendida nos templos era um problema sério, que mais tarde foi abordado em detalhes por Paulo em suas cartas.
3.3.2 Prostituição: Esse termo se refere tanto ao pecado sexual em geral quanto às práticas licenciosas dos cultos pagãos, onde muitas vezes as sacerdotisas eram prostitutas. Embora seja uma questão moral, evitar a prostituição também era uma forma de mostrar respeito pela sensibilidade dos judeus e pela Lei de Deus.
3.3.3 Comer o que foi sufocado e o sangue: Essas eram leis dietéticas do Antigo Testamento. Embora os cristãos gentios não fossem obrigados a segui-las para a salvação, Tiago as estabeleceu como requisitos mínimos para manter a harmonia na comunhão. A liberdade em Cristo não dá o direito de pecar ou de ofender outro crente. Essas eram transgressões da Lei de Moisés, que era pregada e lida nas sinagogas a cada sábado. Desrespeitá-las desnecessariamente poderia prejudicar a credibilidade da igreja aos olhos dos judeus não-crentes e ofender os crentes judeus. Seria um abuso da liberdade que Cristo concedeu. Depois de resolverem as questões doutrinárias e práticas, os apóstolos e anciãos, com o apoio de toda a igreja, escolheram Judas Barsabás e Silas, homens influentes entre os irmãos, para ir a Antioquia com Paulo e Barnabé. O objetivo era levar a decisão do concílio à igreja de Antioquia, que era um centro importante para o cristianismo gentio. A unanimidade dos apóstolos, anciãos e de toda a igreja reforçou a unidade que caracterizava a comunidade cristã primitiva.

CONCLUSÃO
A Assembleia de Jerusalém representa um momento decisivo na história do cristianismo, atuando como um divisor de águas entre o legalismo judaico e a liberdade do evangelho da graça. A crise, iniciada por judaizantes que exigiam a circuncisão e a obediência à Lei para a salvação dos gentios, ameaçava a própria essência da fé e a unidade da Igreja. No entanto, em vez de se fragmentar, a liderança cristã demonstrou maturidade reunindo-se para deliberar sobre essa questão. A decisão ali tomada não apenas resolveu um grande conflito, mas lançou as bases para uma fé universal, acessível a todas as nações, reafirmando que a salvação é um dom gratuito de Deus, puramente pela graça.

Leia mais…

Deus não faz acepção de pessoas

   Fazer acepção de pessoas significa tratar certas pessoas de maneira diferente, usando medidas diferentes para julgar. A Bíblia condena a acepção de pessoas, porque diante de Deus todos são iguais. Deus julga a todos com imparcialidade.

  A acepção de pessoas (ou parcialidade, ou fazer diferença entre pessoas) é errada, porque é arbitrária. Em vez de usar a mesma medida, alguém favorece ou desfavorece certas pessoas, criando regras diferentes somente por causa de suas preferências pessoais. Fazer acepção de pessoas é negar a justiça (Tiago 2:9).

   A justiça de Deus e a acepção de pessoas

  Deus não faz acepção de pessoas. Suas leis são justas e imparciais, sem fazer distinções injustas. Não é possível subornar a Deus nem torcer Sua justiça (2 Crônicas 19:7). Debaixo da lei de Deus, todos pecaram e merecem castigo eterno. Da mesma forma, todos que se arrependem e creem em Jesus recebem a salvação (Romanos 3:23-24). Deus é sempre justo e também ama a todos de forma igual, oferecendo a salvação a todo que crê.

Deus não julga pelas aparências. Ele julga o coração e vê aquilo que realmente define o caráter de uma pessoa (1 Samuel 16:7). Presente na Bíblia, afirma que Deus não olha para a aparência ou altura de um homem, mas para o seu coração, contrastando a visão humana com a divinaA passagem explica que o homem vê as coisas exteriores, enquanto o Senhor vê o interior, como demonstrou ao rejeitar um dos filhos de Jessé e escolher Davi como o futuro rei de Israel. 

  A acepção de pessoas na vida cristã.

  Como seres humanos, nós temos tendência para olhar apenas para as aparências. Mas, com a ajuda de Jesus, podemos aprender a ver além das aparências. Não devemos fazer acepção de pessoas.

  É sempre mais fácil favorecer pessoas como nós (ou que admiramos), rejeitando quem é diferente. Mas Jesus veio para destruir as barreiras e unir todo tipo de pessoas em Deus (Gálatas 3:26-28). Nossas diferenças superficiais já não são importantes! Todos temos algo em comum: o amor de Jesus Cristo. A Bíblia diz que fazer acepção de pessoas é pecado. Muitas vezes os ricos são favorecidos e os pobres são desprezados somente por causa de seu dinheiro, seus bens materiais e sua roupa. Mas a Bíblia ensina que os pobres têm dignidade e os ricos não têm motivo para se sentirem superiores. Todos merecem o mesmo respeito e o mesmo amor (Tiago 2:2-4).

 Nossa dignidade não vem de nossas condições sociais, econômicas, políticas… Nós temos dignidade porque Deus nos ama. E nisso somos todos iguais.

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5 benefícios da comunhão entre irmãos na fé

  Vamos ser honestos, nem sempre é fácil conviver com outras pessoas. Ninguém é perfeito, nem mesmo o cristão mais espiritual! Todos cometemos erros. Mesmo assim, somos chamados a viver em comunhão com nossos irmãos cristãos.

O desejo de Jesus para sua Igreja é a união. Com todos os nossos defeitos e fraquezas, nós precisamos uns dos outros. Quem acha que pode ser cristão e seguir Jesus sozinho está muito enganado! Viver em comunhão é uma ordem de Jesus (e uma grande bênção). Somente somos Igreja quando estamos juntos.

A comunhão com nossos irmãos na fé traz vários benefícios:

1. Encorajamento

Encorajamento

Hebreus 10:25

Quando estamos sozinhos e isolados, facilmente caímos no desespero diante das dificuldades da vida. Vêm as dúvidas: será que consigo superar os problemas? Jesus vai mesmo me ajudar? Vale a pena seguir Jesus? E tantas outras perguntas, que abalam nossa fé e nos enfraquecem. Mas quando temos comunhão com nossos irmãos, encontramos encorajamento! Juntos, podemos partilhar nossas experiências e lembrar uns aos outros sobre quanto Deus tem feito. Para as dúvidas que uma pessoa tem, outra pessoa pode ter a resposta. E, quando temos comunhão, encontramos mais motivação para continuar, porque vemos que não estamos sozinhos.

Veja também: o que significa ter comunhão?

2. Crescimento

Crescimento

1 Tessalonicenses 5:11

Edificar significa construir. Quando vivemos em comunhão com nossos irmãos, ajudamos uns aos outros a crescer e a ficar maduros. Em Jesus, todos estamos unidos, como os membros de um corpo. Assim como um membro não consegue viver e crescer sem o resto do corpo, nossa vida espiritual definha sem comunhão com nossos irmãos. Se queremos crescer, precisamos ter união com outros cristãos.

Descubra aqui: a igreja é o corpo de Cristo – o que isso significa?

3. Ajuda

Ajuda

Gálatas 6:2  “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Este versículo, escrito pelo apóstolo Paulo, exorta os cristãos a apoiarem-se mutuamente, partilhando as dificuldades, os fardos e os pesos que a vida lhes impõe, cumprindo assim a lei de Cristo, que é o amor ao próximo.  Ser cristão não é fácil! Enfrentamos muitos desafios, dificuldades e tentações. Mas, em Jesus, encontramos a ajuda que precisamos para vencer. Em muitas situações, ele usa outros cristãos para nos ajudar. Todos somos chamados a ajudar uns aos outros. Em vez de enfrentar todos os desafios sozinhos, podemos partilhar a carga com nossos irmãos, agindo em solidariedade.

4. Força

Força

Provérbios 27:17  “Como o ferro afia o ferro, assim o homem afia o seu companheiro”, ensina sobre o valor das relações humanas, especialmente as amizades, para o crescimento e aprimoramento pessoal e espiritualAssim como duas lâminas de ferro se tornam mais afiadas ao serem friccionadas uma na outra, as pessoas se tornam mais maduras e fortes através do convívio e da interação com outros amigos verdadeiros que as incentivam. A união faz a força! Ter comunhão com outros cristãos, crescendo juntos em Cristo, nos fortalece espiritualmente. Quando um cai, o outro ajuda a levantar e aprendemos juntos como enfrentar as dificuldades da vida.

Até os apóstolos mais experientes viajavam em equipe. Eles sabiam que juntos tinham mais força e segurança. Uma igreja unida pode fazer muito mais que vários cristãos separados, que não têm comunhão.

5. Amor

Amor

 João 13:35 é um versículo bíblico que afirma: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Esta passagem, parte do mandamento de Jesus aos seus seguidores, destaca que é através do amor mútuo que o mundo os reconhecerá como discípulos de Cristo. O amor é a melhor parte de ter comunhão com os irmãos na fé. Quando temos comunhão, partilhamos nossa vida com nossos irmãos, ganhamos intimidade e aprendemos a amar de verdade. O amor perfeito de Jesus se expressa em nossos relacionamentos.

Não queremos seguidores de instituições; queremos discípulos livres, comprometidos com a verdade de Jesus e com a missão de ensinar tudo o que Ele ordenou.

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Conhecereis a Verdade e a Verdade Vos Libertará: Entendendo a Liberdade em João 8:32

   A busca pela verdade é uma das maiores aspirações do ser humano. É nessa jornada, de mergulhar na essência do que é real e absoluto, que encontramos a promessa de liberdade nas palavras de Jesus registradas no evangelho de João 8:32:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

“A verdade é tão antiga quanto Deus. No entanto, para nós, ela sempre é nova”.

   Em outras palavras, a verdade é eterna, mas nossa compreensão dela está sempre em expansão, se estamos abertos a isso.

  Este artigo é uma exploração desse versículo notável em que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará nos permitirá entrar em uma jornada através de sua gênese histórica, seu contexto bíblico e sua aplicação prática em diversas áreas da vida.

  Desvendaremos o significado profundo da passagem conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, além de trazer reflexões e aplicações para meditação pessoalidentidade em Cristofamíliapequenos gruposdiscipuladoevangelização, e até mesmo para as crianças.     Nossa busca pela verdade, no contexto deste versículo, nos leva a uma compreensão mais profunda do amor de Deus e da nossa liberdade em Cristo. Nos convida a confrontar as mentiras que podem ter se infiltrado em nossas vidas e a abraçar a verdade que tem o poder de nos libertar. Ao longo deste artigo, você encontrará perguntas para reflexão e meditação, ideias para aplicação prática e uma rica análise do contexto bíblico e teológico desta passagem.

  Portanto, com corações e mentes abertos, vamos juntos embarcar nesta jornada inevitável em busca da verdade e da liberdade que ela oferece.

Estudo de João 8

  Iniciar nosso estudo compreendendo o autor do evangelho, João, nos levará a uma compreensão mais profunda da verdade apresentada em João 8:32: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. João, também conhecido como o discípulo amado, era um dos doze apóstolos de Jesus e um testemunho de primeira mão dos eventos que ele registrou. João era pescador de profissão, e ao lado de seu irmão Tiago, foi chamado por Jesus para ser pescador de homens. Sua proximidade com Jesus é evidente em seu evangelho, que é caracterizado por uma compreensão profunda e pessoal do ministério e ensinamentos de Jesus. Ao explorar a estrutura literária do autor, observamos que João frequentemente usa um estilo de narrativa cheio de simbolismo e metáforas, com ênfase nas conversas de Jesus com indivíduos e grupos. Ao contrário dos sinópticos, João se concentra menos em parábolas e mais em discursos extensos e diálogos íntimos. As palavras de Jesus em João 8:32 são parte de um discurso mais amplo, onde Jesus aborda temas de liberdade, verdade, identidade e filiação.

Contexto Histórico e Cultural

O contexto histórico e cultural em que João escreveu é crucial para a compreensão de João 8:32 e também de conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. O Evangelho de João foi escrito em um tempo de crescente tensão entre a igreja emergente e o judaísmo da época. João estava escrevendo para uma comunidade de crentes que estava sendo expulsa das sinagogas e experimentando crescente perseguição.

Nesse contexto, as palavras de Jesus conhecereis a verdade e a verdade vos libertará teriam tido um impacto profundo.

“As conversas íntimas registradas por João são o reflexo da própria vivência com Jesus. João cria um espaço onde os leitores podem se sentir como se estivessem pessoalmente presentes nestas interações”.

Isso enfatiza que as palavras de Jesus em João 8:32 não são meras proposições abstratas, mas verdades para serem vividas e experimentadas na vida cotidiana.

Portanto, ao aprofundarmos em João 8, até chegar a conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, é importante que mantenhamos esses aspectos da autoria, estrutura literária e contexto em mente. Eles nos ajudam a entender por que a verdade que Jesus nos chama a conhecer e que nos libertará é muito mais do que uma ideia abstrata, é uma verdade vivida e experimentada, uma verdade que tem a ver com nossa própria identidade e relação com Deus.

Contexto de João 8:32

João 8 é um capítulo repleto de confrontos e revelações.

 O diálogo entre Jesus e os fariseus, em particular, é iluminado pela afirmação de Jesus:

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

 Nos versículos anteriores, Jesus está ensinando no templo. Ele tem discutido com os fariseus, líderes religiosos da época, que questionam a sua autoridade e linhagem.

  Em meio a esse conflito, Jesus declara que ele é a luz do mundo (João 8:12) e afirma que, antes que Abraão existisse, Ele é (João 8:58). É nesse ambiente carregado que Jesus declara: “Se vocês seguirem os meus ensinamentos, serão verdadeiramente meus discípulos. Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32).

Além disso, a “verdade” mencionada por Jesus, não é uma mera informação objetiva ou um conjunto de regras. Portanto, conhecer a verdade é sinônimo de conhecer a Cristo e abraçar seu ensinamento. Após o versículo 32, vemos que os fariseus reagem à afirmação de Jesus com resistência e incredulidade. Eles afirmam que nunca foram escravos de ninguém, ignorando a escravidão espiritual à qual estão presos. Jesus responde a eles, em João 8:34-36:

“Todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado. O escravo não permanece para sempre na casa; o filho, sim, para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.

Ao explorar o contexto amplo da Bíblia, vemos que a promessa de liberdade através da verdade, presente em conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, não é um tema isolado, mas ecoa em toda a Escritura.

Vejamos como essa promessa se manifesta em outros versículos:

Versículo Conexão com João 8:32
Salmos 119:45 A obediência à Lei de Deus nos liberta.
João 14:6 Jesus é a verdade que liberta.
2 Coríntios 3:17 Onde o Espírito do Senhor está, há liberdade.
Gálatas 5:1 Fomos chamados para viver em liberdade.
Efésios 4:21-24 A verdade em Jesus nos leva a abandonar a velha vida.
1 João 5:6 Jesus é a verdade que veio por água e sangue.
2 João 1:1-3 A verdade permanece em nós e estará conosco para sempre.

 

    Portanto, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, sendo que a verdade que é Cristo, nós não só encontramos liberdade, mas também descobrimos nosso verdadeiro propósito. A liberdade de Cristo não é meramente libertação da escravidão do pecado, mas também a liberdade de viver a plenitude da vida em Deus, conforme João 10:10 enfatiza:

“Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância”.

Assim, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, não é apenas uma promessa, mas uma realidade transformadora que tem o poder de mudar nossas vidas.

Desvendando Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará

Ao explorarmos a frase conhecereis a verdade e a verdade vos libertará em seu original grego koiné, nos deparamos com nuances significativas que acrescentam profundidade à nossa compreensão.

“Estamos tão ocupados em ouvir várias vozes que negligenciamos a única voz que importa”.

Nessa perspectiva, a liberdade mencionada em conhecereis a verdade e a verdade vos libertará é a liberdade de nos afastarmos das vozes enganosas do mundo e nos atermos à única voz que traz a verdade real a voz de Deus.

Portanto, ao falarmos sobre a verdade que liberta, estamos nos referindo a uma verdade específica e absoluta – a verdade de Deus, como revelada em Jesus Cristo, que tem o poder de nos libertar de todas as mentiras, enganos e limitações que nos prendem.

Contexto Teológico da Verdade que Liberta

Conforme explica Wayne Grudem em sua Teologia Sistemática, a verdade de Deus, revelada em Jesus Cristo, é a verdade absoluta e final sobre todas as coisas.

Ao contrário das verdades relativas do mundo, que podem mudar e evoluir ao longo do tempo, a verdade de Deus é eterna e imutável.

Para corroborar isso dentro de conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, encontramos em Hebreus 13:8 que “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre”.

Em outras palavras, a verdade que Ele revela – a verdade que conhecemos e que nos liberta – não muda com o passar do tempo ou com as variações culturais. Ela é constante, absoluta e poderosa em sua capacidade de nos libertar. Em outras palavras, nosso conhecimento e compreensão da verdade de Deus têm um impacto profundo em como vivemos nossas vidas e em como experimentamos a liberdade que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará nos proporciona.

Em conclusão, a verdade que conhecemos e que nos liberta, conforme prometido por Jesus em João 8:32, é a verdade de Deus revelada em Jesus Cristo. É uma verdade absoluta e imutável que tem o poder de nos libertar de todas as falsidades e limitações, e nos conduzir à verdadeira liberdade. Como seguidores de Jesus, somos convidados a mergulhar nessa verdade, a vivê-la plenamente e a experimentar a liberdade que ela proporciona.

Aplicação na Prática para Meditação

É através da meditação do Evangelho que a verdade revelada na palavra de Deus se torna realidade viva em nossas vidas.

Em nosso contato íntimo com o Senhor, através da oração e da reflexão sobre Sua palavra, é que conhecereis a verdade e a verdade vos libertará adquire um significado pessoal e transformador.

Mas como conduzir a meditação sobre essa promessa?

Aqui estão algumas perguntas para você levar a Deus:

  1. Senhor, quais são as mentiras que eu acredito e que estão me impedindo de experimentar a verdadeira liberdade em Cristo?
  2. Deus, em que áreas da minha vida eu ainda não conheci a verdade de Cristo que liberta?
  3. Senhor, como eu posso viver de forma mais profunda e realista a liberdade que a verdade em Cristo oferece?

Agora, consideremos as promessas que Deus nos manifesta nesta passagem e como elas podem nos ajudar a responder a essas perguntas:

Perguntas Promessas em João 8:32
Quais são as mentiras que acredito?   A verdade em Cristo é mais poderosa do que qualquer mentira. Jesus nos promete que se nos voltarmos para Ele e Sua palavra, seremos capazes de discernir a verdade das mentiras.
Em que áreas ainda não conheci a verdade de Cristo? Jesus promete que a verdade é acessível para nós. Ele mesmo se descreveu como “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Portanto, qualquer área de nossa vida que ainda não experimentou a verdade pode ser iluminada pela luz de Cristo.
Como viver de forma mais profunda a liberdade em Cristo? Jesus nos garante que a verdade liberta. Portanto, quanto mais buscamos e acolhemos a verdade de Cristo em nossas vidas, mais experimentamos a liberdade que Ele oferece.

 

Lembre-se, as promessas de Deus são eternas e poderosas.

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará é mais do que um simples versículo bíblico, é uma chave que destranca as portas de uma vida plena e liberta em Cristo.

Aplicação para nossa Identidade em Cristo

A nossa identidade em Cristo é moldada pela verdade que aprendemos e aceitamos. Quanto mais conhecemos a verdade de Deus, mais nos libertamos das amarras do pecado e das mentiras que o mundo tenta nos impor. Ao entendermos essa verdade, percebemos que somos filhos amados de Deus (1 João 3:1), comprados por alto preço (1 Coríntios 6:20), e feitos novas criaturas em Cristo (2 Coríntios 5:17). Esta verdade, presente na afirmação conhecereis a verdade e a verdade vos libertará, nos define e molda nossa identidade em Cristo, permitindo-nos viver com a liberdade e a alegria que somente a verdade de Deus pode oferecer.

Agora, o que podemos aprender e aplicar a partir do mandamento de Jesus em João 8:32?

Mandamento em João 8:32 Aplicação Prática
“Conhecereis a verdade” Estudar e meditar na Palavra de Deus diariamente para descobrir a verdade que Ele revela.
“E a verdade vos libertará” Aplicar a verdade de Deus em todas as áreas da nossa vida, deixando que ela nos liberte de falsas identidades, medos e pecados que nos aprisionam.

Essas aplicações não são tarefas que cumprimos e esquecemos, mas sim um estilo de vida. Cada vez que mergulhamos na Palavra de Deus, encontramos novos aspectos da verdade que nos ajudam a viver com mais liberdade e a refletir mais completamente a imagem de Cristo.

Por fim, lembremos do que Paulo nos disse em Efésios 4:15:

“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.”

Nossa identidade em Cristo está diretamente ligada ao nosso entendimento e aplicação da verdade em nossas vidas. E quando permitimos que a verdade de Deus modele nossa identidade, somos libertados para viver como Ele nos criou para viver – em amor, alegria, paz e liberdade.

Aplicação para Discipulado

A jornada do discipulado é uma viagem de transformação, na qual o seguidor de Jesus é moldado e refinado à imagem do Mestre. Em meio a esse processo, a verdade assume um papel vital. A verdade de Deus, descoberta e aceita, serve como um farol que ilumina o caminho do discípulo, direcionando-o para a liberdade verdadeira e duradoura. No entanto, essa viagem nem sempre é fácil.

Nós, como discípulos, enfrentamos inúmeras situações que podem obscurecer nossa visão e distorcer a verdade.

Portanto, é crucial lembrar e aplicar a promessa de Jesus em João 8:32 em cada aspecto de nossas vidas.

Áreas da Vida de um Discípulo Aplicação de João 8:32
Relações Pessoais A verdade de Deus pode nos libertar de padrões prejudiciais de relacionamento, permitindo-nos amar a nós mesmos e aos outros de maneira mais saudável e alinhada com a vontade de Deus.
Perspectiva de Si Mesmo Ao reconhecer a verdade de nossa identidade em Cristo, somos libertados de mentiras prejudiciais sobre nós mesmos e nossa autoestima é restaurada.
Tomada de Decisão A verdade de Deus serve como uma bússola, guiando nossas decisões de acordo com a vontade divina e nos libertando do medo e da indecisão.
Relacionamento com Deus Compreender a verdade sobre quem Deus é nos liberta de concepções errôneas e nos aproxima de um relacionamento íntimo e autêntico com o Criador.
Serviço no Reino de Deus A verdade nos liberta para servir a Deus e aos outros com um coração puro e um propósito claro, desimpedido por falsas motivações ou falsa humildade.

 

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II Pedro 3:18 – Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

   Nunca é tarde para aprender quando se trata de crescer na graça. No fim de sua segunda carta, as últimas palavras do idoso apóstolo Pedro para a igreja e seus leitores foram: “Cresçam, porém, na graça.” Crescimento que não está atrelado ao tempo como naturalmente está o crescimento físico. Não é automático. É um processo, uma jornada. Há uma vontade de conhecer melhor a Deus. Crescer toma tempo. Trabalhando no interior do Rio Grande do Sul, encontrei-me certa vez com o pastor Roberto Rabelo, nos seus últimos anos de atividade. Alma grande, quando falava, deixava fluir a riqueza de sua experiência. Naquela noite de domingo, o auditório e o público não eram grandes, mas nem por isso ele deixou de servir um banquete em sua mensagem. No fim, contou a seguinte alegoria:

Um jardineiro tinha em seu jardim plantas e flores lindíssimas. No meio do roseiral de que cuidava, havia um espinheiro-bravo que dizia para si mesmo: “O que será que estou fazendo aqui neste lugar? Sou um espinheiro-bravo e estou tornando feio o jardim!” Mas um dia ele percebeu que o jardineiro-mestre se aproximou, fez um pequeno corte em seu caule e enxertou nele o talho de uma roseira. Pensou ele: “Será que ele não percebe que eu sou um espinheiro-bravo? O que será que ele está querendo fazer comigo?” Conta a alegoria que logo depois que aquele talho tinha sido enxertado, floresceu uma roseira viçosa, bonita, cheia de vida, com flores bem maiores e bonitas que as demais rosas do roseiral. O jardineiro, sabendo do sentimento que estava começando a tomar conta do coração do espinheiro, disse: “A beleza não vem de ti, mas do que eu coloquei em ti.” Que verdade tão bonita! Não devemos desanimar se ainda existem áreas espinhosas em nossa vida, nas quais nada floresce. Jesus nos encontrou e nos transformou, por isso, independentemente de onde tenhamos vindo ou de quem tenhamos sido, somente Ele pode tirar e fazer crescer de dentro de nós o mais belo que existe. É somente nEle que podemos crescer. “Nosso crescimento na graça, nossa felicidade, nossa utilidade – tudo depende de nossa união com Cristo. É pela comunhão com Ele, todo dia, toda hora – permanecendo nEle – que devemos crescer na graça” (Caminho a Cristo, p. 69).

Faça isso no dia de hoje e ore comigo agora:

Por favor, Pai, eu preciso crescer na Tua graça, passar tempo contigo, imitar-Te, fazer a Tua vontade em toda e qualquer circunstância. Por favor, me ajude para isso. Tome conta de todas as coisas! Em nome de Jesus, amém!

novotempo.com

Biblioteca Demonstrativa em Brasília convida a comunidade para estudar e aproveitar serviços gratuitos

Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles (BDB), do Ministério da Cultura (MinC), em Brasília, está de portas abertas para receber estudantes, pesquisadores e a comunidade. Além de abrigar uma programação cultural diversificada e gratuita, o espaço também se consolida como um ponto de encontro para leitura, estudo e convivência.
Com ambientes preparados para atender diferentes públicos, a Biblioteca Demonstrativa oferece salas para estudo individual, acesso gratuito à internet via Wi-Fi e um telecentro equipado para quem não dispõe de computador. Para as crianças e jovens, há ainda uma área infantil acolhedora, que inclui a Gibiteca e um acervo de histórias em quadrinhos (HQs) para todas as idades.
A população também pode realizar empréstimos de livros de forma simples: basta apresentar documento de identificação e comprovante de residência no balcão da Biblioteca. Cada usuário pode levar até três obras por vez, com prazo de 15 dias para devolução e possibilidade de renovação, caso não haja reserva do título.
Localizada na EQS 506/507, na Asa Sul, a Biblioteca Demonstrativa funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Todos os serviços são gratuitos e voltados à democratização do acesso à leitura, ao conhecimento e à cultura no Distrito Federal.
Para participar e ficar por dentro da programação cultural da Biblioteca Demonstrativa, acompanhe as redes sociais da @bdbcultural no InstagramFacebook e YouTube
Sobre a programação cultural da BDB
A programação cultural da Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles é realizada por meio do Termo de Colaboração 950548/2023, celebrado entre o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Formação Cultural, Livro e Leitura (Sefli), e o Instituto Incluir, uma organização da sociedade civil.
Fundada em 1970 e localizada em Brasília, Distrito Federal, essa instituição tem caráter público federal. Com a missão de ser uma biblioteca experimental que promove novos paradigmas de normatização e disseminação de boas práticas no campo das bibliotecas públicas, buscando sempre estar na vanguarda. Além disso, ela desempenha um papel fundamental na democratização do acesso à leitura, na formação de novos leitores, na promoção da literatura brasileira e na contribuição para o aprimoramento dos profissionais que atuam em todo o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.

Cultura, Artes, História e Esportes
gov.br/cultura/pt-br

Comitês de Cultura: a rede que conecta territórios e fortalece a política cultural no Brasil

O Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC) consolida-se como uma das iniciativas mais inovadoras do governo brasiliero para aproximar as políticas culturais do cotidiano da população. Instituído por meio da Portaria MinC 64, de 28 de setembro de 2023, o PNCC completa dois anos, presente em 24 estados e no Distrito Federal, atuando como elo entre sociedade, gestores públicos e agentes culturais nos territórios. Idealizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criado pelo Ministério da Cultura (MinC), o PNCC tem como objetivo ampliar o acesso às políticas públicas de cultura, fortalecendo a democracia e a participação popular e cidadã no âmbito das políticas socioculturais e do Sistema Nacional de Cultura (SNC). Além disso, cria redes de agentes coletivos e instituições que alcançam desde os grandes centros urbanos até cidades pequenas, territórios periféricos, ribeirinhos, comunidades quilombolas, indígenas e rurais. “Celebramos esse marco de ocupação da cultura nos territórios, com avanços no modo de fazer e organizar a produção cultural do nosso país. Demos forma a um sonho do presidente Lula e, passados apenas dois anos, vemos a política pública chegando com qualidade e força para enfrentar as desigualdades, proteger e promover a diversidade que tanto caracteriza o nossa Brasil”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes.

Uma ponte entre Brasília e os territórios

Coordenados pela Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura (SAFC), os comitês são geridos por organizações da sociedade civil (OSCs), selecionadas via edital público. Em cada estado, uma instituição é responsável por liderar as atividades locais, organizando formações, mobilizações e assessoria técnica.[ Durante o I Encontro Regional de Agentes Territoriais do Sul realizado em Pelotas (RS), em agosto de 2025, o secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), Márcio Tavares, discursou sobre a importância da iniciativa. “Enquanto a gente estiver no Ministério da Cultura, vai existir o Programa Nacional dos Comitês de Cultura. Esse programa foi feito e construído para fortalecer as políticas culturais nos territórios e para garantir o direito da cultura, que é fundamental para que a gente construa um país verdadeiramente democrático”, salientou.

Mais do que executar tarefas, os comitês atuam como pontes: escutam artistas, coletivos e comunidades, traduzem suas demandas e constroem soluções junto aos gestores. A coordenadora dos Comitês de Cultura no MinC, Mirela Araújo, lembra que um dos objetivos do Programa é horizontalizar o processo de construção das políticas públicas de cultura. “Os comitês existem para que a política cultural não seja algo distante, decidido apenas em Brasília, mas um processo vivo, conectado ao que acontece nas periferias, nas áreas rurais, nos quilombos e em todos os cantos do país. É assim que garantimos que a cultura seja de fato um direito exercido por todos e em todos os lugares”, avaliou.

Os eixos de trabalho são comuns a todos, com cinco frentes de atuação: formação em direitos e políticas culturais; difusão da informação sobre políticas culturais; qualificação de artistas e demais agentes para participação em redes digitais; apoio na elaboração de projetos e parcerias; organização e mobilização da classe artística.

Porém, cada comitê imprime sua identidade a partir das especificidades culturais e sociais do território.

As vozes dos estados

A diversidade brasileira se reflete na forma como os 25 comitês se organizam e atuam.

Representando cada uma das cinco regiões do Brasil, as coordenadoras dos comitês de cultura dos estados do Pará, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Mato Grosso explicaram os diferenciais de cada organização.

No Pará, o foco é levar informação a comunidades tradicionais, periferias e coletivos artísticos que historicamente tiveram pouco acesso às políticas públicas. A escuta ativa tem se mostrado essencial para traduzir a política cultural em práticas concretas. A coordenadora Aline Vieira detalha: “Nosso papel é ouvir os territórios e transformar essas vozes em ações concretas. Cultura não deve ser um privilégio, e sim um direito que chega a todos os cantos do estado”.

Em Minas Gerais, o comitê trabalha pela descentralização, fortalecendo conselhos e planos municipais de cultura como instrumentos permanentes de gestão democrática. A ideia é deixar estruturas sólidas nos municípios: “Acreditamos que mobilizar pessoas e redes e gestões públicas municipais em torno da garantia do direito cultural, possibilitar espaços de formação para acesso aos mecanismos de fomento e incentivar a participação social efetiva contribui para a consolidação de políticas culturais fortes e coesas”, cita a coordenadora Graziella Medrado.

Em Pernambuco, o comitê coordenado por Joana D’Arc Ribeiro se destaca pela mediação de conflitos e articulação local. “Participam nas ações presenciais escutando, perguntando, opinando. Muitas vezes, a sociedade civil já sabe a resposta, mas quer que a gestão ouça de outra instituição. O comitê cumpre esse papel de mediador”, explica a coordenadora.

No Paraná, os resultados são expressivos: em apenas um ano, foram 82 ações realizadas, impactando diretamente 6,1 mil pessoas em diferentes regiões do estado. Para Mariane Antunes, coordenadora-geral, o comitê “se consolidou como instância estratégica de articulação, escuta e mediação entre sociedade civil, agentes culturais e poder público”. A iniciativa também estimulou a criação de conselhos e sistemas municipais de cultura, além de formar lideranças locais.

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Novas moradias em áreas rurais para BA, PE, RN e SP

O Ministério das Cidades autorizou, nesta segunda-feira (22), a contratação de mais 215 moradias pelo programa Minha Casa, Minha Vida, por meio da linha de atendimento Rural. As novas habitações irão beneficiar cerca de 900 pessoas em municípios da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo com o sonho da casa própria. A informação foi publicada no Diário Oficial da União. A modalidade Rural do programa é voltada para famílias residentes em áreas rurais e que tenham renda bruta familiar anual de até R$ 120 mil. Desde 2023, mais de 75 mil unidades habitacionais do Rural foram selecionadas em todo o país. No Nordeste, de acordo com a nova portaria, 67 casas irão para a Bahia, divididas entre os municípios de Campo Formoso, com 36, e Capim Grosso, com 31. O Rio Grande do Norte terá unidades em Patu (48 casas) e São Tomé (32), enquanto a cidade de Floresta, em Pernambuco, foi contemplada com 50 moradias.

No Sudeste, o município de Guapiara, em São Paulo, receberá 18 casas.

O texto da portaria reforça que o gestor operacional e o agente financeiro deverão observar o prazo para a contratação das propostas e eventuais alterações, além de cumprir todas as condições técnicas, institucionais e jurídicas necessárias para a formalização das contratações.

gov.br/cidades

Fiscalização em postos de combustíveis reprova 95 bombas e interdita outras seis no Paraná; Curitiba está entre as cidades

O Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR) fiscalizou 270 bombas em 52 postos de combustível de dez cidades do Paraná durante a operação Abastecimento Seguro, deflagrada de 15 a 19 de setembro. Do total de bombas de combustível analisadas, 169 foram aprovadas, 95 reprovadas e seis interditadas – uma em Curitiba, duas em Londrina e três em Maringá. A operação também encontrou irregularidades na comercialização de 22 fluidos de freio e em 51 arlas 32 – redutor de poluentes utilizado no caminhão. Em 70 dos 73 produtos haviam registro inexistente. A fiscalização foi feita por quatro equipes deslocadas para as cidades de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Colombo, Campo Largo, Rolândia, Marialva, Jandaia do Sul e Paiçandu. Os postos foram selecionados a partir de denúncias recebidas pela ouvidoria e também por histórico de fiscalizações anteriores. A situação mais grave é a interdição da bomba de combustível que ocorre quando há prejuízo ao consumidor. Os problemas apresentados foram vazamento de combustível na bomba medidora ou erro de medição superior ao limite máximo admitido pela legislação. Suspeito que assaltava quase todo dia em Curitiba é finalmente preso após 15 ataques Já no caso de reprovação, a bomba de combustível pode apresentar uma irregularidade que não necessariamente reflita em prejuízo na aquisição do produto. Um exemplo apresentado pela operação no caso de reprovação, é uma lâmpada queimada no painel da bomba de combustível. A operação no Paraná integrou a ação nacional coordenada pelo Inmetro, que mobilizou órgãos delegados em todo o país. Em caso de irregularidades, os postos notificados têm prazo para apresentar defesa antes da aplicação das penalidades, que podem variar de R$ 100 a R$ 1,5 milhão, dependendo do prejuízo causado ao consumidor, reincidência, entre outros fatores. Fiscalização O trabalho de fiscalização envolve diferentes etapas de verificação. Primeiro, os fiscais observam se os dígitos da bomba não têm números danificados, analisam os pontos de selagem que não podem estar rompidos e realizam a medição volumétrica com galões de 20 litros. O erro permitido numa bomba de combustível para 20 litros de combustível é de no máximo 60 ml a menos (em desfavor do consumidor) e de até 100 ml a mais (em favor do consumidor). Esta tolerância é regulada pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) e o consumidor tem o direito de solicitar a verificação da bomba a qualquer momento. Entre as falhas mais comuns encontradas estão vazamentos de combustível, erros de medição acima do permitido, alterações na construção da bomba, problemas no dispositivo de predeterminação e dígitos danificados que dificultam a leitura pelo consumidor. Gabriel Perazza, diretor de metrologia e qualidade do Ipem-PR, reforçou que a operação avaliou apenas o volume entregue ao consumidor, enquanto a qualidade de combustível é responsabilidade da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). “O que observamos foi um número dentro do esperado, semelhante ao que ocorre em fiscalizações de rotina. Muitas vezes não se trata de fraude intencional, mas de desgaste natural dos equipamentos. É impossível encontrar zero de irregularidades, mas é fundamental que os problemas sejam corrigidos” avaliou. Casa de repouso é interditada por condições precárias e donos são presos por maus-tratos contra idosos Perazza também destacou alguns cuidados que os consumidores devem ter na hora de abastecer o veículo. O preço do litro do combustível precisa estar visível no visor da bomba, e o marcador deve sempre partir do zero no início do abastecimento. É importante observar também a presença dos lacres azuis com a marca do Inmetro e o selo de aprovação fixado no equipamento. Durante o abastecimento, o consumidor deve acompanhar todo o processo até o final e, ao concluir, solicitar a nota fiscal, que serve como garantia em caso de futuras reclamações. Se houver dúvida sobre a quantidade de combustível colocada no tanque, o cliente pode pedir ao frentista que faça o teste volumétrico. Para isso, o posto deve disponibilizar a medida calibrada de 20 litros, também com lacre e selo do Inmetro. Denúncias Denúncias podem ser feitas à Ouvidoria do Ipem-PR, por e-mail (ouvidoria@ipem.pr.gov.br), no site www.ipem.pr.gov.br/Pagina/Ouvidoria, ou pelo 0800 645 0102, que funciona das 8h às 12h, e das 13h às 17h de segunda a sexta-feira.

bandab

Trump sanciona esposa de Alexandre de Moraes com Lei Magnitsky na véspera da fala de Lula na ONU

Na véspera do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, em Nova York (EUA), o governo de Donald Trump ampliou sua ofensiva contra o Brasil ao sancionar Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, com a  Lei Magnitsky. O anúncio foi publicado nesta segunda-feira (22) pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e atinge também o Lex – Instituto de Estudos Jurídicos, entidade fundada por Moraes no ano 2000 e atualmente controlada pela família.

A medida replica as sanções já impostas em agosto ao ministro do Supremo, acusado por Washington de “prisões arbitrárias” e “restrições à liberdade de expressão”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, repetiu o discurso que ecoa a narrativa da extrema direita brasileira:

“De Moraes é responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam os direitos humanos e processos politizados – inclusive contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação de hoje deixa claro que o Tesouro continuará a responsabilizar aqueles que ameaçam os interesses dos EUA e as liberdades de nossos cidadãos.”

A inclusão de Viviane Barci no rol dos sancionados não ocorreu por acaso. Segundo admitiu o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ele próprio sugeriu ao governo Trump que punir apenas Moraes seria “contraproducente”, descrevendo a advogada como o “braço financeiro” do ministro. A pressão dos bolsonaristas, portanto, foi determinante para estender as sanções à esposa de Moraes.

Na prática, a aplicação da chamada Lei Magnitsky congela qualquer ativo que os sancionados possuam nos Estados Unidos, além de restringir operações financeiras em dólar, incluindo o uso de bandeiras internacionais como Visa e Mastercard. Os efeitos diretos no Brasil, no entanto, ainda dependem da posição dos bancos nacionais.

Sanções em meio a protestos e à ONU

A decisão norte-americana acontece num momento de grande tensão política. Neste domingo (21), milhões de brasileiros saíram às ruas em protestos massivos contra a anistia aos golpistas de 8 de janeiro, reforçando o isolamento político de Jair Bolsonaro e a defesa da democracia liderada pelo STF e pelo governo Lula. Agora, o gesto hostil de Trump adiciona um ingrediente de constrangimento diplomático às vésperas da abertura da Assembleia Geral da ONU, que ocorre nesta terça-feira (23). Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro a discursar, seguido pelos Estados Unidos — o que significa que Lula falará imediatamente antes de Trump. A expectativa é de que o presidente brasileiro aproveite o palco global para responder à altura, denunciando a instrumentalização política das sanções e reafirmando a soberania nacional diante da ingerência estrangeira.

As medidas de Trump, embaladas pelo lobby bolsonarista, expõem mais uma vez a sintonia entre o ex-presidente brasileiro e a extrema direita norte-americana. Já a reação do governo brasileiro e do Supremo tem sido firme em defender Moraes, alvo de ataques justamente por seu papel central no julgamento dos responsáveis pela tentativa de golpe de Estado.

revistaforum

Sistema Cantareira, que abastece São Paulo, atinge pior nível em dez anos

Sistema Cantareira, que garante água para cerca de 9 milhões de pessoas na Grande São Paulo, está em seu pior nível nos últimos dez anos.

Neste mês de setembro, o reservatório apresenta apenas 29,7% do volume total de água, o menor nível desde 2015. Naquele ano, o sistema enfrentou uma crise hídrica e a administração pública iniciou a retirada de água do chamado volume morto — uma reserva que só pode ser usada em situações de emergência. Após a última crise, a Agência Nacional de Águas e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo publicou, em 2017, uma resolução que determina que o Sistema do Cantareira entre em restrição quando ficar abaixo dos 30%, como acontece agora. Assim, por decisão da Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp), a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) passou a reduzir, desde o fim de agosto, a pressão da água. Na última semana, o período foi ampliado e o racionamento se inicia às 19h e se estende até às 5h. Moradores já podem sentir a diferença na pressão da água que sai das torneiras nesse horário. “Essa medida preventiva visa evitar perdas por vazamentos e rompimentos de tubulações, contribuindo para a manutenção dos níveis dos reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano”, informa a nota publicada no site da companhia. O Sistema Integrado Metropolitano (SIM) é a rede de abastecimento de água da Grande São Paulo e tem o Sistema Cantareira como um dos principais mananciais.

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Estados Unidos ficam de fora de evento sobre democracia em Nova York, idealizado por Brasil e Espanha

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano) não foi chamado para a segunda edição do evento Democracia Sempre, que acontece na próxima quarta-feira (24), sob liderança do Brasil, Espanha, Chile, Colômbia e Uruguai.

O encontro ocorre em paralelo às atividades da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com início nesta segunda-feira (22), em Nova York, para onde Lula viajou na manhã deste domingo (21). Na primeira edição do evento, em 2024, que teve como tema Em defesa da democracia, lutando contra o extremismo, os Estados Unidos estiveram presentes. À época, o país era governado por Joe Biden (Democratas). Uma nota publicada no site oficial do governo brasileiro dá conta que, na ocasião, os participantes “reconheceram que a polarização, o extremismo e a disseminação de desinformação são fenômenos transnacionais que corroem o tecido social e alimentam a violência e a instabilidade”. Neste ano, sob o governo de Trump, o país foi excluído do encontro por decisão dos governos organizadores. A justificativa apresentada é que somente países democráticos são convidados para a reunião. Com o governo Trump, os Estados Unidos enfrentam uma virada extremista, marcada pela perseguição aos imigrantes, ataques à liberdade de expressão e desmonte das instituições. Ao todo, o evento Democracia Sempre tem cerca de 30 convidados, entre eles o Canadá, México, Quênia e Senegal. O secretário-geral da ONU, António Guterres, também deverá ser chamado como representante da União Europeia. Os participantes irão debater temas relacionados à defesa da democracia, como o combate à desigualdade e à desinformação. Na edição de 2024, participaram do encontro representantes de Barbados, Cabo Verde, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, México, Noruega, Quênia, Senegal, Timor Leste, além do presidente do Conselho Europeu Charles Michel e do Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas, Guy Rider.

Na ocasião, os líderes presentes se comprometeram em fortalecer as instituições e processos democráticos.

Juventude é protagonista na pressão por mudanças na crise ambiental, destaca ativista Jahzara Oná

No Dia Nacional da Juventude, celebrado nesta segunda-feira (22), a ativista climática Jahzara Oná destacou a importância da participação jovem na defesa do meio ambiente e na pressão por mudanças concretas. “Eu nasci ativista, nasci num território onde sempre fui afetada por uma vulnerabilidade socioambiental, que são as enchentes no Pantanal, na Zona Leste de São Paulo”, relata, em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Segundo ela, essa vivência impulsionou sua trajetória em projetos de educação climática nas escolas da periferia e no apoio a comunidades atingidas por desastres ambientais. “O valor da juventude está justamente nessa capacidade de pressionar por mudanças do agora e não esperar que venham de cima. Também atuando no nosso próprio território”, afirma. Oná tem acompanhado de perto a mobilização em torno da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para novembro em Belém (PA). Ela conta que visitou a cidade para mapear iniciativas de jovens do Norte, Nordeste e Rio de Janeiro que atuam em soluções locais. “Pude conhecer um projeto que pauta saneamento básico em uma comunidade ribeirinha com as lideranças; outra que pauta a COP de forma acessível para as baixadas, mostrando o que significa, como funciona; muitos outros projetos muito impactantes da juventude para e com a juventude”, cita. A ativista ressalta que os jovens não apenas denunciam as desigualdades, mas também constroem alternativas. “A juventude fala do que estamos passando na pontinha da base, no território. Acho isso muito legal, é como a juventude denuncia todas essas questões, pressiona e também propõe alternativas”, observa.

Vozes da periferia

Para Jahzara, a presença da juventude periférica é essencial para que as soluções partam de quem sente os impactos mais diretamente. “Tem uma frase que diz que a solução nasce onde a dor bate primeiro. E se a dor está batendo ali na pontinha onde a crise climática já está impactando as pessoas que estão ali, a solução nasce dali de alguma forma”, reflete. Ela defende que o financiamento climático chegue às comunidades tradicionais, povos indígenas e periferias, permitindo que sejam protagonistas na implementação das mudanças. “Precisamos ser escutados, ouvidos para mostrar a urgência de atuar nesse exato momento e não adiar esse diálogo”, diz. Com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) presente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a partir desta terça (23) e discutindo temas ligados à COP30, Jahzara reforça que o Brasil precisa ir além dos discursos. “Falar sobre implementação é uma coisa, mas colocar isso em prática é completamente outra: significa zerar o desmatamento, garantir recursos para adaptação climática e também colocar a juventude dos povos da floresta como protagonista nesse processo durante a pré-COP, a COP e o pós-COP também”, pontua.

Editado por: Nathallia Fonseca

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